Emily Cooper desembarcou em Paris há cinco anos trazendo otimismo, looks extravagantes e uma boa dose de ingenuidade. Na 5ª temporada, a especialista em mídias sociais continua cercada por cenários de cartão-postal, porém exibe hoje a casca grossa de quem aprendeu a decifrar um ambiente competitivo. Essa transformação sustenta o arco dramático da nova leva de episódios, mas também dilui parte do frescor que mantinha a série no topo das conversas a cada estreia.
Mesmo com locações impecáveis e figurinos assinados por Marylin Fitoussi, a produção de Darren Star não repete o fôlego das temporadas anteriores. A aventura italiana, o impasse profissional e os dilemas amorosos mantêm o brilho nos olhos, mas o roteiro recorre com frequência a soluções familiares, criando a sensação de que Emily já não surpreende tanto quanto antes.
Maturidade de Emily e escolhas do roteiro
Lily Collins entrega uma protagonista mais sagaz, ligeiramente cínica e disposta a jogar o mesmo jogo de aparências que antes criticava. O roteiro de Darren Star deixa claro que Paris — e agora a Itália — moldou essa evolução, transformando a personagem em alguém que reconhece e utiliza o poder das boas conexões.
A trama gira em torno da possibilidade de Emily assumir um cargo de chefia na empresa dos Muratori, largando Sylvie e se mudando para a Úmbria. Essa oferta de vida nova alimenta a narrativa, mas o texto fica preso a questionamentos já conhecidos: carreira ou lealdade? Amor seguro ou paixão conturbada? A maturidade da protagonista, embora coerente, limita o espaço para tropeços divertidos que definiam o ritmo frenético das primeiras temporadas de Emily em Paris 5ª temporada.
Elenco equilibra carisma e rins de drama
Se o roteiro segue terreno seguro, o elenco ainda é o principal trunfo para manter o público engajado. Collins encarna o novo cinismo de Emily sem abandonar o charme juvenil, equilibrando ambição e melancolia em cenas como o fiasco da campanha de perfume para bebês ou as conversas silenciosas em Solitano.
Philippine Leroy-Beaulieu continua afiada como Sylvie. A dinâmica intergeracional entre chefe e funcionária ganha camadas na 5ª temporada: agora é a pupila quem ameaça superar a mestra. O embate, cheio de sarcasmo e olhares cortantes, rende alguns dos melhores momentos e prova que a série ainda sabe explorar tensões de poder.
Ashley Park assume papel fundamental no décimo episódio, dirigido por Andrew Fleming. Em uma gôndola veneziana, Mindy oferece o contraponto emocional que ajuda a costurar arcos pendentes desde o primeiro ano. Mesmo sem muito tempo de tela, Park injeta espontaneidade que alivia o peso de decisões corporativas e romances em crise.
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Direção, locações e figurinos: o apuro visual permanece
Andrew Fleming dirige o capítulo final com inventividade, destacando a fotografia de Veneza e utilizando o enquadramento estreito dos canais para sublinhar o isolamento de Emily diante de escolhas definitivas. A direção não reinventa a roda, mas demonstra sensibilidade ao explorar a vibração cromática das cidades italianas em contraste com a elegância parisiense.
Os figurinos de Marylin Fitoussi são mais uma vez um espetáculo à parte. Do tricô de caxemira usado em Solitano ao vestido exuberante escolhido para uma reunião tensa na Grateau, cada peça reforça estados de espírito. Quem acompanha a série justamente pelo “desfile ambulante” continuará satisfeito; quem busca conflitos inéditos pode sentir o contraste entre beleza plástica e avanço dramático.
Pontos altos e tropeços narrativos da nova temporada
Entre os acertos, destaca-se o timing cômico de Collins e Leroy-Beaulieu, aliado à energia romântica de Lucien Laviscount (Marcello Muratori). A expansão de cenário para a Itália também refresca a estética, abrindo espaço a palácios renascentistas que dialogam com o glamour parisiense sem competir diretamente com ele.
Por outro lado, algumas histórias giram em círculos. O triângulo amoroso com Gabriel retorna de maneira previsível, e a crise da campanha de perfume infantil, ainda que divertida, não atinge o potencial satírico das temporadas anteriores. Com 10 episódios, a 5ª fase sofre de leve sensação de enchimento — conteúdo que agrada, mas não entusiasma.
Vale a pena maratonar Emily em Paris 5ª temporada?
Para quem é fã de longa data, a 5ª temporada mantém charme, figurinos de luxo e o elenco carismático que fizeram da série um fenômeno cultural desde 2020. No entanto, a energia de novidade dá lugar a uma narrativa mais contida, cujo principal mérito reside no crescimento de Emily. O Salada de Cinema atribui ao novo ano a mesma nota 7/10 revelada na análise original: prazeroso, mas sem o frescor de outrora.



