Jason Voorhees pode voltar a levantar o facão. Sean S. Cunningham, cocriador de Sexta-Feira 13 (Friday the 13th), revelou que um novo longa-metragem está na fase inicial de desenvolvimento e promete resgatar o clima “old school” que marcou a franquia.
A informação empolga fãs órfãos do assassino mascarado desde 2009, quando a última tentativa de reboot chegou aos cinemas e saiu discretamente pela porta dos fundos. Ainda sem data, elenco ou diretor definidos, o projeto depende apenas de acertos jurídicos entre Warner Bros. e Paramount para receber o sinal verde definitivo.
Jason volta às origens em Sexta-Feira 13
Ao falar com o TMZ, Cunningham deixou claro que a proposta é apostar em um “Jason raiz”. Ou seja, nada de viagens interplanetárias como em Jason X nem de crossovers, a exemplo do encontro com Freddy Krueger. A ideia é resgatar o terror de campismo de Crystal Lake e reconectar o público ao medo da morte prematura, elemento-base apontado pelo produtor como motor da saga.
O realizador, hoje com 84 anos, reconhece que essa sensação de mortalidade iminente conversa melhor com quem ainda dá os primeiros passos na vida adulta. Por isso, ele pretende contratar um roteirista jovem, capaz de dialogar com a geração que consome filmes de terror pelo streaming e pelas redes sociais. Embora assuma a função de produtor executivo — cargo mais de bastidor —, Cunningham promete apoio total para que a voz criativa da nova equipe seja preservada.
Direção, roteiro e bastidores da negociação
O principal entrave sempre foi a divisão de direitos entre Warner e Paramount. Segundo Cunningham, a recente fusão corporativa facilita o processo, já que as duas casas agora falam a mesma língua. Sem esse obstáculo, o caminho se abre para que contratos sejam fechados ainda em 2024.
Quanto ao comando da câmera, nenhum nome foi cotado oficialmente. O produtor também não cravou se pretende repetir a parceria com o roteirista original Victor Miller. Pelo contrário: reforçou o desejo de sangue novo no texto. Ele mesmo admite que, com sua idade, perdeu a conexão emocional direta com o pavor que movia o roteiro em 1980. Assim, a escolha de um roteirista que viva essas inquietações em primeira pessoa serve para atualizar o discurso sem trair as raízes slasher.
Curiosamente, a postura se aproxima da estratégia do diretor de Undertone, que também delega a novos talentos a tarefa de reinventar o terror sonoro pela A24. No caso de Sexta-Feira 13, o desafio é equilibrar nostalgia e frescor sem repetir a recepção morna do filme de 2009.
O legado de atuação nos filmes anteriores
Sexta-Feira 13 nunca foi lembrada por atuações premiadas, mas alguns intérpretes deixaram marcas importantes. Adrienne King, a Alice do primeiro longa, entregou vulnerabilidade genuína ao enfrentar a Sra. Voorhees de Betsy Palmer — responsável por uma presença que destilava rancor materno quase palpável. Esses pequenos momentos de performance deram musculatura dramática a cenas de susto que, do contrário, soariam gratuitas.
Na longa sequência de 12 títulos, cada ator atrás da máscara de Jason trouxe nuances distintas. Kane Hodder, por exemplo, investiu em movimentos corporais pesados, enquanto Ken Kirzinger priorizou postura ereta e olhar vazio. Pequenos detalhes que moldaram a personalidade de um vilão mudo, onde a fisicalidade substitui qualquer fala.
Imagem: Divulgação
A abordagem “old school” defendida por Cunningham abre espaço para que um novo intérprete explore esse repertório físico, mas com sensibilidade atual. A escolha do elenco, portanto, torna-se peça-chave para reviver o impacto visceral das produções oitentistas, ainda lembradas pelas mortes inventivas e pelos sustos acompanhados de trilha sonora metalizada.
Reação da base de fãs e perspectivas
O hiato de quase 15 anos aumentou a sede por um capítulo que honre a mitologia. Mesmo que o reboot de 2009 não tenha agradado, a comunidade continua ativa em convenções, maratonas de streaming e colecionismo de máscaras de hóquei. Cada nova faísca — como o anúncio recente — viraliza em fóruns especializados e nas redes sociais dedicadas ao horror.
Além disso, a união entre dois grandes estúdios anima quem teme novos impasses legais. Com a burocracia encaminhada, há expectativa de que a produção evolua rapidamente. Resta saber se o roteiro optará por ignorar as continuações posteriores ao original ou se assumirá todo o cânone maluco que levou Jason até o espaço.
Para o Salada de Cinema, o anúncio indica uma virada de chave em franquias clássicas que pareciam enterradas. O movimento acompanha a tendência de revivals que trazem de volta nomes lendários, caso do possível envolvimento de Bradley Cooper no prelúdio de Onze Homens e um Segredo, noticiado recentemente em outro projeto de Hollywood.
Vale a pena ficar de olho?
A confirmação de que Sean S. Cunningham está pessoalmente empenhado, ainda que dos bastidores, confere credibilidade ao projeto. A busca por um roteirista jovem sugere frescor necessário a um título que marcou gerações, mas cuja última investida escorregou na repetição de fórmulas.
Enquanto o acordo entre Warner e Paramount não se converte em cronograma oficial, a simples perspectiva de rever Jason em Camp Crystal Lake já é motivo suficiente para manter a faca amolada de expectativa. Caso avance, o filme quebrará um jejum que dura desde 2009 e testará a capacidade do terror slasher de dialogar com tempos de redes sociais e streaming.
Por ora, o conselho é acompanhar de perto as próximas atualizações: da escolha do roteirista ao anúncio de elenco, cada passo dirá se Sexta-Feira 13 está pronta para mais uma noite chuvosa de pesadelos no lago.



