Desde que desembarcou no Brasil em 2019, o Disney+ se apresenta como um baú sem fundo de produções da Disney, Marvel, Star Wars, Pixar e companhia. Agora, o serviço parte para um passo curioso: colocar todo esse acervo de mais de cem anos para rodar na tela do celular na vertical.
Batizado de “Verts”, o formato chega nesta semana com a proposta de clipes curtos que o usuário pode percorrer com o mesmo gesto que já faz em TikTok ou Instagram. A plataforma descreve a novidade como “a primeira cena do primeiro episódio de uma série de várias temporadas” — um jeito pomposo de dizer que o objetivo é fisgar o espectador em poucos segundos.
O que é o Verts e como funciona
Disponível inicialmente apenas no aplicativo móvel, o Verts aparece como um novo ícone na barra de navegação. Ao tocá-lo, o assinante desliza sem parar por cenas recortadas de filmes, animações e programas clássicos do estúdio. Tudo adaptado para o formato 9:16, o mesmo que domina as redes de vídeo rápido.
Para decidir o que entregar primeiro, o Disney+ desenvolveu um “algoritmo avançado de recomendação”, segundo comunicado interno. Em vez de vídeos gerados aleatoriamente, a promessa é mostrar clipes alinhados ao histórico de cada perfil, algo que a Netflix já faz em suas prévias automáticas — mas, aqui, comprimido em poucos segundos.
Catálogo centenário vira matéria-prima
Quem pensa que só as produções recentes receberão tratamento vertical se engana. A empresa confirma que os primeiros Verts foram recortados de todo o catálogo, passando por Mickey em preto-e-branco, animações da era renascentista dos anos 1990 e, claro, sucessos da Marvel. Esse recorte across the board garante material de sobra para testar o apetite do público.
A estratégia também serve como vitrine de franquias adormecidas. Basta um clipe intrigante para estimular a maratona completa do título, ajudando a plataforma a manter engajamento. Não é coincidência ver o Disney+ reforçar marcas queridinhas, prática semelhante à de franquias que voltam aos holofotes, como no recente teaser adulto de Avatar: A Lenda de Aang já destacado pelo Salada de Cinema.
Criadores de conteúdo no radar
Por enquanto, apenas cenas oficiais fazem parte da experiência, mas o Disney+ admite expandir o espaço para criadores que celebrem seus universos. Youtubers e tiktokers que costumam comentar parques, bastidores de Star Wars ou teorizar sobre princesas podem ganhar vitrine oficial no futuro.
A medida pode ampliar o alcance do streaming junto aos 130 milhões de assinantes, capitalizando a paixão de fãs que já produzem conteúdos por conta própria. Caso se confirme, a inclusão de formatos como microdramas ou vlogs tematizados reforçará a briga direta com plataformas sociais.
Imagem: Divulgação
Integração com novas tecnologias
A trajetória do Verts começou a ser desenhada em janeiro, na CES, feira de tecnologia onde o estúdio anunciou a intenção de apostar em vídeos verticais. Na mesma apresentação, a empresa revelou conversas com a OpenAI para usar o gerador de vídeo Sora em produções futuras — material que chegaria “curado” ao catálogo, ainda sem data.
Em paralelo, o Disney+ já testa séries originais pensadas desde o início para o formato 9:16. O primeiro experimento é Locker Diaries: Zombies, composto por 11 episódios lançados sempre aos sábados até meados de abril. Todos também aparecem em TikTok e YouTube, demonstrando a estratégia de espalhar conteúdo onde o público já está.
Esse investimento em formatos alternativos ecoa movimentos de outros estúdios. A Netflix, por exemplo, acaba de confirmar a sequência de KPop Demon Hunters mantendo a dupla de diretores, sinal de que experiências de narrativa compacta ganham terreno no streaming.
Vale a pena experimentar o Verts?
Para quem costuma consumir clipes rápidos no celular, o Verts chega como complemento prático ao catálogo tradicional do Disney+. A função não substitui filmes ou séries completas, mas facilita aquela espiada rápida em cenas icônicas, ajuda a descobrir produções esquecidas e pode servir de porta de entrada para maratonas posteriores.
Com a promessa de agregar criadores e novas tecnologias, o formato ainda está em evolução. Por ora, vale explorar o feed, testar as recomendações do algoritmo e observar como o Disney+ pretende equilibrar nostalgia e inovação na guerra cada vez mais acirrada pelo nosso tempo de tela.









