Existe uma luta que é mais intensa do que qualquer confronto físico: a luta contra o próprio corpo. Girl, o aclamado drama belga que conquistou prêmios em Cannes e gerou debate global, está disponível na Netflix.
Girl pega o universo rigoroso do balé para explorar a disforia de gênero. E a premissa é simplesmente genial. A obra promete um filme que não tem medo de ser difícil e que se recusa a oferecer finais fáceis. E quem estiver preparado para isso, será bem-vindo na sessão.
Qual é a história de Girl?
Lara (Victor Polster) é uma adolescente trans de 15 anos com um sonho: tornar-se uma bailarina profissional. Ela se matricula em uma prestigiada escola de balé, enfrentando o rigor físico das aulas e a pressão constante para ser perfeita. Paralelamente, Lara lida com sua transição de gênero, ansiando pela cirurgia de redesignação. A trama acompanha o duelo.
O corpo de Lara, que deveria ser um instrumento de beleza e arte no balé, é, na verdade, um campo de batalha interno. A disciplina da escola contrasta com a impaciência de Lara por seu corpo ideal.
A jovem precisa esconder sua realidade dos colegas, mantendo um segredo que a sufoca. A ausência de apoio total da escola e o medo constante de não ser boa o suficiente se somam à sua batalha, tornando sua jornada de autodescoberta uma corrida contra o tempo e contra o próprio corpo.
Análise do filme
O filme funciona como um estudo de personagem implacável. O diretor Lukas Dhont não romantiza o balé. Ele o usa como uma metáfora para a busca obsessiva pela perfeição, algo que Lara busca em sua identidade de gênero. A obra acerta ao expor a disforia com uma franqueza que é desconfortável.
É nítido que o longa explora a pressão psicológica que a sociedade e a própria Lara impõem a si mesma. A tensão é construída no contraste entre a rigidez do mundo externo e a fragilidade de sua vida interior.
Elenco e produção
O filme é dirigido por Lukas Dhont e escrito por ele e Angelo Tijssens. A obra teve sua estreia no Festival de Cannes, onde ganhou o prêmio Camera d’Or, o que atesta a força da direção.
O elenco é a força da obra. Victor Polster (Lara) carrega a difícil tarefa de ser a alma do filme. Sua performance é construída com uma fisicalidade que expressa o desejo de se libertar do corpo que o aprisiona, transmitindo a angústia da transição.

Arieh Worthalter (O Pai) atua como o único apoio incondicional de Lara, o que é um contraponto essencial à rigidez do mundo externo. Oliver Bodart completa o núcleo familiar.
Vale a pena assistir
Eu te digo que sim. Girl é um drama essencial para quem busca cinema que provoca e emociona. Mas, antes de assistir, saiba que obra é um filme forte. Sua abordagem da identidade é corajosa e intensa. O filme te fará refletir sobre o que é o corpo e o que é a alma.
Eu recomendo fortemente que veja ainda hoje. Se você gosta de dramas psicológicos com atuações de peso, esta é a sua pedida. O filme está disponível na Netflix.
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