Um brinquedo aparentemente inofensivo, um desejo atendido e o preço alto demais a se pagar. Esse é o ponto de partida de Obsessão (Obsession), produção da Blumhouse que acaba de ganhar um trailer sinistro e vem colecionando elogios desde sua exibição no Festival de Toronto.
Com estreia marcada para 15 de maio de 2026, o longa de 108 minutos reúne romance doentio, humor retorcido e doses generosas de sangue. A prévia destaca performances intensas de Michael Johnston e Inde Navarrette, além da direção segura de Curry Barker em sua primeira incursão em território mainstream.
Elenco mergulha em paranoia e entrega química desconfortável
Michael Johnston, lembrado por Teen Wolf, interpreta Bear, jovem tímido que encontra na colega Nikki (Inde Navarrette, de Superman & Lois) a idealização perfeita do amor. O trailer já deixa claro: Johnston abraça a vulnerabilidade do protagonista, transita entre a excitação adolescente e o terror de perceber que conquistou o afeto errado.
Navarrette, por sua vez, domina cada aparição com um olhar vidrado e falas que misturam doçura e ameaça. A cena em que ela repete “eu te amo” de forma obsessiva, coberta de sangue, é forte candidata a se tornar o cartão-postal do filme. Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter completam o elenco, mas a prévia deixa evidente que o eixo dramático pertence ao casal principal.
Direção de Curry Barker equilibra horror e humor ácido
Curry Barker, conhecido pelos curtas independentes Milk & Serial, assina roteiro e direção. No trailer, salta aos olhos a maneira como ele alterna ritmo: começa com leveza adolescente, introduz o elemento fantástico do brinquedo One Wish Willow e, pouco a pouco, mergulha em paranoia claustrofóbica.
Barker parece interessado em comentar a idealização amorosa e seus limites, mas sem perder o tom de entretenimento. As cenas de humor negro lembram a verve satírica vista em produções indie recentes — algo que dialoga, por exemplo, com a insanidade gastronômica presente nas primeiras imagens de Chili Finger, estrelado por John Goodman reveladas recentemente. Esse contraste entre riso nervoso e susto brutal é um dos pontos que vêm rendendo ao filme 97% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Roteiro brinca com desejos e consequências irreversíveis
No centro da trama está o One Wish Willow, brinquedo que promete realizar um único e grande desejo. Bear, inseguro, deseja que Nikki o ame “mais do que qualquer coisa no mundo”. O roteiro de Barker mostra que, ao ter seu pedido satisfeito, o personagem aciona uma maldição impossível de anular — e o trailer deixa claro: a central de atendimento do brinquedo simplesmente nega qualquer devolução.
A construção dramática sugere que o filme irá explorar a obsessão como entidade monstruosa. Cada nova sequência da prévia — gritos, risadas fora de contexto, poças de sangue — reforça a sensação de inevitabilidade. O texto ainda reserva momentos de metalinguagem, ao permitir que Bear questione em voz alta se Nikki ficará assim “para sempre, enquanto você viver”.
Imagem: Divulgação
Estreia antecipada e recepção calorosa em festivais
Antes de chegar ao grande público, Obsessão passou pelo Festival de Toronto em setembro e terá sessão no SXSW Film & TV Festival. O boca a boca foi imediato: críticos destacam a originalidade da premissa e o timing cômico preciso, elementos cada vez mais valorizados no terror contemporâneo.
Distribuído pela Focus Features, o longa ganha fôlego extra com a chancela de produtores como James Harris, Haley Nicole Johnson e Christian Mercuri. A Blumhouse reforça seu portfólio de sucessos ao apostar em um novato que, a julgar pela recepção inicial, domina a linguagem do horror pop. Para o público brasileiro do Salada de Cinema, fica a expectativa de conferir esse fenômeno de festival ainda no primeiro semestre de 2026.
Vale a pena assistir?
Se o trailer reflete o resultado final, Obsessão promete atuações intensas, ritmo ágil e um estudo perturbador sobre amor possessivo. Johnston entrega um protagonista que evolui da timidez à angústia absoluta, enquanto Navarrette assume o posto de antagonista magnética, capaz de provocar riso nervoso e genuíno medo.
Some-se a isso a direção de Barker, que equilibra violência gráfica e humor sinistro sem perder a mão, criando cenas memoráveis — como o close em Nikki coberta de sangue, rindo de forma inquietante. A pontuação elevada no Rotten Tomatoes sinaliza que o longa deve agradar tanto a quem busca sustos quanto a quem aprecia uma boa sátira das relações tóxicas.
Para fãs do cinema de terror contemporâneo, Obsessão parece uma aposta certeira de 2026, ocupando o mesmo terreno de produções que brincam com expectativas do público e deixam um gosto amargo após a sessão. Resta aguardar maio chegar e descobrir se esse desejo — o de ver um terror inventivo — também virá acompanhado de consequências irreversíveis.



