O terror asiático sempre soube como explorar o sobrenatural com uma profundidade cultural assustadora, e A Médium (The Medium) é a prova mais recente disso. O filme tailandês de 2021, disponível no Prime Video, não é um filme de fantasma comum.
A Médium é uma descida claustrofóbica e perturbadora à possessão ancestral e ao horror de ser escolhido por uma divindade – que talvez seja, na verdade, um demônio. Com 2 horas e 11 minutos, o filme, que adota a estética do found footage, usa a tradição religiosa da Tailândia para criar um terror que é tão real quanto desesperador.
Qual é a história de A Médium?
Uma equipe de documentaristas viaja ao nordeste da Tailândia para registrar a vida de Nim, uma médium local que serve como hospedeira para o espírito de Bayan, uma divindade ancestral que possui mulheres de sua família há gerações.
A irmã de Nim, Noi, rejeitou ser a sucessora de Bayan ao se converter ao cristianismo, forçando o espírito a se alojar em Nim. Quando Nim faz uma revelação horripilante sobre a família da irmã, sua sobrinha, Mink, começa a exibir comportamentos perturbadores.
Inicialmente, Nim acredita que Mink é a nova escolhida. No entanto, Noi se recusa a permitir que a Cerimônia de Aceitação aconteça.
À medida que o comportamento de Mink se torna mais violento e animalesco, a família e a equipe de filmagem percebem uma verdade terrível: a deusa ancestral que eles tanto adoravam talvez não seja o que eles sempre pensaram.
Análise do filme
A Médium se destaca por sua abordagem. O diretor Banjong Pisanthanakun (do clássico Shutter: O Grito do Pânico) utiliza o formato found footage de maneira inteligente.
O terror não vem de sustos fáceis, mas da degradação lenta e visceral da protagonista Mink. A câmera amadora transforma o espectador em uma testemunha, aumentando o senso de claustrofobia e urgência.
O filme é um estudo fascinante sobre o confronto de crenças. Ele explora o choque entre o xamanismo tailandês ancestral e o cristianismo ocidental.
O verdadeiro horror reside na ambiguidade: o espírito que deveria proteger a linhagem familiar é, na verdade, uma entidade maligna que destrói suas vítimas de dentro para fora. É um terror cru, que não economiza no gore e na violência psicológica.
Elenco e produção
O filme foi dirigido por Banjong Pisanthanakun, um nome respeitado no terror tailandês, e teve a colaboração de Na Hong-jin (diretor do aclamado O Lamento) no roteiro e na produção. Essa colaboração garante um filme com o ritmo tenso do cinema coreano e o pavor cultural do cinema tailandês.

O elenco entrega performances intensas. Narilya Gulmongkolpech é a alma do filme, carregando a difícil e perturbadora transformação de Mink. Sawanee Utoomma (Nim) e Sirani Yankittikan (Noi) sustentam o drama familiar com suas crenças conflitantes.
Vale a pena assistir
Sim, A Médium é obrigatório para os fãs de terror que buscam uma experiência intensa e culturalmente rica. A obra nos deixa com a certeza: nem todos os deuses ancestrais querem o bem de seus devotos.
Para conferir esse intenso e visceral horror tailandês, o filme está disponível no Prime Video e é a sessão ideal para quem tem coragem.
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