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O Supergirl que estreou nos cinemas em 2026 não é exatamente o filme que a roteirista Ana Nogueira havia escrito. Em entrevista à Rolling Stone, ela revelou que James Gunn e Peter Safran, à frente dos DC Studios, pediram mudanças significativas no roteiro — e algumas delas alteraram pilares da história.

A mais chamativa foi a entrada de Lobo. O personagem não estava no plano original, mas virou peça central da narrativa depois de um pedido direto de Gunn. E foi justamente a origem da HQ que abriu o caminho para encaixá-lo.

Como Lobo entrou no roteiro por uma porta inesperada

A HQ A Mulher do Amanhã, de Tom King, que serviu de base para o filme, foi inspirada em Bravura Indômita (2010). Ana Nogueira já tinha esse dado na cabeça — e ele se tornou a chave para resolver o problema criativo.

“Foi uma tarefa: ‘Queremos o Lobo no filme’. Então, esses foram os ‘brinquedinhos’ que me deram, e eu sabia que A Mulher do Amanhã era baseada em Bravura Indômita. Sendo assim, eu realmente voltei à fonte.”

Ana Nogueira, em entrevista à Rolling Stone (em tradução livre)

O raciocínio dela foi direto: em Bravura Indômita, o personagem interpretado por Matt Damon funciona como um terceiro ponto de entrada na história — aquele que o público ama odiar. Nogueira usou essa estrutura para moldar Lobo, vivido por Matthias Schoenaerts, como o equivalente no filme.

“Foi quando eu pensei: ‘É assim que o Lobo se encaixa’. Eu moldei isso como um faroeste, porque eu sabia que foi isso que inspirou o Tom [King].”

Ana Nogueira, em entrevista à Rolling Stone (em tradução livre)

Jason Momoa caracterizado como Lobo em Supergirl usando próteses de estatura
Momoa não treinou; próteses construíram o visual do vilão alienígena. (Reprodução / Warner Bros. Pictures)

As outras mudanças que Gunn pediu para alinhar o filme ao DCU

Além de Lobo, Gunn solicitou a remoção de referências que tornassem o Superman famoso no espaço — algo recorrente na HQ original. A lógica é simples: no DCU, esse Superman ainda é novo e não acumulou fama galáctica. O espaço, portanto, é território de Kara, não dele.

“Este Superman é novo. Ele não está por aí salvando mundos e planetas. Então, ele não é conhecido lá fora. Esse é o domínio dela.”

Ana Nogueira, em entrevista à Rolling Stone (em tradução livre)

A origem de Kara Zor-El, vivida por Milly Alcock, também foi reescrita. Na HQ, ela nasce em Krypton e migra para Argo City. No filme, ela já nasce diretamente em Argo — uma mudança que pode parecer pequena, mas simplifica a premissa e evita perguntas que tirariam o foco da jornada principal.

Nogueira também explicou por que a Zona Fantasma, presente na HQ, ficou de fora: o elemento dominava o roteiro de um jeito que desorientava a narrativa, gerando dúvidas sobre onde Kara estava e o que havia acontecido com ela.

O que as escolhas de bastidor revelam sobre o Supergirl do DCU

As intervenções de Gunn não parecem aleatórias. Cada pedido — a inclusão de Lobo, a contenção da fama do Superman, a origem simplificada de Kara — aponta para um filme que precisava funcionar como ponto de entrada no universo, sem exigir conhecimento prévio de décadas de quadrinhos.

Dirigido por Craig Gillespie, o longa acompanha Kara em uma missão cósmica para salvar Krypto, seu cachorro de estimação. Com Ana Nogueira também escrevendo o reboot de Mulher-Maravilha para os DC Studios, o processo criativo de Supergirl já dá pistas de como Gunn costuma intervir nos projetos do novo universo DC.

Fonte e Informações complementares: Rolling Stone, O Vício.

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Toni Morais Ferreira editor do Salada de Cinema, cobre cinemas, séries e streaming desde 2021. Especializado em análise de séries de plataformas como Netflix, Prime Video e Paramount+, acompanha estreias, finais e bastidores com foco em cobertura aprofundada para o público brasileiro. Já analisou produções de mais de 30 países e escreve críticas, finais explicados e coberturas semanais de séries em alta.

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