O episódio de estreia da segunda temporada de Demolidor: Renascido (Daredevil: Born Again) chegou ao Disney+ marcando a abertura de um novo round entre Matt Murdock e o agora prefeito Wilson Fisk. Logo nos primeiros minutos, o capítulo despeja detalhes que fazem brilhar os olhos de quem acompanha o herói desde a fase Netflix.
Cercado por participações especiais, acenos a tramas passadas e pistas para o futuro do MCU, o roteiro encontrou jeito de revisitar treze anos de história do personagem sem perder o ritmo. Abaixo, o Salada de Cinema destrincha o impacto dessas escolhas criativas, as atuações e, claro, lista os easter eggs mais saborosos.
Um panorama do retorno do Homem Sem Medo
Ambientado em uma Nova York que tenta se reerguer sob o slogan “New York: Born Again”, o episódio coloca o público no meio da campanha “ruas mais seguras” de Fisk. O cenário serve de estopim para reavivar velhas feridas entre o herói e o vilão, mantendo a atmosfera urbana sombria que sempre definiu o Demolidor.
A fotografia escura, contrastada pelo vermelho dos letreiros e dos cartazes de campanha, reforça o tom quase noir da produção. Essa estética dialoga com fãs de séries investigativas que valorizam a ambientação como motor dramático, algo que também pode ser visto em produções lembradas na lista de mistérios mais envolventes que Sherlock.
Direção e roteiro: conduzindo a nostalgia com firmeza
Sob a supervisão do showrunner Dario Scardapane, os diretores Aaron Moorhead e Justin Benson equilibram ação e construção de universo. Os roteiristas Jesse Wigutow e Jill Blankenship apostam na justaposição entre o passado Netflix e a fase MCU, trazendo referências sem transformar a narrativa em simples fan service.
A escolha de colocar dez easter eggs num único episódio só funciona porque o texto amarra cada citação a uma função dramática: ou empurra a trama principal adiante ou ateia lenha nas disputas de poder que seguirão nos próximos capítulos.
Elenco afiado: destaques de Cox, D’Onofrio e companhia
Charlie Cox exibe segurança absoluta ao interpretar um Matt Murdock exausto, mas obstinado. O treinamento do personagem, aliado à fala sobre o “sensei borderline psicótico”, sublinha o peso de anos de luta nas ruas.
Imagem: Divulgação
Do outro lado, Vincent D’Onofrio entrega um Fisk calculista, agora vestido de político. A calma aparentemente cordial contrasta com a violência exercida pela Força-Tarefa Anti-Vigilante, intensificando a tensão entre as cenas.
Mesmo em participações curtas, Deborah Ann Woll (Karen) e Wilson Bethel (Mercenário) aproveitam cada segundo de tela, preparando terreno para conflitos vindouros. Essa eficiência de elenco lembra a força de castings elogiados em produções como The Madison, onde cada ator é peça-chave.
Os 10 principais easter eggs e referências
A seguir, o ranking organizado na ordem em que cada detalhe aparece no episódio.
- “New York: Born Again” – Os cartazes espalhados pela cidade ecoam o arco clássico dos quadrinhos e o plano de Fisk para “renascer” a metrópole via políticas anti-vigilantes.
- Logotipo duplo “DD” – Pela primeira vez no MCU, o traje exibe as duas letras entrelaçadas, pintadas de vermelho sobre a antiga armadura preta, marcando um marco visual após 13 anos.
- “Dá uma ligada pra ela” – Matt pede a Karen que consulte uma “ela” sobre o navio Northern Star. A pista aponta para Jessica Jones, cuja experiência como detetive pode ajudar na investigação.
- Favor no Metro-General – Karen sugere recorrer a um contato no hospital para costurar Matt, referência direta a Claire Temple, a Enfermeira Noturna que socorria vigilantes na era Netflix.
- Valentina Allegra de Fontaine – Um telefonema confirma que o misterioso Sr. Charles age com aval da poderosa diretora da CIA, conectando a série ao núcleo de Thunderbolts* nos cinemas.
- Codinome “Red Kitchen” – Na tela do celular de Cherry, o nome utilizado para falar com Matt combina a tradicional cor do herói com Hell’s Kitchen, bairro onde ele iniciou a carreira.
- Uniformes da AVTF com caveira do Justiceiro – Os novos coletes da Força-Tarefa exibem a marca de Frank Castle, lembrando o legado distorcido do anti-herói entre os homens de Fisk.
- BB Urich e a sombra de Ben – A jovem jornalista quer derrubar o prefeito por ter assassinado o tio, retomando a trama que culminou na morte de Ben Urich na primeira temporada da série Netflix.
- Menção ao sensei Stick – Matt credita sua técnica a anos de treino com um mentor “quase psicótico”, reforçando a importância de Stick e da luta contra o Tentáculo em sua formação.
- Entrada salvadora do Mercenário – No clímax, disparos precisos eliminam agentes da AVTF e um punhal gravado com “You’re Welcome” cai diante de Matt, confirmando o retorno de Bullseye.
Vale a pena acompanhar a nova temporada?
Com direção segura, elenco afiado e um roteiro que valoriza tanto novatos quanto veteranos, o primeiro episódio de Demolidor: Renascido prova que há espaço para ação intensa e fan service bem dosado. Se manter o ritmo e continuar distribuindo referências significativas, a série tem tudo para se consolidar como uma das apostas mais interessantes do MCU no streaming.









