Guillermo del Toro quebrou o silêncio sobre Devoradores de Estrelas (2026) e não economizou elogios nem franqueza. O cineasta mexicano descreveu a produção como “bela, empolgante e, acima de tudo, honesta”, apontando escolhas criativas que, segundo ele, recolocam a ficção científica em terreno emocional.
O comentário acontece enquanto o longa, estrelado por Ryan Gosling e produzido pela dupla Phil Lord e Chris Miller, ganha força nas redes e levanta expectativas de bilheteria. Del Toro reconhece o hype, mas reforça que a verdadeira força do filme está em detalhes de direção, performances e uso inteligente de efeitos práticos.
O olhar de Guillermo del Toro sobre a direção de Devoradores de Estrelas
Famoso por seu rigor estético, del Toro destacou a “direção magistral” assinada por um colega que, segundo ele, valoriza cada enquadramento. Para o mexicano, os planos fechados revelam vulnerabilidade dos personagens em meio ao caos cósmico, enquanto panorâmicas reforçam a ameaça universal que paira sobre o Sol.
Del Toro elogia ainda a segurança no ritmo. O longa alterna momentos de suspense denso com explosões de ação, sem sacrificar a construção emocional. Na visão do diretor de A Forma da Água, essa cadência impede que a trama se reduza a um desfile de explosões, algo comum no gênero quando a preocupação principal é impressionar visualmente.
Destaque para as atuações de Ryan Gosling e elenco
Entre os pontos altos citados por Guillermo del Toro está a performance de Ryan Gosling. O ator, conhecido por transitar entre o drama contido e a ação física, entrega aqui, de acordo com o cineasta, “uma interpretação que combina heroísmo e fragilidade”. Essa dualidade mantém a plateia conectada à jornada humana por trás do espetáculo espacial.
Del Toro também reservou espaço para elogiar o elenco coadjuvante, ressaltando que a química entre os atores sustenta as reviravoltas emocionais. Ele argumenta que, quando cada personagem possui motivações claras, o perigo iminente sobre a Terra ganha peso real, em vez de ficar restrito ao CGI.
O roteiro e a condução de Phil Lord e Chris Miller
Guillermo del Toro reconhece em Phil Lord e Chris Miller a capacidade de mesclar humor, emoção e escopo épico. Para ele, o roteiro de Devoradores de Estrelas jamais menospreza o público: entrega diálogos ágeis, mas contribui para um arco narrativo coerente, no qual ciência e drama familiar caminham lado a lado.
Imagem: Ana Lee
O diretor mexicano observa que a produção questiona até onde a humanidade deve ir para sobreviver, mas sem pregação moralista. A estrutura em “corrida contra o tempo” mantém tensão constante, enquanto momentos de intimidade lembram o espectador do que está em jogo. Del Toro celebra esse equilíbrio e diz que é exemplo de como roteiristas podem investir em profundidade sem abrir mão do entretenimento.
Efeitos práticos versus digitais: o peso da escolha artística
Um dos capítulos mais enfáticos da análise de del Toro recai sobre a decisão de priorizar efeitos práticos. O mexicano elogia a textura que miniaturas, cenários construídos e maquiagem especial conferem às cenas, citando que “a fisicalidade pode ser sentida”. Ele afirma que, em tempos de telas verdes onipresentes, tal abordagem aproxima o público da narrativa.
Isso não significa ausência de CGI. Del Toro reconhece o uso de computação gráfica, mas ressalta que ela serve como complemento, não muleta. Na opinião dele, a mistura harmoniosa de técnicas cria um mundo crível e, sobretudo, tangível — ponto crucial para quem deseja emocionar e não apenas deslumbrar.
Vale a pena assistir?
Para Guillermo del Toro, Devoradores de Estrelas apresenta atuações sólidas, roteiro com propósito e um visual marcado pelo cuidado artesanal. A avaliação do premiado cineasta funciona como selo de autenticidade para quem busca ficção científica que emociona tanto quanto impressiona. No Salada de Cinema, continuaremos de olho na repercussão do longa e em como ele influenciará novos projetos do gênero.



