A 3ª temporada de Operação Lioness chegou ao fim no Paramount+ revelando que Aaliyah Amrohi, vivida por Stephanie Nur, é a mandante do sequestro de Joe McNamara, papel de Zoe Saldaña. A série de Taylor Sheridan fecha o ciclo com uma virada que reescreve boa parte do que os episódios anteriores construíram sobre a suspeita principal.
Meu veredito é dividido. A temporada acerta no clima de tensão constante e na atuação de Saldaña, mas tropeça no ritmo do mistério e desperdiça parte do potencial dramático ao resolver a trama principal de forma apressada. Vale assistir, mas sem a expectativa de um fechamento redondo.
Resumo rápido
- Nota: IMDb 7.8/10, Rotten Tomatoes 73% da crítica e 73% do público.
- Onde assistir: Paramount+.
- Veredito: temporada tensa e bem atuada, mas com resolução de mistério apressada e pontas soltas.

O que funciona: tensão e Zoe Saldaña
O maior trunfo da temporada continua sendo a presença de Saldaña. Joe McNamara carrega o peso emocional da trama, e a atriz sustenta essa carga sem cair em exagero. A sequência do cativeiro, que se estende por seis dias na trama, é filmada com economia — poucos diálogos, muita pressão psicológica.
A ambientação geopolítica também segue sendo um ponto forte da franquia. Envolver Irã, a organização KSS e um intermediário russo na cadeia de contratação do sequestro dá à história uma sensação de verossimilhança que outras produções de espionagem costumam simplificar demais.
Sheridan mantém a marca registrada de mostrar operações militares e de inteligência como processos burocráticos e sujos, não como aventuras limpas. Essa textura funciona bem quando a série não tenta forçar reviravoltas artificiais.

Onde a série decepciona
Aviso de spoiler: os parágrafos a seguir revelam o final completo da 3ª temporada de Operação Lioness.
O problema central é a construção do mistério sobre quem estava por trás do ataque a Joe. Boa parte dos episódios finais empurra o espectador para acreditar que Oleksandra Balakin era a responsável, teoria defendida por Kaitlyn e Byron ao longo da trama.
Quando a série revela que Aaliyah Amrohi é a verdadeira mandante, a virada expõe uma cadeia de intermediários criada para esconder o financiamento — mas o efeito é mais confuso do que surpreendente. A pista real fica escondida atrás de tantas camadas que a resolução soa mais como um golpe de roteiro do que como uma consequência lógica do que foi plantado.

A motivação de Aaliyah remonta à 1ª temporada, quando Cruz se aproximou dela numa missão e matou seu pai e seu noivo dentro da própria casa da família. É um gancho emocional forte, mas a série leva tempo demais para reconectar esse fio à trama atual, e quando o faz, sobra pouco espaço para explorar o peso dessa vingança.
Outro ponto fraco é o tratamento dado a Oleksandra Balakin. A personagem é morta depois de ser retirada de uma casa segura em Oklahoma sob o pretexto de uma transferência — um desfecho que trata a suspeita errada como descartável, sem dar à trama um contraponto real sobre o custo de perseguir a pista equivocada.
O final também deixa Joe voltando para uma casa vazia, com a família de mudança e um bilhete de Neal cujo conteúdo não é revelado. Entendo a intenção de deixar ganchos para a próxima temporada, mas esse tipo de suspensão funciona melhor quando o restante da trama já entregou fechamento suficiente — e aqui não é bem o caso.
Ritmo: o calcanhar de aquiles da temporada
A série ainda sofre do mesmo problema de ritmo que já aparecia em temporadas anteriores da franquia. Episódios inteiros são dedicados a reforçar a teoria errada sobre Balakin, o que funciona como cortina de fumaça, mas custa tempo de tela que poderia ter sido usado para aprofundar Aaliyah antes da virada final.
Quando o nome da verdadeira mandante finalmente aparece, o impacto emocional é menor do que deveria, simplesmente porque a personagem ficou ausente da tela por temporadas inteiras. O espectador precisa recorrer à memória da 1ª temporada para sentir o peso da revelação, e nem todo público vai fazer essa conexão sem ajuda.

Vale a pena assistir?
Recomendo Operação Lioness para quem já acompanha o universo criado por Taylor Sheridan e gosta de thrillers de espionagem com pé na realidade geopolítica. A atuação de Zoe Saldaña e a tensão das sequências de ação sustentam a temporada mesmo quando o roteiro erra a mão no mistério central.
Quem espera um mistério bem amarrado, porém, pode sair frustrado. A resolução sobre quem está por trás do sequestro de Joe entrega uma motivação interessante, mas a execução da revelação é menos satisfatória do que a jornada até ela prometia ser.
Crítica de Operação Lioness
O maior trunfo da temporada continua sendo a presença de Saldaña. Joe McNamara carrega o peso emocional da trama, e a atriz sustenta essa carga sem cair em exagero. A sequência do cativeiro, que se estende por seis dias na trama, é filmada com economia — poucos diálogos, muita pressão psicológica.
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