Os fãs do Universo Cinematográfico da Marvel receberam não um, mas quatro vislumbres de Avengers: Doomsday. Porém, de acordo com os irmãos Russo, nada do que chegou às telas deve ser encarado como um trailer tradicional. O duo afirma que cada peça funciona como parte de um quebra-cabeça maior, pensado para confundir as expectativas do público.
Com estreia marcada para 18 de dezembro de 2026, o longa vem colecionando teorias desde que trechos foram anexados às sessões de Avatar: Fire and Ash. Agora, a equipe por trás da câmera dá pistas sobre como essas sequências isoladas conversam entre si e como impactam o desenvolvimento dos personagens.
Os quatro trailers de Avengers: Doomsday: pistas em vez de cenas completas
A Marvel exibiu os clipes semanalmente, sempre em salas de cinema, criando um ritual raro na era do streaming. No primeiro, Chris Evans aparece de volta ao papel de Steve Rogers, mas o Capitão América guarda o uniforme e encara o que parece ser seu filho. No segundo, Chris Hemsworth surge como um Thor introspectivo, ajoelhado em uma prece longe do habitual tom de bravata do herói.
O terceiro trailer surpreende ao reunir os X-Men da antiga Fox, sinalizando que a tão comentada fusão de universos já é realidade. Por fim, o quarto material entrega a presença do Quarteto Fantástico e destaca a corte real de Wakanda, colocando Shuri e Okoye no centro das tensões. Tudo isso acontece sem cruzamentos diretos entre as tramas, reforçando a ideia de peças soltas de uma mesma narrativa.
Condução dos Russo: manipular a expectativa como arma dramática
Anthony e Joe Russo dominaram a arte de criar expectativa ainda em Vingadores: Guerra Infinita, quando esconderam o Hulk do corte final de uma sequência-chave. Agora, eles voltam a recorrer ao recurso para que o público chegue aos cinemas sem a certeza de quem estará em cena ou em que contexto.
Em postagem no Instagram, os diretores afirmam que “o que vocês vêm assistindo não são teasers, nem trailers. São histórias. São pistas. Prestem atenção.” A frase expõe a estratégia de transformar material promocional em extensão criativa do roteiro. Dessa forma, os trailers de Avengers: Doomsday funcionam como pequenos curtas independentes, permitindo à dupla brincar com o conceito de multiverso sem entregar os pontos.
Roteiro assinado por veteranos e responsabilidade sobre o multiverso
Para traduzir esse labirinto audiovisual em longa-metragem, os Russo contam com o retorno de Stephen McFeely, parceiro de confiança desde Capitão América: O Soldado Invernal. Ao lado dele, Michael Waldron – roteirista de Loki – entra para aprofundar a lógica das realidades paralelas. As menções a Jack Kirby e Stan Lee nos créditos reforçam a promessa de respeitar a essência dos quadrinhos, ainda que tudo seja filtrado pela linguagem cinematográfica contemporânea.
O time carrega também a pressão de orquestrar a primeira reunião oficial entre Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico e realeza wakandana. Caso se confirme a teoria de que as incursões destruíram o reino submarino de Namor, cada micro-história mostrada nos trailers pode representar diferentes pontos de uma linha temporal prestes a colidir.
Imagem: Divulgação
Atuações em destaque: o que cada teaser revela sobre os personagens
Chris Evans entrega uma postura paternal inédita para Steve Rogers, sugerindo um arco de passagem de bastão ou acerto de contas com o próprio legado. A atuação contida do ator contrasta com a habitual firmeza militar, sinalizando desgaste emocional acumulado após anos longe do escudo.
Já Chris Hemsworth troca piadas por silêncio. O close em seu rosto imóvel, enquanto reza, enfatiza culpa e dúvida. É uma direção diferente para o Deus do Trovão, cujo humor vinha sendo explorado nos últimos filmes. A mudança promete recolocar Thor em posição dramática, mais próxima da crise existencial vista nos quadrinhos.
No material que apresenta os X-Men, destaca-se o retorno de Hugh Jackman como Wolverine, agora cercado por um clima de fim de linha. A voz rouca e o olhar cansado sugerem que o mutante pode estar prestes a encerrar sua caminhada, fator que adiciona tensão ao encontro com heróis de outra realidade.
O Quarteto Fantástico, por sua vez, surge unido e confiante. Vanessa Kirby (Sue Storm) e Joseph Quinn (Johnny Storm) dominam a tela com sinergia instantânea, enquanto Ebon Moss-Bachrach imprime força bruta e vulnerabilidade a Ben Grimm. É a prévia mais otimista do conjunto, equilibrando drama e aventura.
Vale a pena ficar de olho em Avengers: Doomsday?
Considerando o cuidado na construção dos trailers de Avengers: Doomsday e o histórico de Anthony e Joe Russo em manipular expectativas, o projeto se apresenta como um dos mais ambiciosos da Fase 6. A forma como os diretores transformam material promocional em narrativa paralela sugere que a experiência definitiva só fará sentido nas salas de cinema. O público brasileiro, tradicionalmente apaixonado pela Marvel, já tem motivo de sobra para manter a data na agenda – e o Salada de Cinema seguirá acompanhando cada pista até lá.



