Tommy Shelby voltou. A Netflix divulgou o primeiro trailer completo de Peaky Blinders: O Homem Imortal (Peaky Blinders: The Immortal Man), longa-metragem que continua a história imediatamente após o fim da série.
O vídeo confirma que o ex-líder do clã Shelby sai do autoexílio para enfrentar erros passados enquanto a Segunda Guerra explode ao fundo. Do outro lado, seu próprio herdeiro, já adulto, assume as rédeas da gangue e reacende métodos de duas décadas atrás, criando o ponto de choque central.
Trama retoma legado de Tommy Shelby
Cillian Murphy retorna ao papel que lhe rendeu projeção mundial, agora mostrando um Tommy marcado pelo isolamento e pela culpa. O trailer revela que Rebecca Ferguson interpreta a misteriosa figura que o localiza, informando que Duke (Barry Keoghan) tomou o comando dos Peaky Blinders.
O roteiro — ainda sem créditos oficiais divulgados — gira em torno da volta de Tommy a Birmingham e de sua surpresa ao não ser reconhecido no Garrison, pub que virou símbolo de sua ascensão. O choque de gerações se impõe quando pai e filho encarnam visões opostas para o império criminoso, ao mesmo tempo em que uma aliança obscura com um personagem vivido por Tim Roth sugere envolvimento direto com o esforço de guerra alemão.
Destaque para o duelo de gerações nas atuações
Murphy exibe um Tommy mais contido, quase espectral, o que reforça o contraste com a energia caótica de Keoghan. A breve cena em que o veterano encara o filho dentro do bar concentra a tensão dramática do trailer e antecipa um embate íntimo, sem abandonar a brutalidade habitual da franquia.
Barry Keoghan, por sua vez, transmite arrogância e imprudência que lembram o Tommy da primeira temporada, mas elevadas ao extremo. Essa escolha de desempenho sugere um espelho narrativo: o protagonista precisa enfrentar a pior versão de si mesmo para salvar o que resta de sua alma — ou destruir tudo.
Rebecca Ferguson surge com postura enigmática e olhar clínico, prometendo catalisar conflitos ao revelar informações cruciais. Já Tim Roth, mesmo com poucos segundos em tela, faz pesar cada palavra ao negociar o apoio logístico que poderá alterar o rumo da guerra. O trailer não economiza closes nas expressões dos atores, indicando que a produção aposta em performances intimistas para sustentar o drama.
Reencontros do elenco original reforçam continuidade
Além dos nomes já citados, o vídeo confirma os retornos de Stephen Graham como Hayden Stagg, Sophie Rundle como Ada Thorne, Ned Dennehy como Charlie Strong, Packy Lee como Johnny Dogs e Ian Peck como Curly. A presença coletiva reforça a sensação de que o filme é uma extensão orgânica da série, não um derivado desconexo.
Visualmente, cada personagem ressurge com traços de envelhecimento e leve desgaste, sinal de que a passagem do tempo será tratada como elemento narrativo. Ada, por exemplo, aparece em breves quadros coordenando movimentações estratégicas, sugerindo papel político maior, enquanto Johnny Dogs mantém a função de braço direito de Tommy, ainda que sob clima de incerteza.
Imagem: Divulgação
No universo de lançamentos da plataforma, a reunião desse elenco soa ambiciosa — sobretudo após o arrefecimento de outras franquias de ação da Netflix. Para o público fiel, trata-se de reencontrar figuras queridas em um terreno familiar, com potencial de revitalizar o catálogo do streaming.
O que o trailer revela sobre estética e tom do filme
As primeiras imagens mantêm a assinatura visual que celebrizou Peaky Blinders: fotografia em tons sépia, trilha contemporânea sobreposta a cenários de época e enquadramentos que valorizam chapéus, cigarrilhas e passos lentos em corredores enfumaçados. Somam-se a isso explosões e cortes rápidos, sinalizando que a narrativa alternará momentos contemplativos e sequências de ação intensa.
A ambientação na Segunda Guerra adiciona escala maior às artimanhas dos Shelby. Aviões surgem no céu de Birmingham, enquanto negociações sobre suprimentos bélicos elevam o risco de cada decisão. Ainda que o trailer não confirme diretor ou roteiristas, o ritmo do material sugere continuidade do trabalho de Steven Knight como mente criativa, mantendo coesão com a série original.
Quanto ao som, o contraste entre ruídos de metralhadora e silêncios prolongados enfatiza o estado psicológico de Tommy. Já a paleta de cores oscila entre azuis frios nos cenários militares e laranjas quentes nos becos, ressaltando a dualidade entre guerra externa e conflito interno.
Vale a pena ficar de olho?
No universo de dramas históricos da Netflix, Peaky Blinders: O Homem Imortal promete combinar o peso emocional de um acerto de contas familiar com o espetáculo visual de um grande conflito mundial. O elenco original reforçado por nomes de peso como Keoghan, Ferguson e Roth cria expectativa de atuações impactantes.
Para quem acompanhou seis temporadas da série, o filme surge como epílogo indispensável, esclarecendo se Tommy Shelby conseguirá, enfim, escapar da própria sombra. Já o público recém-chegado pode encontrar uma porta de entrada repleta de tensão, estilo e personagens carismáticos — marca que fez Salada de Cinema acompanhar de perto cada novidade da produção.
A estreia ainda não tem data confirmada, mas o trailer indica que a Netflix prepara um lançamento que deve reunir fãs antigos e novos espectadores em torno do eterno fascínio por chapéus com lâminas e ambição sem limites.


