O ouro encontrado por Aatami Korpi pode até ter mudado de esconderijo, mas o banho de sangue que acompanha o ex-comando finlandês continua intacto. A partir de 21 de março, Sisu: Road to Revenge passa a integrar o catálogo da Netflix nos Estados Unidos, quatro meses após sua rápida temporada nos cinemas.
Dirigido e escrito por Jalmari Helander, o longa de 89 minutos traz de volta a brutalidade que transformou Sisu (2022) em hit surpresa. Para o Salada de Cinema, a novidade representa mais uma aposta do streaming em produções internacionais capazes de garantir aquele “adrenaline rush” que tanto agrada ao público de ação.
Do cinema para o streaming: caminho cheio de armadilhas
Lançado nos cinemas norte-americanos em 21 de novembro de 2025, Sisu: Road to Revenge não repetiu o fenômeno financeiro de seu antecessor. Com orçamento de 12,2 milhões de dólares, arrecadou apenas 9,8 milhões, contraste que lembra o cenário enfrentado por A Noiva!, outra produção recente que patinou nas bilheterias.
A chegada ao streaming, porém, pode mudar esse jogo. Desde 17 de dezembro o filme já estava disponível para compra ou aluguel digital, mas o alcance da Netflix tende a ampliar consideravelmente a audiência. A estratégia segue tendência de encurtar a janela entre exibição nos cinemas e disponibilidade em plataformas, algo que vem se consolidando no pós-pandemia.
Direção e roteiro: o retorno de Jalmari Helander
Helander assina novamente direção e roteiro, garantindo coerência de estilo entre os dois capítulos. O cineasta mantém a narrativa enxuta, quase minimalista: Aatami decide desmontar a antiga casa da família, destruída durante a guerra, para reconstruí-la em lugar seguro. O plano esbarra na perseguição implacável de um comandante do Exército Vermelho, responsável pelo massacre dos Korpi.
Essa premissa simples serve de estopim para sequências de violência gráfica que beiram o grindhouse. O cineasta aposta em soluções criativas de câmera, cortes rápidos e truques práticos de efeitos, reforçando a atmosfera crua que rendeu ao primeiro filme o rótulo de “John Wick contra nazistas”. Aqui, a diferença é o adversário soviético, mas o DNA permanece: coreografias de combate impactantes e humor seco, quase ausente de diálogos.
Elenco: performances que sustentam a carnificina
Jorma Tommila volta ao papel de Aatami Korpi com o mesmo magnetismo taciturno. Seu trabalho físico impressiona: cada movimento rápido da faca ou disparo de rifle expressa a brutalidade do personagem sem exigir longos discursos. A economia verbal reforça a mística do herói solitário, moldado por Helander como figura quase folclórica.
No time de antagonistas, Richard Brake incorpora a frieza arrogante típica de oficiais de alto escalão, enquanto Stephen Lang dá vida a Igor Draganov, presença que adiciona peso dramático à caçada transfronteiriça. Essa combinação ajuda o filme a manter ritmo frenético e tensão constante — mérito que evoca o duelo tenso de Johnny Ringo em Tombstone, relembrado na cena deletada analisada por nosso portal.
Imagem: Divulgação
Recepção crítica e o eterno paralelo com John Wick
Com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes — exatamente a mesma pontuação do capítulo original —, Sisu: Road to Revenge chamou atenção pela criatividade contínua em cenas de combate. Críticos destacam o uso inventivo do gore e o prazer quase cartunesco com que Helander explode cabeças, arranca membros ou improvisa armas.
O público, por sua vez, atribuiu notas de 87% e 88% aos dois filmes, confirmando a boa recepção de quem busca diversão sangrenta sem grandes reviravoltas narrativas. A comparação com John Wick segue inevitável: enquanto o personagem de Keanu Reeves domina cenários urbanos, Aatami Korpi se aventura em florestas lamacentas e lagoas geladas, trocando ternos impecáveis por trapos encharcados de lama.
Vale a pena assistir?
Para quem perdeu o longa nos cinemas ou prefere o conforto do sofá, a estreia na Netflix representa a chance de conferir 89 minutos de pura selvageria estilizada. A classificação indicativa é R, então espere violência extrema e poucos respiros entre uma carnificina e outra.
Se o primeiro Sisu já causou espanto pelos truques de sobrevivência do velho minerador, a continuação dobra a aposta: mais minas terrestres, mais lâminas improvisadas e perseguições que atravessam campos congelados. A execução técnica, aliada ao carisma silencioso de Tommila, sustenta o espetáculo.
Com estreia agendada para 21 de março, Sisu: Road to Revenge chega ao streaming pronto para conquistar um público maior do que o box office permitiu. A história segue direta, o ritmo nunca cai e a sensação de urgência mantém o espectador colado na tela — exatamente o tipo de experiência que a Netflix vem procurando para se manter no radar dos fãs de ação visceral.



