Foi só Andrew Schulz subir ao palco do Game Awards, em dezembro, para a paz entre duas adaptações de games virar coisa do passado. O comediante — escalado para viver Dan Hibiki no novo Street Fighter — acusou o elenco de Mortal Kombat II de pensar apenas em dinheiro, ignorando o público que sustenta as franquias nos consoles há décadas.
Meses depois, Lewis Tan, protagonista de Mortal Kombat (2021) e confirmado na sequência, resolveu responder. Em entrevista a Brandon Davis, o ator não economizou na ironia: “ele é a última pessoa que deveria falar besteira ali”. A reação colocou gasolina na fogueira de uma disputa que promete extrapolar a bilheteria.
A origem da provocação
Durante a apresentação no Game Awards, Schulz exaltou os fãs de Street Fighter por manterem a série viva desde 1987, elogiou a própria equipe e, então, mirou no rival: “ao contrário de nós, eles só pensam no cheque”. O comentário incomodou quem veste o quimono de Mortal Kombat II, filme que chega aos cinemas em 15 de maio de 2026, novamente com direção de Simon McQuoid e roteiro de Jeremy Slater.
Tan, intérprete de Cole Young, garante que a cutucada não passou batida. Sem rodeios, afirmou que Schulz “não é lutador, nem ator de verdade”, ressaltando que o colega de indústria vem do stand-up e do podcast. A fala ecoou na comunidade gamer, reforçando a aura de trash talk típica dos arcades dos anos 90.
Reação de Lewis Tan e impacto no elenco de Mortal Kombat II
Apesar do tom inflamado, Tan mantém boa relação com parte do time de Street Fighter. Ele dividiu cena com Rayna Vallandingham em Cobra Kai e é próximo de Andrew Koji, outro nome do reboot. O ator jura ter gostado do primeiro trailer, descrevendo-o como “incrível” e elogiando o clima adotado pela produção.
Nos bastidores de Mortal Kombat II, a resposta foi mais contida. Karl Urban (que interpreta Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana) e Jessica McNamee (Sonya Blade) preferiram o silêncio público, focados na continuação de uma franquia que faturou US$ 84 milhões em 2021 e conquistou 85% de aprovação do público no Rotten Tomatoes. Nos sets da New Line Cinema, porém, comenta-se que o elenco adorou ganhar um “motivo extra” para treinar as cenas de luta.
Street Fighter se prepara para a resposta
Do outro lado do ringue, o reboot de Street Fighter, marcado para 16 de outubro de 2026, reúne nomes como Noah Centineo, Callina Liang, Roman Reigns e David Dastmalchian, este último anunciado como M. Bison em matéria recente do Salada de Cinema que destacou a responsabilidade de viver o vilão. O estúdio encara a fala de Schulz como parte de uma estratégia para posicionar a produção como alternativa “pró-fã”.
Imagem: Divulgação
Mesmo com o discurso inflamado, Schulz pode ganhar a antipatia de colegas que evitam polêmicas. As filmagens, que contam com lutadores profissionais no elenco, priorizam coreografias fiéis aos movimentos clássicos, a exemplo do soco giratório de Dan Hibiki. Dentro da equipe criativa, há quem tema que o barulho extra ofusque o trabalho do time de dublês.
Quem ganha com a rivalidade nos bastidores?
A disputa de narrativas tem potencial para atrair uma plateia nostálgica e curiosa. “Números não mentem”, lembrou Tan, apostando na força de Mortal Kombat II, primeiro a chegar às salas. O histórico recente corrobora o otimismo: adaptações de jogos, como Godzilla Minus Zero que roubou a cena na CinemaCon, provaram que fãs engajados comparecem quando se sentem representados.
Para os estúdios, o bate-boca funciona como marketing gratuito. Tanto McQuoid quanto os produtores de Street Fighter evitam alimentar o conflito publicamente, mas aproveitam o interesse gerado. Se o público abraçar o clima de ringue, ambos os longas podem repetir o sucesso recente de produções de games, caso de Super Mario Galaxy que empolgou o público mesmo antes da estreia.
Mortal Kombat II x Street Fighter: vale a pena ficar de olho?
Quem gosta de filmes de luta tem motivo de sobra para acompanhar de perto. De um lado, Mortal Kombat II traz o retorno de uma equipe já testada, com direção, roteiro e elenco afiados em artes marciais. Do outro, Street Fighter promete renovar a marca com rostos populares e foco declarado nos fãs. Se a rivalidade inspirar performances mais intensas, o público sairá ganhando quando as luzes da sala apagarem.









