O aguardado A Noiva! (The Bride!) chegou às salas de cinema prometendo uma releitura violenta e romântica do mito de Frankenstein. Se nos bastidores já havia rumores sobre um resultado incerto, agora os números de bilheteria e as notas no Rotten Tomatoes confirmam o cenário de divisão.
Dirigido e roteirizado por Maggie Gyllenhaal, o filme traz Christian Bale e Jessie Buckley como um casal de monstros em clima de Bonnie e Clyde. Apesar da química explosiva entre os protagonistas, as reações mistas apontam para um roteiro confuso e mudanças abruptas de tom.
A Noiva! no Rotten Tomatoes: 74% do público versus 59% da crítica
Com mais de 500 avaliações verificadas, A Noiva! registra 74% de aprovação popular, contraste direto com os 59% dos críticos. A diferença evidencia que o grande público comprou a mistura de terror, noir e romance gótico proposta por Gyllenhaal.
Entre os elogios mais frequentes estão a atmosfera brutal — que não economiza em sangue — e a inventividade visual. Em contrapartida, muitos jornalistas especializados consideraram o texto “bagunçado” e a abordagem feminista “mal executada”. A polarização remete a outros debates recentes sobre arte e ética, como o levantado na nossa análise de É Assim que Acaba.
Atuações de peso elevam a experiência
Se o enredo perdeu pontos, o elenco arrancou aplausos. Bale, que recentemente admitiu ver poucos filmes em entrevista — tema abordado em Salada de Cinema — entrega um Frankenstein atormentado, fisicamente ameaçador e, ao mesmo tempo, surpreendentemente frágil.
Jessie Buckley, por sua vez, encarna a Noiva com fúria e charme trágico. A dupla funciona quase como foras da lei apaixonados, reforçando a leitura de romance amalucado que a diretora pretendia. O elenco ainda reúne Annette Bening, Peter Sarsgaard, Jake Gyllenhaal e Penélope Cruz, todos em papéis que ampliam a sensação de um universo exagerado, porém estiloso.
Direção ousada, roteiro turbulento
Maggie Gyllenhaal investe em cenários grandiosos, iluminação expressionista e figurinos que oscilam entre o glamouroso e o grotesco. O resultado visual é citado até por críticos menos entusiasmados como um dos trunfos do projeto.
Imagem: Divulgação
O problema está na costura narrativa. As passagens de horror explícito se misturam a momentos de humor macabro sem transições suaves, o que muitos chamam de “tonalidade caótica”. Testes de público realizados em março de 2025 já indicavam essa dificuldade de classificação, situação confirmada após o lançamento comercial.
Do orçamento robusto ao resultado modesto nas bilheterias
Com orçamento de US$ 80 milhões, A Noiva! arrecadou apenas US$ 7,3 milhões no mercado doméstico e US$ 13,6 milhões no total mundial durante o fim de semana de estreia. Os números rompem uma sequência de nove primeiros lugares consecutivos da Warner Bros., ficando atrás da animação Hoppers.
Essa performance inferior — detalhada em relatório de bilheteria publicado pelo Salada de Cinema — coloca o longa na categoria de “bomba de bilheteria”. A frustração é maior porque o projeto quase ficou com a Netflix, mas divergências financeiras sobre locações encerraram o acordo. Curiosamente, a plataforma investiu depois em sua própria versão de Frankenstein, dirigida por Guillermo del Toro, elogiada e premiada.
Vale a pena assistir A Noiva!?
Quem busca uma experiência sangrenta, estilizada e ancorada em atuações intensas pode se divertir com A Noiva!. Por outro lado, espectadores sensíveis a mudanças bruscas de tom ou em busca de uma trama coesa talvez saiam frustrados. O filme segue em exibição nos cinemas, enquanto não há previsão oficial para a chegada ao streaming da HBO Max.



