Entre 2010 e 2019 a franquia Pokémon lançou dez longas animados que dividiram o público. Houve espaço para apostas visuais ousadas, releituras de clássicos e tentativas de ampliar temas já conhecidos, nem sempre com o mesmo brilho que a série exibiu em décadas anteriores.
Salada de Cinema revisita cada título e, mantendo o foco em atuação de voz, escolhas de direção e consistência de roteiro, organiza esse período em ordem de qualidade, do menos inspirado ao mais marcante.
Metodologia do ranking
A lista considera exclusivamente as informações divulgadas sobre cada produção, avaliando se o conjunto de direção, roteiro e performances agrega algo novo ou mantém viva a emoção esperada pelos fãs. Quando a dublagem interfere — caso da troca de voz de Mewtwo —, o impacto é observado. Além disso, analisamos como cada obra usa a animação para reforçar a narrativa.
Vale lembrar que, mesmo nos longas menos elogiados, há momentos pontuais de brilho que sustentam a base emocional da franquia — afinal, Ash e Pikachu, cujo futuro no anime já ganhou uma despedida histórica, seguem sendo a cola que une público e trama.
Filmes de Pokémon dos anos 2010 ranqueados
- Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução
A ambição de recontar o clássico de 1998 em animação 3D gerou estranhamento. Embora a direção capriche em texturas e iluminação, a mudança de estilo não evoca a nostalgia pretendida. A dublagem, apesar de correta, não compensa a ausência de cenas inéditas, reduzindo o apelo para quem já conhece a versão original.
- Pokémon, o Filme: Kyurem vs. A Espada da Justiça
A trama sobre amizade e autodescoberta se apoia no carisma de Keldeo, porém carece de antagonista convincente. Kyurem surge mais como obstáculo do que vilão, e nem a boa química entre os dubladores de Ash e companhia impede a sensação de conflito raso.
- Pokémon, o Filme: Hoopa e o Duelo Lendário
O roteiro acerta ao apresentar o passado de Hoopa, reforçado por interações vocais cativantes com Mary e Baraz. Entretanto, a direção perde força quando traz Dialga, Palkia e outros lendários apenas como peças de ação, sem desenvolvimento dramático. A quantidade de vozes icônicas em cena torna o clímax confuso.
- Pokémon, o Filme: Diancie e o Casulo da Destruição
Com foco de câmera em Diancie, o longa funciona como história de amadurecimento. A dublagem destaca a ingenuidade da protagonista, e a direção prefere ritmo suave a batalhas explosivas. Mesmo sem grandes embates, o arco pessoal de Diancie sustenta o interesse.
- Pokémon, o Filme: Volcanion e a Maravilha Mecânica
O contraste entre humanos e Pokémon move a narrativa. As vozes de Volcanion — sempre ríspida — e de Magearna — delicada — evidenciam a tensão central. A direção aposta em cenas de destruição para refletir o antagonismo de Alva, mas o que realmente permanece é a relação quase paterna entre os dois Pokémon.
- Pokémon, o Filme: Genesect e a Lenda Revelada
A volta de Mewtwo seria suficiente para empolgar, não fosse a escolha de alterar sua voz original, fato que dividiu fãs. Ainda assim, a interação com o bando de Genesect cria conflitos morais interessantes. A direção intercala perseguições aéreas com momentos mais intimistas, ressaltando a busca de pertencimento dos clones.
- Pokémon: Zoroark – Mestre das Ilusões
Depois da trilogia de Sinnoh, a equipe criativa enfrenta desafio alto e, embora não alcance os antecessores, entrega um filme divertido. A química entre Zoroark e Zorua, reforçada pelas vozes sensíveis do elenco, confere emoção genuína. O vilão Kodai, sem remorso, recebe motivações claras e rende um final bem orquestrado pela direção.
Imagem: Divulgação
- Pokémon, o Filme: Preto — Victini e Reshiram / Branco — Victini e Zekrom
Dois longas gêmeos que exploram ideais opostos. A equipe de roteiristas espelha cenas, falas e batalhas, o que evidencia escolhas de Damon e de Ash. Victini, com passada marcante dos dubladores, conduz a emoção. O ritmo ágil da direção garante batalhas vistosas tanto com Reshiram quanto com Zekrom.
- Pokémon, o Filme: Eu Escolho Você!
A releitura do episódio inaugural substitui Brock e Misty, mas ganha profundidade nos sonhos de Ash e no passado de Sorrel. A direção transita entre a nostalgia das primeiras rotas e questionamentos existenciais — o onírico “mundo sem Pokémon” é exemplo. O rival Cross cumpre bem o papel antagonista sem destoar do tom da franquia.
- Pokémon, o Filme: O Poder de Todos
Com cinco protagonistas humanos ligados por dramas cotidianos, o roteiro se distancia das batalhas para valorizar evolução pessoal. As vozes de Risa e do restante do elenco criam empatia imediata. A direção costura arcos paralelos de forma orgânica, culminando em clímax que depende mais de colaboração do que de golpes especiais, justificando o título como o melhor da década.
Destaques de direção e roteiro na década
A experimentação visual marcou presenças distintas: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução arriscou o 3D completo, enquanto O Poder de Todos apostou em paleta suave e planos contemplativos. Já o time de roteiristas demonstrou versatilidade — ora revisitando a origem de Ash, ora adaptando lendas para novos públicos. Mesmo as produções que reciclam estruturas clássicas inserem pequenos toques dramáticos, caso das memórias de Keldeo.
Interessante notar que, quando a história abraça conflitos humanos — como o trauma de Risa —, a franquia parece encontrar fôlego extra. Esses elementos de vida comum ressoam com quem acompanha outras obras de anime, do drama espiritual em Frieren até dilemas de poder vistos em sagas como Naruto. Essa aproximação amplia o alcance dos longas para além do fã tradicional de jogos.
Atuação de voz: entre acertos e tropeços
As dublagens japonesas, ponto sensível para a comunidade, variam de filme para filme. O maior ruído ocorreu com a nova voz de Mewtwo, gerando estranhamento frente à carga emocional associada ao personagem. Em contrapartida, a performance calorosa de Victini e a dualidade sonora entre Volcanion e Magearna elevam os respectivos roteiros.
Mesmo sem mudanças drásticas no elenco central — Rica Matsumoto e Ikue Otani seguem firmes como Ash e Pikachu —, as nuances adicionadas pelos atores convidados reforçam a autenticidade. Isso é notável nas inflexões de Diancie, que passa de insegura a determinada, ou na frustração palpável de Genesect líder.
Vale a pena assistir aos filmes de Pokémon dos anos 2010?
Apesar de oscilações, o bloco entrega experimentações corajosas e momentos emocionantes que justificam a maratona, especialmente para quem quer testemunhar como a franquia equilibrou nostalgia e reinvenção ao longo da década.



