Aldis Hodge aceitou pendurar as asas douradas de Adão Negro para vestir o distintivo do detetive Alex Cross, protagonista de Cross, aposta da Prime Video baseada nos livros de James Patterson. O ator, que se declara fã de quadrinhos, enxerga semelhanças entre o herói da DC e o investigador: ambos enfrentam forças que tentam oprimir inocentes e, cada um à sua maneira, buscam justiça.
Nesta entrevista recente, Hodge explicou que super-heróis nasceram como metáforas de resistência e que aplica a mesma lógica ao construir o novo personagem. Com isso, Cross sai do lugar-comum do procedural e se aproxima da energia de uma HQ, só que mais pé no chão e centrada em Washington, D.C.
Do mace de Nth Metal ao cold case: a evolução de Aldis Hodge
Quem acompanhou Hodge como o imponente Hawkman vai notar a mudança de registro. Se antes ele precisava demonstrar potência física em cenas aéreas, agora exibe controle emocional numa investigação que envolve serial killers. O ponto em comum, segundo o próprio ator, é o senso de propósito: ambos os personagens enfrentam vilões que ameaçam a ordem social e a liberdade de outros.
Para dar vida ao detetive e psicólogo forense, o intérprete conta que partiu da “honestidade” do personagem. Ele se perguntou quais são as vulnerabilidades, medos e desejos de Cross, mesma metodologia que aplicou em heróis anteriores. O resultado aparece em tela: o olhar perscrutador e a postura sempre alerta comunicam que o profissional está, o tempo todo, conectando pistas invisíveis.
Direção de Siebels e Stewart cria tensão permanente
Craig Siebels e Nzingha Stewart dividem a assinatura dos episódios iniciais, guiando a série por uma atmosfera de thriller psicológico. A câmera se mantém próxima ao rosto de Hodge, sublinhando cada microexpressão do protagonista, estratégia que amplia a sensação de claustrofobia e coloca o público dentro da mente do investigador.
No roteiro, Ben Watkins adapta o material de James Patterson com ritmo acelerado: crimes brutais se sobrepõem à vida doméstica de Alex, aproximando-se da estrutura que, em produções como Dark Winds, mantém o suspense em ebulição. A diferença aqui é a ênfase no trabalho psicológico, lembrando ao espectador que o protagonista decifra assassinos antes mesmo de chegar à cena do crime.
Elenco de apoio sustenta a urgência narrativa
Além de Aldis Hodge, Cross escala Isaiah Mustafa como o parceiro John Sampson, Juanita Jennings no papel de Regina Cross e Ryan Eggold como o enigmático Ed Ramsey. O grupo evita caricaturas, oferecendo camadas que vão da lealdade quase fraterna de Sampson ao mistério que cerca Ramsey. Essa riqueza garante longevidade e favorece reviravoltas ao longo dos oito episódios da temporada.
Imagem: Divulgação
Samantha Walkes, Melody Hurd e Caleb Elijah completam o núcleo familiar, responsável por humanizar o protagonista. O embate entre proteger a cidade e cuidar dos próprios filhos adiciona urgência emocional, reforçando a leitura de Hodge sobre o personagem como uma espécie de herói “cotidiano”. Vale lembrar que a temporada 2, já confirmada, continua a história semanalmente — detalhe explorado em nossa análise no Salada de Cinema sobre como Cross mantém a adrenalina ao avançar para novos episódios.
Quadrinhos como bússola temática e simbolismo de resistência
O ator confessa ser “viciado” em anime e graphic novels, fato que influencia sua composição de cena. Ele enxerga HQs como uma forma de lutar contra opressões de maneira simbólica — conceito que, aqui, ganha sólida tradução: Cross se transforma num vigilante sem máscara, porém guiado pela mesma chama de justiça dos super-heróis.
Essa leitura aproxima a série de outras produções que subvertem convenções de gênero, como a ácida trama de Maximum Pleasure Guaranteed, na Apple TV. Em ambas, o público encontra protagonistas que, embora humanos, operam em limites físicos e morais para enfrentar o mal. Tal convergência justifica a fala de Hodge: mais que um detetive, Alex Cross funciona como símbolo contra injustiças.
Vale a pena assistir Cross?
Para quem procura um drama criminal que valorize tanto o quebra-cabeça investigativo quanto a performance do elenco, Cross entrega. Aldis Hodge confirma versatilidade ao migrar do panteão da DC para as ruas de Washington, sem perder o pulso heroico. Dirigido com pulso firme por Siebels e Stewart e roteirizado por Watkins, o programa equilibra ação, tensão psicológica e conflitos familiares, criando um conjunto envolvente para maratonar na Prime Video.



