A saga de oito livros de Stephen King, A Torre Negra, foi uma aposta do autor, que trouxe para nossas telas uma mitologia que mistura faroeste, terror e fantasia. Em 2017, Hollywood tentou condensar esse universo em 95 minutos. O resultado, agora disponível na Netflix, é uma das adaptações mais frustrantes da história do cinema.
Com uma nota desoladora de 5.6 no IMDb, o filme não é uma celebração do livro, mas sim um estudo de caso sobre como a ambição pode ser esmagada pela pressa. A Torre Negra tinha absolutamente tudo para ser uma obra fascinante, principalmente pelo elenco presente no título.
A história de A Torre Negra
A narrativa segue Roland Deschain, o último Pistoleiro de um mundo que “seguiu adiante”. Ele está em uma busca eterna pela Torre Negra, o nexo místico que mantém todos os universos em equilíbrio. Seu único caminho até ela é caçar seu arqui-inimigo, o Homem de Preto, um feiticeiro poderoso que serve ao Rei Rubro.
A perseguição de Roland o traz para a nossa realidade, a “Pedra-Chave” da Terra. Lá, ele precisa proteger Jake Chambers, um garoto de Nova York com poderes psíquicos. O Homem de Preto quer usar o garoto para destruir a Torre, e Roland é a única coisa que fica em seu caminho.
O crime de colocar oito livros em 95 Minutos
A obra não falha por ser um filme ruim; falha por ser um filme covarde. O roteiro de Akiva Goldsman pega o épico de King e o transforma em um episódio piloto de TV.
A mitologia complexa é reduzida a diálogos expositivos apressados. A estranheza “weird-west” do livro, que é o seu charme, é substituída por sequências de ação genéricas.
A direção de Nikolaj Arcel é competente, mas anônima. Ela entrega o produto, mas falha em capturar a alma melancólica e a vastidão da busca de Roland. O filme tenta ser, ao mesmo tempo, uma introdução para novatos e uma sequência para fãs, e acaba não sendo nada para ninguém.
A equipe que merecia um roteiro melhor
A direção do longa é de Nikolaj Arcel. O roteiro é de Akiva Goldsman, Jeff Pinkner e Anders Thomas Jensen. O elenco é o que torna o fracasso tão doloroso, pois o potencial estava todo ali. Idris Elba (conhecido por Luther) interpreta Roland Deschain.

Ele tem a gravidade e o peso de um pistoleiro clássico; seu olhar carrega a exaustão de séculos de perseguição, mesmo quando o roteiro não lhe dá o que dizer.
Matthew McConaughey (vencedor do Oscar por Clube de Compras Dallas) diverte-se como o Homem de Preto. Ele não interpreta um personagem; ele desliza pela tela com um carisma maligno, um demônio de terno que parece estar em um filme diferente.
E Tom Taylor (Jake Chambers) cumpre seu papel como o garoto no centro do conflito. Com nota 5.6/10 no IMDb e míseros 16% no Rotten Tomatoes, o filme é a definição de uma oportunidade perdida. Assista como um estudo de caso de como não adaptar uma obra-prima.
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