Quando duas assaltantes pouco experientes decidem roubar uma casa isolada no interior do estado de Nova York, o plano dá tão errado que lembra Esqueceram de Mim – só que com cinto lombar e muito menos glamour. Essa é a premissa de Drag, longa dirigido pelos estreantes Raviv Ullman e Greg Yagolnitzer e produzido por Danny DeVito.
Estreado mundialmente no SXSW em 13 de março, o filme conquistou críticos graças ao humor físico impiedoso, às atuações sem vaidade e à agilidade de uma história que nasceu, ironicamente, de uma crise de dor nas costas dos próprios roteiristas.
Premissa e direção em Drag
Drag acompanha duas irmãs anônimas que invadem um casarão na zona rural para um roubo aparentemente simples. Tudo degringola quando a personagem de Lizzy Caplan “trava” as costas logo nos primeiros minutos e passa a depender da irmã, vivida por Lucy DeVito, para sair dali antes que o dono retorne.
A sinopse lembra inevitavelmente a maratona de armadilhas infantis de Esqueceram de Mim, comparação que a própria Caplan fez nos bastidores: “É como Esqueceram de Mim com duas garotas”. A diferença está no tom: Ullman e Yagolnitzer equilibram pancadaria cartunesca com momentos de tensão real, apostando em close-ups claustrofóbicos e num ritmo que nunca deixa o espectador respirar.
Elenco entrega comédia física sem vaidade
Caplan abraça o desconforto do papel com dedicação “sem espelho”. Cotovelos ralados, expressões contorcidas e até golpadas desajeitadas contra John Stamos – intérprete do proprietário que surge como surpresa – garantem o riso nervoso. A atriz celebrizou a oportunidade de viver uma personagem “que geralmente não deixam as mulheres fazerem”.
Lucy DeVito, além de protagonista, divide a produção com o pai, Danny, e o irmão, Jake. Sua química com Caplan funciona porque as duas esposam dinâmica de irmandade irritadiça: piadas internas, afagos involuntários e uma rivalidade afetuosa que mantém o público investido. Christine Ko, vista em The Handmaid’s Tale, acrescenta fisicalidade extra, contando com truques de VFX que, segundo ela, tornaram as noites de gravação mais seguras e divertidas.
Stamos, veterano de sitcom, brinca com a própria persona “segura” para subverter expectativas. O ator reconhece que o público “se sente em casa” com seu rosto conhecido, o que só torna o choque maior quando a narrativa troca o tapete sob seus pés.
Imagem: Divulgação
Visual e ritmo reforçam tensão cômica
Filmado em apenas 21 dias, Drag tira proveito de storyboards detalhados e de rigs criados pelo diretor de fotografia Ben Goodman para ângulos inusitados dentro de um único cenário. A câmera segue as personagens em trajetórias tortas pelos corredores, destacando a progressão da dor nas costas como obstáculo quase vivo.
O resultado é uma coreografia de tropeços, escorregões e empurrões que faz rir e contorcer ao mesmo tempo. Quem gostou do terror de casa mal-assombrada Imposters, onde Jessica Rothe brilha num espaço igualmente limitado, encontrará em Drag outra aula de movimentação cênica condensada.
Recepção no SXSW e próximos passos
Drag saiu do festival texano com elogios unânimes. Jornalistas classificaram o filme entre as melhores surpresas da edição, endossando a confiança de Danny DeVito na dupla de diretores estreantes. O próprio produtor descreveu o roteiro como “uma beleza que provoca cringe logo na primeira leitura”.
Apesar da acolhida calorosa, o longa ainda aguarda data de estreia mundial. A expectativa é que a combinação de risadas e adrenalina encontre público amplo, assim como obras que misturam violência e humor, caso da sequência Ready or Not 2: Lá Vou Eu – tema recente no Salada de Cinema e cuja reunião de Elijah Wood com Shawn Hatosy você confere neste link.
Vale a pena assistir?
Drag entrega noventa minutos de caos controlado, sustentado por atuações que não temem o ridículo e por uma direção segura de tom logo na primeira investida de Ullman e Yagolnitzer. Com aprovação crítica no SXSW e o selo de confiança de Danny DeVito, o filme tem tudo para atrair quem procura uma aventura tensa, porém recheada de humor físico, sem perder ritmo nem personalidade.



