Às vezes, o melhor filme não é o mais barulhento, mas o mais humano. É o caso de Os Rejeitados, a obra-prima de Alexander Payne que, após ser indicada a 5 Oscars em 2024, finalmente chegou à Netflix para aquecer nossos corações.
Esqueça os contos de fadas natalinos. Esta comédia dramática, com 2 horas e 11 minutos, é um antídoto para a alegria forçada da época. Os Rejeitados é uma história sobre três pessoas abandonadas, que encontram na solidão compartilhada uma família improvável. E é, sem dúvida, o melhor filme que chegou ao streaming este mês.
A história de Os Rejeitados
A narrativa nos transporta para o inverno de 1970, na prestigiosa e gélida Barton Academy. Com o feriado de Natal se aproximando, os alunos partem para casa, deixando para trás um internato quase deserto. Quase.
Um pequeno grupo de “rejeitados” é forçado a permanecer. Para supervisioná-los, fica o professor de história Paul Hunham, um homem universalmente detestado por sua rigidez e seu odor de peixe.
O grupo de alunos diminui, até que resta apenas um: Angus, um adolescente brilhante e rebelde. A eles se junta a cozinheira-chefe da escola, Mary, que lamenta a perda recente de seu filho no Vietnã. Forçados a conviver, o trio improvável embarca em uma jornada que mudará suas vidas.
A beleza da melancolia compartilhada
A genialidade de Os Rejeitados está no fato de que quase nada de extraordinário acontece. O roteiro de David Hemingson, indicado ao Oscar, encontra seu drama nos pequenos gestos: um copo de uísque compartilhado, uma conversa em um carro velho, a revelação silenciosa de uma dor antiga.
O diretor Alexander Payne filma o inverno de New England não como um cenário, mas como um estado de espírito. O frio lá fora espelha a solidão dos personagens. A obra é uma carta de amor ao cinema americano dos anos 70, na veia de Hal Ashby.
O humor é sutil, nascido do desconforto de pessoas que não sabem como se conectar. A obra argumenta que a cura não vem de grandes eventos, mas de encontrar alguém que entenda o seu silêncio.
O elenco e a produção
A direção é de Alexander Payne (Sideways, Nebraska), um mestre em encontrar a comédia na tragédia humana. E Os Rejeitados foi indicada a 5 Oscars, incluindo Melhor Filme.
O que eleva a obra, no entanto, é seu elenco. Paul Giamatti, no papel de Paul Hunham, não interpreta um professor ranzinza; ele habita um. A postura curvada, o olho de vidro, tudo constrói um homem que usa a erudição como uma armadura.
Da’Vine Joy Randolph, como a cozinheira Mary, merecidamente levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Ela comunica um oceano de luto com um simples suspiro.

E o estreante Dominic Sessa, como Angus, se mantém firme diante de dois gigantes. O que torna o filme imperdível é essa trindade de atuações.
É uma obra para quem aprecia um cinema adulto, que te faz rir com o canto da boca e, no final, te deixa com o coração um pouco mais cheio.
Os Rejeitados argumenta que a família não é um ponto de partida, mas um destino. E que, às vezes, é preciso ser um “rejeitado” para finalmente encontrar o seu lugar.
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