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    O declínio do Rinnegan em Boruto expõe escolhas de roteiro que enfraquecem o legado da série

    Matheus AmorimBy Matheus Amorimjaneiro 18, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    O Rinnegan, olho lendário apresentado na fase final de Naruto Shippuden, marcou gerações ao exibir um arsenal divino de habilidades. Em Boruto, porém, a técnica raramente aparece e quase não interfere nos conflitos, cenário que vem decepcionando fãs veteranos.

    As decisões de direção, roteiro e até a interpretação dos dubladores ajudam a compreender por que esse poder deixou de ser peça-chave. A seguir, o Salada de Cinema destrincha como produção, elenco e narrativa influenciaram a “morte” do Rinnegan no universo ninja.

    A condução de Masashi Kishimoto e a transição para Boruto

    Mesmo supervisionando a continuação, Kishimoto optou por dividir o protagonismo com novos personagens. Esse foco redirecionou o roteiro para a evolução de Boruto Uzumaki e Kawaki, reduzindo o espaço de figuras consagradas, como Sasuke Uchiha. Como consequência direta, o único Rinnegan ainda ativo entre os ninjas – o de Sasuke – ganhou função meramente utilitária, limitada a teleporte pontual e suporte estratégico.

    Na prática, isso transformou um dos três grandes dōjutsu em acessório de cena. A ausência de confrontos que explorassem as Seis Vias do Caminho do Rinnegan indica uma escolha consciente da equipe de direção: evitar poderes capazes de resolver lutas em segundos e, assim, manter tensão no enredo. A estratégia funciona para criar desafios, mas sacrifica o peso histórico do olho místico.

    Roteiristas priorizam novos poderes e colocam o Rinnegan em segundo plano

    Com o roteiro agora nas mãos de Ukyō Kodachi, nos primeiros arcos, e atualmente de Kishimoto, a narrativa apostou em fórmulas inéditas, como o Karma e habilidades Otsutsuki. Essa guinada jogou luz sobre técnicas ainda não vistas, enquanto velhos recursos sofreram “balanceamento” – termo usado pela equipe para justificar nerfs severos.

    Sasuke, por exemplo, raramente ativa absorção de ninjutsu ou controle gravitacional, habilidades que Nagato usava com naturalidade em Naruto Shippuden. Até Momoshiki, vilão com Rinnegan nas mãos, limita-se a absorver jutsu e devolver potência ampliada. A decisão de reduzir as Seis Vias a meras referências deixa a sensação de que o roteiro teme repetir fórmulas consagradas, mas escorrega ao não oferecer substitutos à altura.

    Atuação dos dubladores: quando o poder não ganha voz de destaque

    Outro componente para o enfraquecimento do Rinnegan é a direção de voz. Noriaki Sugiyama, intérprete de Sasuke, entrega uma performance contida que reforça a fase madura do personagem, mas a falta de cenas que explorem o olho lendário impede que seu timbre mostre a imponência vista em Shippuden. Em combates decisivos, o áudio privilegia efeitos do Karma de Boruto e de Kawaki, deslocando a atenção.

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    Já Takehito Koyasu (Momoshiki) tenta trazer arrogância divina ao antagonista, porém o roteiro não permite longos monólogos nem lances estratégicos que valorizem o Rinnegan nas palmas das mãos. O resultado é um vilão que soa poderoso em teoria, mas termina derrotado sem exibir todo o potencial auditivo que a técnica poderia inspirar.

    Recepção do público e possível destino da técnica

    Entre leitores do mangá e espectadores do anime, a frustração com a perda de relevância é evidente. Em fóruns, multiplicam-se debates sobre o “apagamento” do Rinnegan após a cena em que Momoshiki possuído por Boruto perfura o olho de Sasuke. A partir dali, o dōjutsu some de vez entre os shinobi, restando apenas variações impostas pelas árvores divinas.

    Para muitos fãs, a decisão de remover o recurso soa drástica, mas reflete a necessidade de nivelar poder antes de introduzir ameaças maiores. Caso a equipe criativa retome o dōjutsu, será preciso criar obstáculos que impeçam soluções fáceis, sem repetir erros de escala vistos no final de Naruto Shippuden. Até lá, o Rinnegan parece destinado a virar lenda de almanaque, algo citado em flashbacks e enciclopédias oficiais.

    Vale a pena assistir Boruto mesmo com o adeus ao Rinnegan?

    Se a expectativa do público gira em torno de reviver feitos épicos de Pain ou Madara, Boruto pode desapontar. Entretanto, quem busca conhecer novos heróis, entender o Karma e acompanhar a evolução do legado Uzumaki encontrará material diverso. O declínio do Rinnegan simboliza apenas uma entre várias mudanças que a franquia empreendeu para se reinventar — resta ao fã decidir se abraça essa nova fase ou permanece preso à nostalgia.

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    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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