Quem viveu a febre de Naruto, Bleach e Fullmetal Alchemist: Brotherhood sabe que a década de 2000 foi, ao mesmo tempo, mágica e agitada para o shonen. Transformações épicas e arcos memoráveis colocaram o gênero em outro patamar, mas nem tudo lançado na época manteve o brilho.
Entre tantas pérolas, surgiram algumas produções que, revistas hoje, revelam problemas de direção, roteiro repetitivo ou simplesmente animação que já não convence mais. A seguir, listamos sete animes shonen dos anos 2000 que se tornaram difíceis de maratonar.
O ranking: sete títulos que ficaram no passado
- Gokusen (2004, 13 episódios) – A ideia da professora que também lidera um clã yakuza chama atenção, mas a série foi tachada como cópia genérica de Great Teacher Onizuka. A direção não consegue imprimir identidade própria e o live-action acabou superando o anime em carisma.
- Shakugan no Shana (2005, 24 episódios) – A trilha sonora continua potente e Shana permanece icônica, porém o roteiro tropeça em triângulo amoroso desnecessário e protagonista masculino indeciso, o que torna a experiência cansativa.
- The Prince of Tennis (2001, 178 episódios) – O volume de episódios é intimidador, mas o maior problema é a repetição crônica de enquadramentos e reações, somada a técnicas de tênis tão exageradas que beiram o sobrenatural, afastando quem busca ver esporte, não batalhas de poder.
- Buzzer Beater (2005, 13 episódios) – A premissa de humanos contra alienígenas em quadras intergalácticas poderia ser épica. Faltou, porém, direção de ritmo: as partidas soam frias e o potencial de ser um “novo Slam Dunk” nunca se concretiza.
- Ikki Tousen (2003, 13 episódios) – Combates intensos e fanservice dominam cada minuto. A narrativa rala e o foco quase exclusivo em apelos visuais deixam a série restrita a quem busca puro entretenimento superficial.
- Ragnarok the Animation (2004, 26 episódios) – Adaptar o RPG online de mundo vasto era desafio grande, mas o anime passa longe de capturar aquela sensação de aventura e estratégia do jogo, resultando em jornadas pouco envolventes.
- Beyblade (2001, 51 episódios) – Ícone da infância de muita gente, revela-se hoje um longo comercial de peões giratórios. A trama é rasa e as batalhas funcionam mais como vitrine de brinquedos do que como conflito dramático.
Roteiros que não seguram a maratona
O ponto comum entre os sete animes é a fragilidade da escrita. Gokusen não aprofunda seu elenco; Shakugan no Shana aposta em clichês amorosos que emperram a ação; e The Prince of Tennis recicla diálogos a cada set, alongando o arco principal além do necessário.
Nos esportivos, esse problema se agrava. Buzzer Beater desperdiça o gancho sci-fi e não constrói suspense em quadra. Já Beyblade prefere exibir peças raras de coleção a desenvolver motivações dos personagens. Para quem procura tramas ousadas, vale conferir esta lista de animes criativos, que mostra como o gênero pode ser mais arrojado.
Direção e estética: quando a animação vira obstáculo
Além dos roteiros, a parte visual também pesou no envelhecimento. A animação limitada de Gokusen e Ragnarok the Animation evidencia cortes de orçamento, enquanto os efeitos exagerados de Ikki Tousen chamam atenção apenas pelo fanservice.
Mesmo séries elogiadas na época, como Shakugan no Shana, sofrem ao serem revistas em alta definição: cenários estáticos e pouca variação de movimento quebram a imersão. Se o tema é imagem impecável, produções mais recentes listadas pelo Salada de Cinema em animes de animação impecável acabam suplantando todas essas apostas dos anos 2000.
Imagem: Divulgação
Fator nostalgia: ajuda ou atrapalha?
Muita gente pensa em revisitar Beyblade ou The Prince of Tennis movida pela lembrança de tardes de TV aberta. No entanto, o distanciamento do tempo expõe falhas que passavam batido quando éramos crianças ou adolescentes.
Ainda assim, a nostalgia pode funcionar como ponte para quem deseja comparar evolução do shonen. Assistir a essas séries é ver como o gênero aprendeu a equilibrar ação, comédia e narrativa ao longo das décadas — ponto reforçado em discussões sobre títulos atuais, como a repercussão de Boruto: Two Blue Vortex, que carrega a responsabilidade de honrar legados.
Vale a pena rever?
Para o fã curioso em compreender a evolução do shonen, sim: encarar esses sete animes funciona como estudo de caso sobre escolhas de roteiro e limites técnicos da época. Contudo, quem busca envolvimento imediato, direção afiada e ritmo moderno provavelmente ficará frustrado. É uma viagem ao passado que exige olhar crítico — e um pouco de paciência.



