Ghostface ainda não largou o facão e o público continua dizendo “presente”. Em seu quinto fim de semana, Scream 7 encerra o período com US$ 204 milhões arrecadados globalmente, façanha inédita para a saga que já dura três décadas.
O resultado eleva o novo filme ao topo absoluto da franquia em valores nominais, além de garantir lucro confortável para o estúdio, já que o orçamento divulgado foi de apenas US$ 45 milhões.
Retorno de Neve Campbell e um elenco enxuto, mas eficiente
Depois de ficar de fora de Pânico VI por discordâncias salariais, Neve Campbell volta a vestir a pele de Sidney Prescott. A atriz retoma a personagem com a segurança de quem sobreviveu a incontáveis carnificinas, mas sem abrir mão da vulnerabilidade que tornou a heroína icônica.
Ao redor dela, o diretor Kevin Williamson – também responsável pelo roteiro ao lado de Guy Busick e James Vanderbilt – reúne nomes como Isabel May, Joel McHale, Anna Camp, Jimmy Tatro, Michelle Randolph, Mckenna Grace, Asa Germann, Sam Rechner e Celeste O’Connor. Entre os veteranos, Courteney Cox, Matthew Lillard, Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding garantem a ponte emocional com capítulos anteriores.
O conjunto se beneficia da química entre gerações. Campbell e Cox continuam comandando a cena com um timing lapidado, enquanto os novatos equilibram humor e tensão, característica fundamental da fórmula meta-slasher criada em 1996.
Direção e roteiro: a mão de Kevin Williamson na cadeira principal
Responsável pelo texto do filme original, Williamson assume a direção pela primeira vez na franquia. A mudança se reflete em sequências que conversam diretamente com o roteiro, valorizando diálogos cheios de autorreferências e brincadeiras com clichês do gênero.
Visualmente, Scream 7 aposta em cortes rápidos e locações mais fechadas, o que intensifica a sensação de claustrofobia. A narrativa gira em torno de Sidney tentando proteger a filha, premissa simples que serve de fio condutor para um desfile de mortes criativas – marca registrada da série.
Mesmo com a familiaridade, críticos não perdoaram: o longa amarga 31% no Rotten Tomatoes, pontuação mais baixa da saga. Ainda assim, o público reagiu melhor, entregando 75% de aprovação no Popcornmeter. O boca a boca favorável ajuda a explicar a permanência do título nas primeiras posições das bilheterias.
Números de bilheteria em perspectiva
No mercado doméstico (EUA e Canadá), Scream 7 totaliza US$ 118,6 milhões. Outros US$ 85,4 milhões vieram de territórios internacionais, somando os já citados US$ 204 milhões.
Com isso, o longa passa a ser a maior arrecadação nominal da marca, superando os US$ 169,1 milhões de Pânico VI. Em âmbito mundial, ele também deixa para trás os US$ 173 milhões do filme de 1996.
Imagem: Divulgação
Mesmo sem considerar a inflação, alcançar a casa dos 200 milhões é ponto fora da curva para slashers. Para efeito de comparação, alguns sucessos recentes só cruzaram a marca de US$ 100 milhões depois de estrearem no digital – caso de GOAT, citado quando ultrapassou o primeiro centenário nos Estados Unidos.
A relação custo-benefício é outro trunfo: com orçamento de US$ 45 milhões, analistas calculam ponto de equilíbrio em torno de US$ 112,5 milhões. Ou seja, o sétimo filme praticamente dobrou sua margem mínima, garantindo retorno robusto para a Paramount e para a Spyglass.
Crítica do elenco e leituras de performance
Neve Campbell domina as cenas de confronto com firmeza, destacando amadurecimento da personagem sem perder o sarcasmo característico. Courteney Cox, por sua vez, equilibra cinismo e empatia, oferecendo respiros cômicos bem-vindos em meio ao banho de sangue.
Entre os novatos, Mckenna Grace rouba a atenção como filha de Sidney, entregando vulnerabilidade e coragem na medida certa. Isabel May e Joel McHale adicionam leveza, enquanto Matthew Lillard retorna com a energia exagerada que marcou o original.
A condução de Williamson favorece o elenco ao priorizar diálogos que satirizam fórmulas de reboots e legados, permitindo que cada ator brinque com a própria metalinguagem. Mesmo quem aparece pouco ganha espaço para um momento memorável, fator que sustenta o ritmo durante os 114 minutos de projeção.
Vale a pena assistir?
Para fãs de longa data, Scream 7 funciona como uma celebração de 30 anos de facadas e autorreferências, coroada por números de bilheteria que empurram a série a um novo patamar. Quem busca terror com pitadas de humor e comentários sobre a cultura pop encontrará aqui material de sobra.
Mesmo com críticas negativas, o retorno financeiro expressivo e a recepção do público indicam que Ghostface ainda tem fôlego para mais uma chamada. No fim das contas, o filme entrega exatamente o que promete: um jogo sangrento de gato e rato que sabe rir de si mesmo – e, pelo visto, o público continua rindo junto.
O Salada de Cinema segue acompanhando o desempenho do longa e possíveis novidades sobre um futuro Pânico 8.



