Billie Eilish, vencedora de dez Grammys, está muito perto de trocar os palcos do pop por um set de filmagem. A cantora negocia protagonizar A Redoma de Vidro (The Bell Jar), adaptação do romance de Sylvia Plath que será escrita e dirigida por Sarah Polley.
O movimento marca o primeiro passo da artista em um longa-metragem após a elogiada aparição na série Swarm. Caso o acordo se confirme, o público vai acompanhar o encontro de um talento musical em ascensão no audiovisual com uma cineasta que já venceu o Oscar de roteiro.
Billie Eilish troca os palcos pelo set
A cantora de Ocean Eyes chamou atenção como a enigmática Eva em Swarm, participação que lhe rendeu o prêmio de Performance de TV do Ano no People’s Choice Awards. A segurança diante das câmeras, mesmo em uma única participação, deixou claro que Eilish pode expandir sua presença além da música.
Em A Redoma de Vidro, ela negocia viver Esther Greenwood, universitária que ganha um estágio em Nova York e passa a lidar com questões de saúde mental que impactam radicalmente seu futuro. O papel exige nuances dramáticas profundas, algo que a rápida, mas intensa, performance em Swarm já insinuava ser possível.
A eventual escalação também garante visibilidade imediata ao projeto, porque a artista tem forte apelo com o público jovem e ampla presença nas redes sociais. Esse fator costuma impulsionar campanhas de divulgação, como ocorreu com projetos pop de suspense clássico, estilo que (ainda que em outro tom) Pânico 7 busca resgatar, segundo análise do Salada de Cinema.
Direção e roteiro sob comando de Sarah Polley
Sarah Polley assumirá tanto a escrita quanto a direção da nova adaptação. A cineasta consolidou-se em Hollywood após vencer o Oscar de Melhor Roteiro por Entre Mulheres (Women Talking), drama que equilibra diálogo intenso e construção delicada de personagens.
Ao levar A Redoma de Vidro para o cinema, Polley enfrentará o desafio de traduzir a prosa confessional de Plath e, ao mesmo tempo, atualizar temas de saúde mental para o público atual. O histórico da diretora em obras de forte densidade emocional indica que o longa deve investir em performances intimistas, dando espaço para que Eilish explore camadas de vulnerabilidade.
No time de produção, Joy Gorman Wettels ficará responsável pela logística. Ela tem experiência em narrativas centradas em jovens adultos, o que pode garantir fidelidade ao espírito do livro lançado em 1963.
Histórico de adaptações de A Redoma de Vidro
O romance de Sylvia Plath, único publicado pela autora, já chegou aos cinemas em 1979. Na ocasião, Marilyn Hassett interpretou Esther, mas a recepção crítica foi desastrosa: o longa coleciona 0% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Imagem: Divulgação
Desde então, o título atraiu tentativas frustradas de refilmagem. Em 2007, Julia Stiles esteve ligada ao projeto; quase dez anos depois, Dakota Fanning foi anunciada como protagonista, com Kirsten Dunst na direção. Nenhuma das versões saiu do papel. Até mesmo uma série para a Showtime ficou pelo caminho.
Agora, a Focus Features aposta em uma leitura contemporânea e, principalmente, em um novo rosto para a personagem principal. A combinação entre uma diretora premiada e uma artista de grande alcance midiático cria um contexto inédito para que a obra finalmente encontre aprovação crítica e comercial.
Expectativas para o elenco e impacto na carreira de Eilish
A negociação para A Redoma de Vidro não prevê, por enquanto, participação de Eilish na trilha sonora. Trata-se, portanto, de um compromisso estritamente dramático, diferente de parcerias anteriores em que a cantora contribuiu com músicas para 007 – Sem Tempo para Morrer e Barbie.
Mesmo estreante em longas, ela já transita com naturalidade em diferentes formatos audiovisuais: apresentou o Saturday Night Live, participou de Sesame Street, estrelou o documentário Billie Eilish: The World’s a Little Blurry e um show filmado no Disney+. A agenda segue cheia: em 8 de maio chega aos cinemas o registro em 3D da turnê Hit Me Hard and Soft, dirigido por James Cameron.
Para o longa de Polley, ainda não foram divulgados nomes que dividirão cena com a protagonista. A escolha de coadjuvantes será crucial, já que a narrativa depende do contraste entre Esther e figuras que representam o cotidiano novaiorquino dos anos 1960.
Do ponto de vista de carreira, o filme pode reposicionar Eilish como atriz dramática, ampliando possibilidades futuras semelhante ao que outros músicos fizeram em Hollywood. A presença no elenco também tende a atrair espectadores que, normalmente, não se interessariam por uma adaptação literária de época.
Vale a pena ficar de olho?
A Redoma de Vidro reúne elementos que despertam curiosidade: um texto literário de peso, uma diretora premiada e uma estrela da música ansiosa por novos desafios diante das câmeras. Embora a produção ainda esteja nas primeiras etapas, cada avanço tem o potencial de transformar o projeto em um dos lançamentos mais comentados quando ganhar data de estreia.









