Quando Arrow estreou em 2012, poucas pessoas apostavam que a série daria origem a um universo inteiro de super-heróis na televisão. Ainda assim, o programa comandado por Stephen Amell não só cumpriu a missão como também desafiou expectativas sobre o que funcionaria em tela.
Entre todas as decisões criativas, a maior surpresa foi transformar o relacionamento entre Oliver Queen e Felicity Smoak no coração da história. Hoje, uma década depois, o intérprete do Arqueiro Verde explica por que essa “aposta” era o ingrediente que mantinha tudo em pé.
Arrow: a relação que mudou o rumo da série
Arrow foi a primeira produção do chamado Arrowverse, universo compartilhado que mais tarde incluiria The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow. Mesmo com orçamento inferior ao de filmes da DC, o seriado fincou os pés ao apresentar um herói sombrio, disposto a matar e guiado pelo sentimento de vingança.
Nesse cenário pesado, surgiu Felicity Smoak, hacker carismática vivida por Emily Bett Rickards. Espontânea, espirituosa e sempre com uma piada pronta, ela contrastava com o humor cerrado de Oliver. A química explodiu em cena, mas a equipe criativa sabia que levar os dois para um romance era arriscado; poderia romper a tonalidade “noir” que definia Arrow nas primeiras temporadas.
Segundo Stephen Amell, foi justamente essa fusão de luz e sombra que fez o público se manter fiel. Em entrevista à Entertainment Weekly, o ator dividiu os créditos com a colega de elenco: Emily era “talentosa demais” para que os roteiristas ignorassem a conexão inesperada. Para ele, sem a atriz, a série não teria encontrado equilíbrio.
Ainda que Olicity (sigla criada pelos fãs para Oliver + Felicity) não existisse nos quadrinhos, a dupla ganhou espaço na TV porque a versão de Oliver retratada em Arrow era muito mais sombria do que o Arqueiro Verde clássico. Nos gibis, o herói é leve, ativista e politicamente engajado, características que combinam com sua parceira tradicional, Laurel Lance. No seriado, porém, Laurel precisou esperar até a quarta temporada para assumir o manto de Canário Negro, e a personagem acabou perdendo holofote.
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Consequências para Laurel Lance no Arrowverse
A guinada em direção a Olicity abriu caminho para um romance considerado definitivo pelos roteiristas, mas deixou sequela: Laurel Lance tornou-se coadjuvante de luxo. Além de demorar a vestir o uniforme que os leitores conhecem, a advogada passou boa parte do tempo sendo enganada por amigos e familiares, o que acabou desagradando parte da audiência.
- Olicity consolidou-se como “casal fim de jogo” em Arrow.
- Laurel só virou Canário Negro no quarto ano da série.
- Fãs reclamaram da forma como a heroína foi tratada.
Mesmo com críticas, a estratégia rendeu frutos ao longo das oito temporadas. O romantismo inesperado humanizou Oliver e trouxe leveza suficiente para sustentar tramas sombrias sem alienar espectadores. Para Amell, essa é a prova de que, às vezes, o risco calculado é exatamente o que uma produção precisa para se distinguir em um mercado saturado de super-heróis.
Hoje, Arrow figura como um dos títulos mais influentes da TV recente, e a dinâmica entre Oliver e Felicity aparece em listas de melhores romances do gênero. No Salada de Cinema, a repercussão ainda é grande sempre que o assunto ressurge, mostrando que a fórmula improvável continua gerando conversas acaloradas.
Ainda há quem lamente o destino de Laurel, mas o consenso é que a combinação entre o Arqueiro taciturno e a hacker radiante foi o ponto de virada capaz de manter a série relevante até o capítulo final.
Ficha técnica
Série: Arrow
Estreia: 2012
Temporadas: 8
Criadores: Greg Berlanti, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg
Principais personagens: Oliver Queen (Stephen Amell), Felicity Smoak (Emily Bett Rickards), Laurel Lance (Katie Cassidy)
Universo: Arrowverse, The CW
Motivo do destaque: impacto do romance Olicity no sucesso da produção









