Ryan Gosling volta ao espaço — e, desta vez, aterrissa diretamente no panteão dos filmes mais elogiados de sua carreira. Projeto Hail Mary (Project Hail Mary) chegou aos primeiros 65 veredictos da imprensa com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, superando o antigo recorde pessoal do ator mantido por Drive desde 2011.
Baseado no romance homônimo de Andy Weir, mesmo autor de Perdido em Marte, o longa de ficção científica põe Gosling na pele de Ryland Grace, astronauta amnésico enviado numa missão solitária para salvar o Sol de um microrganismo letal. O desafio, já grandioso, torna-se mais instigante quando ele estabelece laços com o alienígena Rocky, alvo de comentários entusiasmados de quem já assistiu às sessões antecipadas.
Uma adaptação que respeita a alma do livro
Transpor 496 páginas para 156 minutos de película poderia gerar cortes dolorosos, mas a dupla de diretores Phil Lord e Christopher Miller optou por manter a espinha dorsal da narrativa intacta. O filme apresenta, com ritmo surpreendentemente fluido, os dilemas científicos, as piadas intrínsecas ao texto de Weir e o senso de urgência que move cada virada de página.
O roteiro, assinado por Drew Goddard em colaboração com o próprio autor, condensa equações astrofísicas e diálogos existenciais sem sacrificar o entendimento do público. A jornada de Ryland Grace preserva momentos de descoberta intelectual e, principalmente, a relação emocional que sustenta o livro: a amizade improvável entre humano e alien.
Ryan Gosling carrega o coração do longa
Se Drive destacou o ator pelo minimalismo, Projeto Hail Mary comprova seu alcance dramático. A crítica norte-americana classificou a performance como “o melhor trabalho de Gosling até hoje”, elogiando a capacidade de equilibrar humor, desespero e carisma. Em tela quase o tempo todo, ele precisa reagir a cenários virtuais e à voz de Rocky, demonstrando convicção mesmo quando contracena, literalmente, com o vazio.
Gregory Nussen, em análise que rendeu 9 de 10 estrelas, ressaltou a “poesia coesa” da atuação, pontuando que o magnetismo do ator reforça a mensagem de que conexão humana — ou interplanetária — é essencial para a vida. O resultado já posiciona Gosling como forte candidato a prêmios, lembrando que o Salada de Cinema acompanhou trajetória parecida de Perdido em Marte, indicado a sete estatuetas em 2016.
Phil Lord e Christopher Miller trocam a animação pelo épico espacial
Conhecidos por Homem-Aranha no Aranhaverso, Lord e Miller aplicam aqui a mesma ousadia visual, mas em live-action. Câmeras flutuam pelos corredores da nave, alternando cenas claustrofóbicas com vastas sequências no vácuo, sempre guiadas por uma fotografia que destaca contraste entre a solidão do espaço e a improvável ternura do protagonista.
O orçamento superior a 200 milhões de dólares fica evidente em efeitos especiais impecáveis, principalmente na renderização de Rocky. Ainda assim, são escolhas de mise-en-scène simples — como close-ups prolongados durante os registros em diário de bordo — que potencializam a carga dramática. Essa costura, segundo comentários iniciais, evita a fadiga comum a narrativas espaciais longas.

Imagem: Divulgação
No âmbito da recepção, a dupla já exibe maturidade para lidar com pressões do mercado, cenário que lembra o debate recente sobre liberdade criativa travado por Quentin Tarantino em relação a Pulp Fiction, citado em entrevista repercutida pelo site. Aqui, Lord e Miller provam que é possível equilibrar identidade autoral e ambições de blockbuster.
Recorde no Rotten Tomatoes e projeções de bilheteria
Com 95% de aprovação, Projeto Hail Mary deixa para trás a nota de 93% de Drive, marca que perdurou 15 anos. O feito também ultrapassa os 91% de Perdido em Marte, consolidando Andy Weir como fonte valiosa de roteiros cinematográficos. A audiência ainda não avaliou o longa, mas a imprensa já o classifica como uma das melhores ficções científicas recentes.
Os especialistas de mercado estimam abertura doméstica entre 60 e 70 milhões de dólares, cifra crucial para um filme que custou quase o dobro de seu “irmão” de 2015. Caso o boca a boca acompanhe o entusiasmo da crítica, Gosling poderá se redimir do desempenho modesto de The Fall Guy e, quem sabe, disputar novamente espaço na temporada de premiações.
O elenco de apoio, liderado pela alemã Sandra Hüller, contribui com participações cirúrgicas que não desviam o foco do protagonista. Ken Leung e Milana Vayntrub surgem em cenas pontuais na Terra, enquanto Lionel Boyce encarna um engenheiro cujo humor suaviza a tensão constante. A sinergia entre esses nomes reforça a estratégia de Lord e Miller de manter a narrativa concentrada em Grace e Rocky.
Vale a pena assistir Projeto Hail Mary?
Para quem busca uma ficção científica capaz de mesclar emoção genuína, reflexão científica e visual de ponta, Projeto Hail Mary desponta como experiência imperdível. Ryan Gosling domina cada quadro com entrega física e sensibilidade, enquanto o roteiro de Drew Goddard honra a essência otimista de Andy Weir. A direção segura de Phil Lord e Christopher Miller transforma uma missão quase suicida num espetáculo humano e universal.
Se a nota no Rotten Tomatoes permanecer estável, o longa não será apenas um novo recorde pessoal, mas também um case de como cinema de grande orçamento pode preservar o coração de uma história literária. O lançamento nos cinemas está marcado para 20 de março de 2026 — e a contagem regressiva, pelo visto, já começou.




