Todo grande cineasta, em algum momento, sente a necessidade de apontar a câmera para si mesmo. Federico Fellini o fez com 8½. Em Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades, é a vez de Alejandro González Iñárritu mergulhar em sua própria psique.
O resultado, disponível na Netflix, é uma jornada narrativamente caótica. Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades é uma obra que dividiu a crítica, um épico existencial que, como o próprio título sugere, talvez não esteja interessado na verdade, mas nas suas muitas e confusas versões.
Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades é a história de um homem que se perdeu entre dois mundos
A narrativa acompanha Silverio (Daniel Giménez Cacho). Ele é um aclamado documentarista mexicano que construiu uma carreira de sucesso em Los Angeles.
Após receber um prestigioso prêmio internacional, ele precisa retornar ao México. A viagem, no entanto, o joga em um estado de “bardo” – um limbo existencial onde as fronteiras entre sonho e realidade se dissolvem.
Ele caminha por uma Cidade do México surreal, às vezes inundada de água, às vezes coberta por corpos caídos. Nesta odisseia pessoal, Silverio confronta sua identidade de imigrante, o peso do sucesso, a história colonizada de seu país e suas falhas como pai e marido.
Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades é uma viagem de volta para casa que se transforma em uma viagem para dentro de si mesmo.
Um espetáculo visual em busca de uma alma
O filme é, sem dúvida, uma experiência visualmente arrebatadora. A fotografia de Darius Khondji, indicada ao Oscar, é de uma beleza que hipnotiza.
Cada cena é construída por Iñárritu com a grandiosidade de um sonho febril. No entanto, o diretor Alejandro González Iñárritu parece estar “muito longe de seus tempos áureos”.
Um Labirinto de símbolos vazios
O problema central dessa opção com nota 6,7 no IMDb, é sua autoindulgência. Iñárritu em Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades cria enigmas visuais que parecem mais significativos para ele do que para o público. A narrativa é fragmentada e se perde em sua própria ambição.
Apesar da performance entregue de Daniel Giménez Cacho, a jornada emocional do personagem se afoga em um mar de metáforas, resultando em um filme que impressiona os olhos, mas que raramente consegue tocar o coração.
A equipe por trás do labirinto de Iñárritu
O filme de 2022 é um projeto autoral do diretor vencedor do Oscar Alejandro G. Iñárritu (Birdman, O Regresso), que também co-escreveu o roteiro.

O elenco de Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades é liderado pelo ator mexicano Daniel Giménez Cacho. O time conta com Griselda Siciliani e Ximena Lamadrid. O que torna o filme uma recomendação complexa é seu estilo.
Para os devotos do diretor e do cinema de arte surrealista, pode ser uma experiência fascinante. Para outros, soará como um exercício de ego pretensioso e confuso.
Bardo é como um sonho incrivelmente bonito do qual você acorda sem ter certeza do que ele realmente significava. Vale ver na Netflix.
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