Projeto Hail Mary (Project Hail Mary) já nasceu olhando para as estrelas, mas a corrida pelas bilheterias mostrou que o novo épico de ficção científica da Amazon MGM tem pés bem firmes no chão – ou melhor, nas salas de cinema. Com um fim de semana de abertura projetado em US$ 77,1 milhões, o longa quase alcança a marca histórica de Oppenheimer.
Os números são ainda mais impressionantes quando lembramos que se trata de uma produção sem vínculo com franquias. A façanha só foi superada, até hoje, por Jordan Peele em Nós e pelo próprio Christopher Nolan com Oppenheimer, livro que virou filme campeão de plateia em 2023.
Números de estreia desafiam Oppenheimer
O objetivo de Projeto Hail Mary é claro: ultrapassar o recorde de US$ 82,4 milhões cravado por Oppenheimer. O suspense espacial, orçado em US$ 248 milhões, precisa arrecadar entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões para zerar a conta depois dos custos de marketing. A largada robusta indica que a meta não é inalcançável, principalmente graças aos ingressos premium.
Somente na AMC Lincoln Square 13, em Nova York, a produção somou US$ 180,7 mil já na prévia, reforçando a força da tela gigante. Sessões em IMAX respondem por 24 % da arrecadação inicial, comprovando que a dupla de diretores Phil Lord e Chris Miller pensou cada quadro para ser visto em grande escala.
Direção de Phil Lord e Chris Miller impulsiona experiência IMAX
Lord e Miller, conhecidos pela energia frenética de Uma Aventura LEGO, apostam agora na imersão total. A decisão de filmar sequências espaciais para IMAX faz diferença direta no caixa. Quem conferiu a estreia percebeu que cada centavo do orçamento aparece em cena, dos painéis iluminados da nave aos detalhes no traje do protagonista.
Apesar da divulgação intensa no Prime Video, apenas 55 % do público dos primeiros dias afirmou ser assinante da plataforma. O dado indica que a produção conseguiu atravessar as fronteiras do streaming e atrair espectadores de fora do ecossistema Amazon, ampliando o alcance nas bilheterias físicas.
Ryan Gosling e elenco sustentam a jornada espacial
Ryan Gosling não só protagoniza como também produz o longa, vivendo Ryland Grace, professor de ciências que acorda sozinho numa nave. A recepção calorosa – 95 % de aprovação no Rotten Tomatoes e nota A no CinemaScore – sugere que o astro entrega carisma suficiente para segurar 156 minutos de projeção.
Imagem: Divulgação
Sandra Hüller aparece como Eva Stratt, figura essencial na preparação da missão. O mistério sobre o destino da personagem já rende debates acalorados e até levou o Salada de Cinema a revelar que um easter egg escondido pelos diretores explicaria pistas deixadas no terceiro ato.
Roteiro de Drew Goddard e Andy Weir mantém tensão científica
Drew Goddard adaptou a obra de Andy Weir sem abrir mão da linguagem acessível que torna conceitos astrofísicos palatáveis ao grande público. Cada desafio apresentado na órbita solar tem implicação direta nas emoções do herói, equilibrando números e humanidade – combinação elogiada pela crítica.
O texto preserva o humor característico de Weir, algo que ajudou a render o aplauso extra dos primeiros espectadores. Nada mal para um filme que ainda corre para superar Eu Sou a Lenda, de 2007, segunda melhor estreia histórica entre títulos originais com US$ 77,2 milhões.
Vale a pena assistir?
Com um arranque que já supera de longe o desempenho de grandes lançamentos do ano anterior – a nova versão de Branca de Neve, por exemplo, passou longe desses números –, Projeto Hail Mary mostra fôlego para brigar no topo. A fotografia dedicada ao IMAX, a química de Gosling em tela e o roteiro que mistura ciência real e aventura dramática entregam o pacote completo.
Quem se interessar por respostas sobre o destino de Ryland Grace pode mergulhar no desfecho analisado em material especial do Salada de Cinema. No mais, a nota alta do público e o volume de bilheteria deixam claro: a viagem merece ser conferida na maior tela que você encontrar.



