Em meio à era dos super-heróis, Tom Cruise fez um filme de ação à moda antiga. Jack Reacher: O Último Tiro, o suspense de 2012 que iniciou a parceria definidora do ator com o diretor Christopher McQuarrie, acaba de retornar ao catálogo da Netflix.
Com 2 horas e 10 minutos, Jack Reacher: O Último Tiro é uma aventura de Missão: Impossível, e também um thriller “pé no chão”, sujo e analógico. É a história de um fantasma investigando um crime que a polícia já deu por resolvido, provando que, às vezes, o herói mais eficaz é aquele que nem existe.
A história de Jack Reacher: O Último Tiro
Um dia ensolarado em Pittsburgh. Seis tiros, cinco mortes. Um atirador militar treinado é preso em poucas horas; o caso parece encerrado. Mas o suspeito não pede um advogado. Ele escreve um nome em um bloco de notas: “Tragam Jack Reacher”.
Reacher (Tom Cruise), no entanto, não é um policial. Ele é um ex-investigador militar que vive fora do radar. Ele não tem telefone, não tem casa. Quando ele surge, não vem para defender o atirador; ele vem para enterrá-lo.
Mas algo na cena do crime não bate certo. O investigador de homicídios se vê, então, em uma conspiração muito maior do que ele imaginava.
Mais detetive dos anos 70 do que herói de ação
Jack Reacher: O Último Tiro funciona porque é um filme de detetive disfarçado de filme de ação. O roteiro de Christopher McQuarrie prefere a tensão da investigação à facilidade do tiroteio.
A obra é uma prima distante dos thrillers de Clint Eastwood dos anos 70, onde o herói resolve o caso com a cabeça (e os punhos), e não com gadgets.
A direção de McQuarrie é seca e direta. A cena de perseguição de carros é um exemplo disso: não há música, apenas o som brutal do motor de um muscle car. O filme entende que a verdadeira ameaça não é o exército de capangas, mas o homem assustador que os comanda, saído de um pesadelo.
A equipe que deu início à parceria de bilhões de dólares
Jack Reacher: O Último Tiro é o berço da parceria que redefiniria a carreira de ambos e salvaria a franquia Missão: Impossível. Tom Cruise usa seu carisma de estrela, mas o canaliza para um Reacher frio, arrogante e brutalmente analítico.
Ele não é o Ethan Hunt que sorri; é um predador que calcula. Rosamund Pike (Garota Exemplar) interpreta a advogada Helen, servindo como a bússola moral que Reacher não tem.

A escalação mais genial, no entanto, é a do lendário diretor alemão Werner Herzog como o vilão The Zec; sua voz e seu olhar vazio criam um antagonista memorável. O filme ainda guarda uma ponta de luxo com Robert Duvall como o instrutor de tiro Cash.
Com nota 7.0/10 no IMDb e 71% de aprovação do público no Rotten Tomatoes (contra apenas 63% da crítica), a obra é a prova de que o público conectou com o thriller.
Jack Reacher: O Último Tiro é uma sessão obrigatória para quem gosta de um suspense e ação, com um herói que pensa antes de atirar (mas que, quando atira, não erra). A obra nos lembra que, em uma era de explosões, às vezes a coisa mais impactante é um homem parado, pensando, antes de quebrar todas as regras (e alguns ossos) para encontrar a verdade.
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