O final de Landman temporada 2, exibido no décimo episódio Tragedy and Files, chegou carregado de tensão e de viradas capazes de resgatar o fôlego que consagrou a estreia da série. Após uma segunda leva de capítulos marcada por desvios narrativos, o desfecho retoma a essência do faroeste moderno criado por Taylor Sheridan em parceria com Christian Wallace.
Com Billy Bob Thornton novamente no centro da ação, a conclusão não só amarra pontas soltas, como prepara terreno para o terceiro ano, já confirmado pela Paramount. A seguir, o Salada de Cinema analisa as atuações, o roteiro e o impacto desse final de Landman temporada 2.
O retorno da tensão que marcou o primeiro ano
O maior mérito do final de Landman temporada 2 foi reencontrar o equilíbrio entre ritmo acelerado e conflitos pessoais. Durante boa parte da temporada, as subtramas pareciam diluir a urgência da narrativa; no entanto, o décimo capítulo acerta ao colocar todos os personagens diante de escolhas de alto risco.
Tommy Norris (Billy Bob Thornton) passa de espectador das próprias crises a motor de mudança. O personagem enfrenta um quase fatal acidente de carro, uma acusação de homicídio contra o filho Cooper e, no auge da frustração, chega a desafiar a própria fé em voz alta. A cena, filmada dentro da caminhonete enquanto a chuva despenca, lembra o western clássico ao contrapor homem e natureza, devolvendo à série o peso dramático que muitos fãs sentiram falta nos episódios centrais.
Atuações em destaque no final de Landman temporada 2
Thornton domina o tempo de tela com um carisma bruto, mas o capítulo também distribui bons momentos ao elenco coadjuvante. Ali Larter, como Angela, mostra a ambiguidade de uma mãe protetora que, ao mesmo tempo, se isola ao não saber lidar com os próprios erros. A relação conflituosa com a filha Ainsley ganha nuance quando a jovem aprende sobre respeito às diferenças, numa sequência curta que ecoa eventos do penúltimo episódio.
Já Kaya Scodelario vive Rebecca num tom mais contido, deixando de lado o romance frouxo mostrado anteriormente para encarar policiais corruptos e evitar a prisão de Cooper. A transição torna a advogada mais crível: firme sem perder a vulnerabilidade. Sam Elliott, por sua vez, finalmente recebe uma função mais definida. Seu T.L. passa a integrar o novo negócio de Tommy e indica que a terceira temporada terá espaço para o tradicionalista que respira poeira e petróleo, algo que faltou nos capítulos anteriores.
Roteiro e direção: acertos e tropeços de Taylor Sheridan e Christian Wallace
A dupla de criadores corrige rota ao enxugar conflitos e apostar em suspense crescente. As cenas de tribunal e de bastidores corporativos são entremeadas por imagens de estradas lamacentas e plataformas de perfuração, o que reforça a ideia de que a série, mais que um drama familiar, é um estudo sobre poder e ganância no Texas contemporâneo.
Imagem: Divulgação
Entretanto, o final de Landman temporada 2 também expõe problemas que assombraram a temporada. O arco de Cami (papel de Michelle Randolph) beira a caricatura ao transformá-la na vilã que troca o instinto de sobrevivência por decisões empresariais pouco plausíveis. Mesmo assim, a cena em que ela demite Tommy sela a rivalidade necessária para o terceiro ano, e provoca expectativa sobre o choque entre as duas companhias rivais de petróleo.
Gancho promissor para a terceira temporada
Com a decisão de Tommy de fundar a própria empresa familiar de óleo, Landman planta a semente para tramas corporativas mais amplas. A presença de T.L. como sócio garante conflitos geracionais, enquanto Angela precisa provar que consegue evoluir sem sobrepor-se ao marido. Do lado antagonista, Cami surge como capitã de um navio que afunda, premissa perfeita para intrigas financeiras e dilemas ambientais.
O roteiro deixa algumas pontas deliberadamente soltas, como a arriscada perfuração de gás no Golfo e o estado emocional de Ariana após o incidente traumático do nono episódio. Esses elementos prometem retornar, garantindo tema e tensão logo na estreia do próximo ano.
Vale a pena assistir?
Apesar de tropeços no meio da temporada, o final de Landman temporada 2 entrega adrenalina, evolução de personagens e ganchos convincentes. A força das atuações, sobretudo de Billy Bob Thornton, aliada à escrita mais enxuta de Sheridan e Wallace, recoloca a série como aposta certeira para quem gosta de dramas com clima de western e bastidores da indústria do petróleo.



