As Amigas do Clube (De Eetclub, no título original) chegou à Netflix em setembro de 2026, em temporada única com sete episódios. A minissérie holandesa acompanha Karen, recém-chegada a Bergen, uma das cidades mais ricas do país, que finalmente consegue entrar no clube de jantares mais cobiçado da vizinhança.
Aviso de spoiler: um incêndio mata Evert, um dos integrantes do grupo, e a pergunta que domina os episódios seguintes não é bem quem fez isso. É o que cada convidado daquela mesa teria a perder se decidisse contar o que sabe.
O pacto de silêncio que sustenta o jantar

O clube funciona num rodízio simples: cada encontro acontece na casa de um casal diferente, e isso transforma toda reunião numa espécie de inspeção disfarçada de hospitalidade. Entrar na casa do outro, na prática, é entrar na vida do outro.
Depois da morte de Evert, essa intimidade vira um problema. A série constrói a tensão não em torno de um culpado escondido, mas do cálculo silencioso que cada personagem faz sobre o que pode revelar sem se expor demais no processo.
É esse cálculo coletivo — todo mundo protegendo um pedaço da própria vida — que sustenta os sete episódios sem precisar de perseguição ou tiro.
Um romance de 2007 que chegou à Netflix quase vinte anos depois
As Amigas do Clube é adaptação do romance De Eetclub, escrito pela holandesa Saskia Noort e publicado originalmente em 2007. O livro é anterior a boa parte das histórias recentes sobre amizades abastadas escondendo um crime, o que muda a posição da série dentro do gênero: ela não é uma resposta tardia a uma moda, é material que já existia antes dela se firmar.
Essa origem também explica por que a trama não precisa forçar reviravoltas a cada episódio. O foco do texto de Noort sempre esteve nas pequenas hipocrisias sociais, não no suspense mecânico, e a adaptação preserva esse ritmo mais lento e observacional.
A riqueza que finge não existir
Bergen é retratada como uma cidade de casas caras e jardins impecáveis, mas a cultura local não permite ostentação declarada. Na Holanda, mostrar dinheiro abertamente costuma ser malvisto, mesmo em bairros onde todo mundo sabe exatamente quanto vale a casa do vizinho.
Esse contraste — riqueza real, discrição obrigatória — dá um verniz específico ao silêncio do grupo. Não é só medo de expor um crime: é o hábito antigo de nunca comentar em voz alta o que todos já perceberam sozinhos.
Para quem funciona As Amigas do Clube
A série pede paciência com diálogo e olhar em vez de ação. Funciona melhor para quem gosta de tentar decifrar quem está mentindo numa cena de jantar, mais do que para quem busca um thriller de ritmo acelerado.
Com sete episódios e temporada fechada, As Amigas do Clube entrega um arco completo: começa com uma mulher tentando ser aceita e termina mostrando o preço de ter sido.



