Quando se fala em fantasia sombria, três títulos saltam à mente de qualquer fã: A História Sem Fim, Legend e Hellboy. Em 2026, quem carrega a coroa desse trio retorna em grande estilo às prateleiras: as aventuras do vermelhão criado por Mike Mignola ganham um capítulo inédito e uma reedição histórica.
A Dark Horse Comics revelou suas solicitações de junho e julho, confirmando a chegada do one-shot Hellboy and the B.P.R.D.: The Monster of Nivola (O Monstro de Nivola) para 24 de junho de 2026, além da reimpressão fac-símile de Hellboy: Seed of Destruction #1 (Sementes da Destruição) em 1º de julho. A seguir, destrinchamos roteiro, arte e o peso que essas duas edições carregam para a mitologia criada há mais de 30 anos.
Como nasce O Monstro de Nivola: dupla de roteiristas aposta no resgate do horror folclórico
Mike Mignola se une novamente a Christopher Golden, parceria responsável por várias minis de sucesso do protagonista. Juntos, os roteiristas escolheram a Sardenha, na Itália, como palco de rumores sobre uma criatura que aterroriza uma cidade quase deserta. Esse ambiente mediterrâneo, pouco explorado na série, promete contrastar com o típico clima lúgubre associado a Hellboy.
O enredo direciona o herói até um mosteiro local, onde segredos ainda mais antigos aguardam. A sinopse oficial destaca que o formato de 32 páginas foi pensado como “porta de entrada ideal” para novatos; portanto, leitores que ficaram longe da série ou só conhecem as adaptações de Guillermo del Toro podem embarcar sem medo de spoilers pesados.
Arte de Daniele Serra reforça o clima gótico e aproxima quadrinho de cinema
Responsável pela capa principal e pelos interiores, Daniele Serra traz pinceladas aquareladas, paleta saturada em tons de ferrugem e sombras que lembram storyboards de filmes expressionistas. O estilo encaixa perfeitamente na proposta de fazer de O Monstro de Nivola um conto fechado, mas carregado de textura visual.
A escolha de Serra também dialoga com a tradição cinematográfica do personagem. O artista italiano utiliza enquadramentos que ecoam movimentos de câmera — recurso que, no passado, ajudou a inspirar a direção de Del Toro em Hellboy II: O Exército Dourado. Dessa vez, a transição é inversa: quadrinhos se alimentam da linguagem das telonas para criar uma experiência quase sensorial.
Sementes da Destruição ganha edição fac-símile: por que revisitar a gênese em 2026?
Além da história inédita, a Dark Horse relança a edição que apresentou Hellboy ao mundo em 1994. O fac-símile de Sementes da Destruição mantém anúncios originais, diagramação e até o backup Monkeyman and O’Brien, de Art Adams, devolvendo ao leitor a atmosfera das comic shops dos anos 90.
Imagem: Divulgação
Para quem coleciona artes de capa, a novidade fica por conta do variant assinado por Mignola e colorido por Dave Stewart. Esse tipo de material costuma ganhar valor de mercado rapidamente, fator que pode atrair tanto fãs veteranos quanto leitores de ocasião. Em um momento em que a indústria passa por consolidações de gigantes — basta lembrar a megafusão Warner-Paramount que chacoalhou os bastidores —, apostar em nostalgia é um movimento estratégico para fidelizar público.
Preço, formato e classificação indicativa: o que saber antes de comprar
O Monstro de Nivola chega por US$ 4,99 em formato one-shot, 32 páginas, miolo colorido e classificação 14 anos. A restrição etária reflete a presença de horror sobrenatural e temas adultos recorrentes na saga, mas permanece acessível ao público adolescente que descobriu o personagem via streaming ou cinema.
Já a reedição de Sementes da Destruição mantém o mesmo valor, o que deve facilitar a decisão de quem cogita levar os dois lançamentos para casa. A Dark Horse não sinalizou, até o momento, versões digitais ou compilações em capa dura, focando primeiro na experiência de banca — algo que dialoga com a tradição pulp que sempre permeou Hellboy.
Vale a pena mergulhar nessas novas páginas?
Se você acompanha o Salada de Cinema, sabe que Hellboy figura entre os pilares da fantasia sombria moderna. O Monstro de Nivola oferece uma trama autocontida, roteiristas em sintonia e arte que honra o legado visual do personagem. A reedição de Sementes da Destruição, por sua vez, resgata a faísca que acendeu todo esse universo. Dois pontos de entrada — ou reentrada — perfeitos para quem deseja entender por que 2026 já é chamado de “o ano de Hellboy”.



