O arco The Culling Game chegou ao fim na terceira temporada de Jujutsu Kaisen e, junto com animações de cair o queixo, entregou um grupo de feiticeiros capazes de virar qualquer batalha de cabeça para baixo.
Da frieza calculista de Hiromi Higuruma ao ego inflado de Naoya Zenin, cada novo rosto acrescenta tensão à trama assinada pelo diretor Shōta Goshozono. A seguir, destrinchamos o elenco que domina os holofotes do anime.
Hiromi Higuruma e o tribunal particular
Antes de despertar como feiticeiro, Higuruma já dominava a arte do embate nos tribunais. Sua frustração com o sistema judiciário ganha forma literal quando ele ergue uma barreira que arrasta o oponente para um julgamento relâmpago. Dentro do domínio, o implacável Judgeman decreta sentenças que cancelam energia amaldiçoada ou até técnicas inteiras, abrindo caminho para o golpe final com o martelo mutável de Higuruma.
A animação ressalta cada gesto do ex-advogado: movimentos rígidos, olhar calculado e cortes de câmera que enquadram o cansaço moral do personagem. A direção de Goshozono acerta ao alternar close-ups e planos abertos, evidenciando o contraste entre a postura serena e a brutalidade dos veredictos.
Kinji Hakari, o trunfo suspenso de Tóquio
Terceiro-anista expulso temporariamente da Tokyo Jujutsu High, Hakari surge cercado de lendas internas. A temporada não entrega muitos minutos de tela, mas cada aparição reforça a aura de perigo: enquadramentos baixos, trilha percussiva e um sorriso que beira a provocação.
Yuji Itadori precisa convencer o veterano a entrar no jogo, e a série usa esse encontro para discutir conservadorismo no mundo dos feiticeiros. Mesmo sem uma grande luta animada — ela ainda está por vir —, o roteiro nos lembra por que Hakari já é comparado a Satoru Gojo em potencial bruto.
Naoya Zenin, a arrogância que se voltou contra si
Detestado por colegas e espectadores, Naoya carrega toda a soberba de seu clã. A temporada mostra, em flashes de flashback, como ele infernizava a vida das gêmeas Maki e Mai. Agora, com o status de Grau 1 Especial, ele acredita que nenhuma mulher pode superá-lo — crença que se torna seu calcanhar de Aquiles.
Imagem: Divulgação
A animação privilegia a velocidade do personagem: linhas de movimento e efeitos de distorção realçam a sensação de que Naoya quase teletransporta golpes. Quando Maki finalmente o confronta, a escolha de cores quentes e ângulos inclinados transmite a vingança que o público aguardava desde a primeira temporada, algo elogiado na crítica do episódio 12 publicada aqui no Salada de Cinema.
Visitantes de outras eras: Ryu Ishigori, Takako Uro e Reggie Star
Ryu Ishigori, arrancado de 400 anos atrás, disputa o posto de maior poder de fogo do arco. Seus projéteis de energia brotam do cabelo, literalmente, e a equipe de animação aplica texturas luminosas que lembram brasas para reforçar a letalidade do golpe.
Takako Uro, vinda de mil anos no passado, mantém o porte de ex-líder do esquadrão Sol, Lua e Estrelas. O roteiro destaca sua frieza militar, enquanto a movimentação aérea da personagem cria duelos verticais dinâmicos contra Yuta.
Já Reggie Star prefere vencer com cérebro: sua técnica “Recriação Contratual” materializa objetos selados em papéis, o que obriga Megumi Fushiguro a pensar dois passos à frente. A luta entre os dois transforma recibos, pneus e guarda-chuvas em armas letais, exibindo a criatividade gráfica que faz de Jujutsu Kaisen um fenômeno entre os shonen — bem diferente dos títulos listados no artigo sobre os piores shonen dos anos 90.
Vale a pena conhecer este elenco?
Mesmo sem entregar todos os segredos dos novos feiticeiros, a terceira temporada apresenta um elenco que amplia o universo de Jujutsu Kaisen em escala e complexidade. Cada personagem traz consigo uma filosofia de combate e uma estética própria, garantindo cenas memoráveis enquanto o público aguarda a próxima etapa do Culling Game.


