A franquia Harry Potter continua viva na memória dos fãs — e também no coração do elenco original. Quem prova isso é Tom Felton, eterno Draco Malfoy, que relembrou as filmagens no podcast Happy Sad Confused. Questionado sobre qual dos oito longas mais o impactou, o ator surpreendeu: até hoje só assistiu cada produção uma vez.
Mesmo assim, o britânico guarda lembranças afiadas. Ele aponta Harry Potter e a Câmara Secreta (2002) como o título mais “divertido” e elege Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009) como o mais “recompensador” em termos de atuação. A seguir, o Salada de Cinema destrincha as razões desse favoritismo — sempre a partir dos relatos de Felton.
Crescimento de Draco Malfoy diante das câmeras
Entre 2001 e 2011, a saga faturou US$ 7,7 bilhões e consolidou nomes como Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. No meio desse trio de heróis, o jovem Felton precisava dar vida ao antagonista que os fãs adoram odiar. Com apenas 14 anos em A Câmara Secreta, ele já dominava o ar de superioridade que marca Draco.
Felton relembra que, ao chegar ao segundo filme, o elenco mirim entendia melhor seus papéis. Isso permitiu nuances maiores nas cenas de quadribol e nos confrontos verbais com Harry. A segurança recém-adquirida se deve, segundo ele, ao treinamento contínuo no set e à convivência com veteranos como Alan Rickman.
Atração por A Câmara Secreta
Para o intérprete de Draco, o fator “diversão” pesou. A presença do basilisco gigante, dos duelos de varinha e da poção polissuco fez as gravações parecerem, nas palavras dele, “um parque de diversões cinematográfico”. O ator também valoriza o espaço que o roteiro deu ao seu personagem, apontado como possível Herdeiro de Slytherin.
Nesse contexto, Felton pôde explorar tiques e olhares de desprezo que definiram a personalidade de Draco. Ao mesmo tempo, assumir a posição de apanhador da Sonserina o colocou em sequências de ação que exigiam físico, timing cômico e expressividade facial — aprendizado crucial para um adolescente em início de carreira.
O desafio dramático de O Enigma do Príncipe
Se o segundo longa foi pura adrenalina juvenil, o sexto representou um salto dramático. Obrigado por Voldemort a matar Alvo Dumbledore, Draco enfrenta culpa e medo, e Felton mergulhou em expressões contidas, respirações curtas e silêncios que dizem mais do que diálogos extensos. Ele descreve a experiência como “recompensadora” porque exigiu entender “o que é atuar de verdade”.
Imagem: Divulgação
O resultado é visível na tela: a cena em que o personagem abaixa a varinha, incapaz de assassinar o diretor, é conduzida com hesitação palpável. A mão trêmula, o olhar úmido e a postura curvada mostram o peso que recai sobre o adolescente. Para Felton, essa sequência virou um divisor de águas, algo equivalente a um laboratório intensivo de interpretação.
Legado de Felton e novos voos no teatro
A admiração pela própria trajetória não impede o ator de olhar para a frente. Ele voltará a ser Malfoy na montagem da Broadway de Harry Potter and the Cursed Child, demonstrando carinho permanente pelo papel que o projetou. Além disso, ofereceu conselhos ao futuro Draco da série da HBO, ainda sem nome divulgado.
Em entrevista, Felton reforçou que Rickman foi referência de comprometimento no set. A lembrança do colega ressoa sempre que ele interpreta personagens de moral dúbia. Comentários parecidos surgem quando outros astros revivem franquias de sucesso; basta ver como Scream 7 celebra marcas financeiras ao mesmo tempo em que discute o peso de seus ícones.
Vale a pena rever a saga?
Os relatos de Tom Felton dão um motivo extra para revisitar Harry Potter: observar a evolução do elenco ao longo dos anos. A Câmara Secreta oferece energia juvenil e cenas cheias de efeitos práticos, enquanto O Enigma do Príncipe traz complexidade emocional rara em blockbusters. Dois recortes distintos, mas complementares, de uma série que continua encantando novas gerações.









