Margot Robbie chegou ao topo de Hollywood apostando em versatilidade e presença de cena. Sua mais nova aposta, O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), chegou aos cinemas no fim de semana do Dia dos Namorados e reacendeu a discussão sobre a força dramática da atriz.
Ao lado de Jacob Elordi, ela entrega um romance intenso que, inevitavelmente, faz o público revisitar outra parceria marcante: Golpe Duplo (Focus, 2015), em que contracena com Will Smith. As duas produções oferecem ótimos termômetros para medir a evolução de Robbie e sua capacidade de criar ligações inflamáveis com diferentes colegas de cena.
O Morro dos Ventos Uivantes: novas escolhas, velhas paixões
Na adaptação comandada por Emerald Fennell, Robbie assume Catherine Earnshaw, enquanto Elordi interpreta Heathcliff. A diretora altera pontos cruciais da obra de Emily Brontë, como a remoção de Hindley, irmão da protagonista, e a decisão de colocar Catherine como responsável por batizar Heathcliff. As mudanças simplificam a trama familiar e colocam o foco no embate entre amor e ciúme.
Essas intervenções, porém, geraram ruído. O elenco sofreu críticas por escolher Elordi para um papel descrito no livro como “cigano de pele escura”. O ator respondeu que seu objetivo é “servir à verdade do roteiro que recebeu”, reforçando a visão autoral de Fennell. O longa, portanto, divide opiniões principalmente pela leitura contemporânea de seus temas clássicos de exclusão e desejo.
Química à flor da pele: Robbie e Elordi em cena
Robbie e Elordi mantêm tensão constante em tela. A atriz explora o temperamento apaixonado de Catherine com gestos contidos, reservando explosões emotivas para momentos-chave. Já Elordi contrabalança com um Heathcliff mais frio, mas igualmente obcecado, criando o atrito necessário para que o romance pareça sempre prestes a implodir.
A câmera de Fennell favorece closes e longos silêncios, permitindo que pequenos olhares carreguem o peso de diálogos inteiros. O resultado é um romance que, apesar das polêmicas narrativas, sustenta a atenção. Em termos de química, o casal convence, mas ainda não atinge o patamar de magnetismo que Robbie demonstrou ao lado de Will Smith nove anos antes.
Golpe Duplo prova que amor e trapaça andam juntos
Em 2015, Golpe Duplo arrecadou mais de 150 milhões de dólares e consolidou Robbie no radar do grande público. Nicky (Will Smith) ensina Jess (Robbie) os truques de um vigarista, e a relação dos dois evolui em meio a golpes cada vez maiores. Três anos depois, o reencontro quase compromete o plano final de Nicky, amarrando romance e suspense em ritmo ágil.
A química entre os protagonistas impulsionou a produção ao top 10 global da Netflix na semana de 11 de novembro de 2024, com 5,4 milhões de visualizações. Diferente de O Morro dos Ventos Uivantes, aqui não há controvérsia: o foco fica na dinâmica gato-e-rato entre Smith e Robbie. Ela domina as cenas com autoconfiança, enquanto Smith adiciona humor e carisma. O contraste rende diálogos elétricos que justificam o êxito comercial.
Esse poder de atração lembra o debate recente sobre riscos de carreira abordado por Timothée Chalamet no filme Wonka; ambos os casos mostram como escolhas de elenco e química podem definir a recepção de um projeto.
Imagem: Divulgação
Direção e roteiro: Emerald Fennell versus Ficarra & Requa
A assinatura de O Morro dos Ventos Uivantes pertence integralmente a Emerald Fennell. Conhecida por Promising Young Woman, a cineasta imprime marca autoral, com fotografia que privilegia tons frios e planos estáticos. Sua decisão de alterar elementos do romance original pretende atualizar temas de discriminação, mas não passa ilesa às críticas de puristas.
Já Golpe Duplo carrega o selo da dupla Glenn Ficarra e John Requa. Os roteiristas-diretores optam por ritmo dinâmico, trilha pulsante e reviravoltas constantes. O fio condutor é a velha máxima de que “amor vale mais do que dinheiro”, mensagem que se alinha ao tom descontraído da trama. A estrutura de golpes sucessivos sustenta o interesse e aproveita o timing cômico de Smith sem ofuscar a desenvoltura de Robbie.
Comparando estilos, Fennell prefere imersão psicológica, enquanto Ficarra & Requa apostam em entretenimento puro. Em ambos os contextos, Robbie encontra espaço para exibir amplitude: intensidade contida em um, charme leve e malicioso no outro. Salada de Cinema acompanha de perto como a atriz ajusta seu registro às demandas de cada diretor, reforçando sua reputação de camaleoa.
Vale a pena assistir?
O Morro dos Ventos Uivantes oferece leitura ousada de um clássico e vale pelo duelo emocional entre Margot Robbie e Jacob Elordi. Se o espectador busca uma experiência de época com abordagem contemporânea, a produção cumpre o objetivo, apesar das controvérsias.
Para quem quer romance leve, ritmo acelerado e química incontestável, Golpe Duplo permanece imbatível no catálogo da Netflix. A dupla Robbie-Smith transforma um conto sobre trapaças em vibrante história de amor, justificando a permanência do título entre os mais assistidos da plataforma.
Seja pelo vigor de uma nova adaptação literária ou pela energia de um thriller de golpes, Margot Robbie prova, mais uma vez, que domina o palco quando o assunto é conexão em cena — e, por enquanto, sua parceria mais explosiva ainda atende pelo nome de Will Smith.


