Depois de um hiato que parecia interminável, Dragon Ball Super se prepara para um 2026 movimentado. A Toei Animation confirmou o remake do arco de Beerus, enquanto a adaptação do Patrulheiro Galáctico inaugura, pela primeira vez, as histórias exclusivas do mangá na TV.
Entre vilões repaginados e heróis em crise, o grande destaque passa a ser o trabalho dos diretores e dos veteranos do elenco de voz, que terão a missão de atualizar cenas clássicas e apresentar novos confrontos a uma geração que consome streaming em ritmo acelerado.
Beerus ganha outra chance sob uma nova direção
O deus da destruição volta ao centro da narrativa em Dragon Ball Super: Beerus, desta vez sob a batuta de uma equipe de direção renovada. A promessa é corrigir a animação irregular do material de 2015, condensar a história e inserir trechos que só existiam no mangá.
Mas a pressão maior recai sobre a dubladora Masako Nozawa, que, aos 87 anos, segue dando vida a Goku com a mesma energia. A dinâmica entre Nozawa e a interpretação contida de Koichi Yamadera para Beerus será crucial para vender novamente o choque cultural entre um deus entediado e um saiyajin obcecado por lutas.
A Toei aposta em storyboards mais enxutos, inspirados no traço seguro de Tatsuya Nagamine, diretor que retorna ao posto após comandar o longa Dragon Ball Super: Broly. Ele próprio reconheceu que o timing cômico da primeira versão às vezes se perdia em quadros estáticos; agora, a meta é manter o humor sem sacrificar fluidez em batalha.
Nos bastidores, argumentistas veteranos ajustam diálogos para aproximar o texto da voz dos personagens. Ryu King, responsável pelo roteiro base, revelou que a ordem é simplificar tecnicismos sobre “ki” e focar na personalidade intempestiva de Beerus. É um caminho que lembra o ajuste feito em Demon Slayer antes de seu retorno à TV japonesa em 2026 pela preocupação em alinhar roteiro e atuação.
Moro promete elevar o padrão dos antagonistas
A chegada do arco do Patrulheiro Galáctico coloca Moro, o Devorador de Planetas, como provável sucessor de Freeza e Cell no panteão de vilões adorados pelos fãs. Seu design mistura traços caprinos e feições místicas, oferecendo material rico para os animadores experimentarem texturas de pele e expressões demoníacas raras na série.
No campo da voz, Ryūsei Nakao, eterno Freeza, já elogiou publicamente o colega que interpretará Moro (nome ainda mantido em segredo). A produção quer repetir o que One Piece conseguiu ao dramatizar as fraquezas de Imu por meio de pausas e sussurros calculados. O foco será um timbre frio, capaz de transmitir idade milenar e arrogância de predador cósmico.
Akira Toriyama, no roteiro adaptado, trata Moro como um espelho sombrio de Goku: ambos buscam poder infinito, mas por razões opostas. A nuance dramática abre espaço para cenas menos barulhentas e mais tensas, algo que o site Salada de Cinema apontou como carência na fase anterior.
Outra curiosidade técnica envolve a trilha de Norihito Sumitomo. O compositor trabalha em variações de vozes corais para acompanhar o momento em que Moro absorve a energia de um planeta inteiro. A intenção é criar um crescendo que torne o ato quase sacrílego, situando o público dentro da catástrofe.
Gohan, Vegeta e a disputa pelo protagonismo vocal
Ainda que Goku permaneça o fio condutor da franquia, Dragon Ball Super posiciona Gohan como principal herói neste momento. A performance de Masako Nozawa dobra de intensidade ao oscilar entre Goku e Gohan Beast, exigindo inflexões mais agressivas para diferenciar pai e filho em tela.
O diretor de dublagem, Masako Suzuki, recorreu a sessões individuais para evitar que a voz de Goku contaminasse a de Gohan. Já Vegeta, vivido por Ryo Horikawa, atravessa evolução parecida: seu Ultra Ego pede risadas guturais que contrastem com o autocontrole rígido do príncipe.
Imagem: Divulgação
Horikawa revelou em entrevista que observa atores de teatro Kabuki para encontrar o ponto exato entre raiva e arrogância. A pesquisa ecoa o que vemos em produções como Hunter x Hunter, cujo retorno de capítulos do mangá reacendeu pedidos por um anime atualizado elevando discussões sobre expressão vocal.
Piccolo e Broly também ganham tempo de tela impactante. Toshio Furukawa (Piccolo) alcança registro grave em Orange Piccolo, aproximando sua voz da reverberação típica de monstros kaiju. Kenjiro Tsuda, por sua vez, refina a selvageria de Broly para que a fúria não sofra com saturação auditiva. Essa mão cuidadosa indica a prioridade do estúdio em manter o elenco veterano relevante na nova saga.
Black Frieza: desafio máximo para roteiristas e elenco de voz
Black Frieza surge como o ápice da escala de poder e lança ao time criativo a tarefa de não banalizar a ameaça. Toyotarou, no mangá, apostou em um visual enxuto, trocando ornamentos dourados por linhas pretas e prateadas. A adaptação televisiva precisará preservar esse contraste para que a forma definitiva não pareça apenas um “recolor”.
Na cabine de gravação, Ryūsei Nakao ajusta seu tom para algo quase sussurrado, sustentando a sensação de que Freeza confia tanto em seu novo poder que não precisa gritar. A construção lembra o que o público viu quando Naruto revisitou a Terceira Grande Guerra Ninja, evidenciando o brilhantismo do elenco liderado por Minato em momentos de tensão contida.
O roteiro trabalha a ideia de que Freeza pode ser o vilão final de Dragon Ball Super, o que põe pressão extra na atriz Masako Nozawa para equalizar a ansiedade de Goku frente a um inimigo que o derrotou com um único golpe no mangá. Dentro da sala de roteiro, discute-se limitar piadas de alívio cômico durante a aparição de Black Frieza, reforçando o clima fatalista do arco.
Vale notar que a agenda de produção é apertada. A Toei quer alinhar o fim do arco a uma janela de exibição internacional simultânea, prevenindo vazamentos de episódios. O histórico recente de adiamentos, como ocorreu com Solo Leveling que saiu do radar após tensões na A-1 Pictures, serve de alerta para que tudo chegue ao ar sem comprometer a qualidade da animação.
Vale a pena acompanhar a nova fase de Dragon Ball Super?
Para fãs veteranos, o maior atrativo está na promessa de ver cenas clássicas redesenhadas com o cuidado que faltou na primeira exibição. A união de diretores experientes, como Tatsuya Nagamine, e um elenco de voz que domina seus personagens há décadas sinaliza respeito ao legado de Akira Toriyama.
Quem chegou agora encontra um ponto de entrada sólido: o remake do arco Beerus serve como porta de abertura, sem exigir vasto conhecimento prévio. Ao mesmo tempo, o arco do Patrulheiro Galáctico expande a mitologia com conflitos morais mais densos, equilibrando ação explosiva e drama contido.
Se a Toei mantiver o cronograma e conseguir traduzir o terror silencioso de Black Frieza em animação fluida, 2026 tem tudo para coroar Dragon Ball Super como o exemplo de como atualizar uma franquia longeva sem perder a identidade. O resultado pode, inclusive, redefinir parâmetros de dublagem em séries shonen, tal qual ocorreu com o recente elogio crítico a Dragon Ball DAIMA por conta de performances afiadíssimas.



