Depois de nove meses rodando pelos cinemas e por streamings internacionais, Ballerina finalmente ganhou endereço fixo nos Estados Unidos. O longa, que coloca Ana de Armas no papel da assassina e dançarina Eve Macarro, entra no catálogo da HBO Max em 27 de março, reforçando a presença da franquia John Wick no serviço.
Dirigido por Len Wiseman, veterano de Anjos da Noite, o filme se encaixa cronologicamente entre John Wick 3 – Parabellum e John Wick 4. Mesmo com bilheteria modesta, o título conquistou o público no streaming internacional e agora tenta repetir a façanha em território norte-americano.
Atuações: Ana de Armas assume o protagonismo com precisão cirúrgica
Ballerina gira completamente em torno de Eve Macarro, personagem que exige tanto brutalidade quanto delicadeza. Ana de Armas equilibra essas nuances ao transformar seu treinamento de balé em movimentos de combate cravados em coreografias precisas. A atriz usa gestos contidos para mostrar vulnerabilidade nas cenas em que Eve relembra o assassinato do pai e, logo em seguida, explode em agressividade quando encara seus alvos.
Keanu Reeves faz participação pontual como John Wick, funcionando quase como mentor silencioso. A química entre os dois é discreta, mas acrescenta peso à jornada de Eve. Entre as adições, Norman Reedus traz carisma sombrio, enquanto Gabriel Byrne injeta autoridade ao mundo do Ruska Roma. Vale lembrar ainda a despedida emotiva de Lance Reddick, responsável por um dos momentos mais comentados pelos fãs.
Direção e coreografia: Len Wiseman mantém identidade visual da franquia
Wiseman aposta em luzes neon, corredores estreitos e espelhos estrategicamente posicionados para ampliar a tensão. Diferente dos longas principais da série, que focam em tiroteios com cadência quase musical, o spin-off busca precisão milimétrica nos golpes corpo a corpo. A câmera permanece próxima aos intérpretes, valorizando a preparação física de Ana de Armas e elevando a imersão durante cada pirueta que se transforma em golpe fatal.
O diretor de fotografia recorre a tons azulados nos bastidores do balé e vermelhos intensos nos flares de armas de fogo, criando contraste que reforça a dualidade entre arte e violência. A estética conversa com o visual consolidado por Chad Stahelski na saga principal, garantindo coesão para quem decide maratonar toda a linha do tempo na HBO Max.
Roteiro: Shay Hatten e Derek Kolstad expandem, mas não revolucionam
Assinado por Shay Hatten e Derek Kolstad, o roteiro estende a mitologia do Ruska Roma apresentada rapidamente em Parabellum. Os diálogos exploram hierarquias internas, mas evitam mergulhos profundos que poderiam distanciar novos espectadores. A escolha de posicionar a trama entre o terceiro e o quarto capítulos da série cria oportunidades para conexões diretas com eventos futuros, ainda que, por vezes, deixe a sensação de dependência de informações dos filmes principais.
Imagem: Divulgação
O maior ponto de crítica recai sobre a motivação simplista de vingança, já bastante familiar dentro do universo John Wick. Mesmo assim, a construção de Eve como personagem autônoma abre espaço para continuidades. Se o desempenho na HBO Max for satisfatório, não será surpresa ver a dupla de roteiristas explorando a parceria entre Eve e Wick em eventual sequência.
Recepção: das notas mornas no cinema ao sucesso no streaming
Na estreia em junho de 2025, Ballerina registrou a segunda pior avaliação crítica da franquia no Rotten Tomatoes, ficando à frente apenas de The Continental. As opiniões, no entanto, foram unânimes no elogio ao trabalho de Ana de Armas e às lutas coreografadas por 87Eleven Productions. Com receita global de US$ 137 milhões diante de orçamento de US$ 90 milhões, o filme ficou aquém das expectativas da Lionsgate.
A história mudou ao chegar ao Prime Video fora dos EUA, onde permaneceu mais de quatro semanas no Top 10. O público concedeu 92% de aprovação, segunda melhor pontuação popular de toda a saga. O salto para a HBO Max, portanto, tende a ampliar a base de espectadores, já que os três primeiros filmes de John Wick estão no mesmo serviço. Quem perder o quarto longa, atualmente fora da plataforma, ainda terá contexto suficiente para compreender a jornada de Eve.
Enquanto a produção busca novo fôlego, a franquia segue aquecida nos bastidores. John Wick 5, confirmado por Chad Stahelski e Reeves, continua em desenvolvimento; o derivado Caine, comandado por Donnie Yen, já estaria em filmagens; e projetos como uma série Under the High Table e um game AAA avançam em ritmo próprio. Esse ecossistema ativo lembra outras marcas de longa duração que faturam alto em bilheteria, como comprovam os números de Avatar: Fogo e Cinzas noticiados recentemente.
Vale a pena assistir a Ballerina?
Para fãs de coreografias meticulosas e do universo John Wick, Ballerina oferece ritmo ágil, estética sombria e atuações sólidas, com destaque absoluto para Ana de Armas. A produção não reinventa a mitologia, mas apresenta novas camadas ao Ruska Roma e prepara terreno para encontros futuros com o lendário Baba Yaga. Agora disponível na HBO Max a partir de 27 de março, é uma boa pedida para quem acompanha a saga ou busca um thriller de ação sem rodeios.



