Tanjiro Kamado brilha como protagonista de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, mas a série ganha fôlego quando outros guerreiros assumem a linha de frente. Em diversas ocasiões, o herói não pôde concluir o combate, permitindo que coadjuvantes e Hashiras mostrassem serviço.
Esses confrontos evidenciam o talento dos dubladores, a direção competente do estúdio Ufotable e o roteiro de Koyoharu Gotouge, adaptado com ritmo certeiro na animação. A seguir, o Salada de Cinema revisita os principais vilões não derrotados por Tanjiro, destacando a atuação vocal, o tratamento visual e o impacto narrativo de cada luta.
Zenitsu e Inosuke assumem o protagonismo no Distrito do Entretenimento
No arco do Distrito do Entretenimento, Daki (Lua Superior 6) parecia inalcançável até que Zenitsu e Inosuke, reforçados por animações explosivas e dublagem enérgica, tomam o centro do palco. Enquanto Tanjiro se ocupa de Gyutaro ao lado de Tengen Uzui, os dois companheiros desenvolvem coreografias impecáveis, reforçadas pela trilha pulsante de Yuki Kajiura e Go Shiina. O diretor Haruo Sotozaki mantém a câmera fluída, valorizando cada giro das lâminas.
O trabalho vocal de Hiro Shimono, que dá vida a Zenitsu, cresce quando o personagem entra em seu estado de concentração absoluta. Já Yoshitsugu Matsuoka, intérprete de Inosuke, adiciona camadas de ferocidade e humor. A dinâmica da dupla torna a derrota de Daki emocionante, graças ao roteiro que equilibra tensão e afeto fraternal, sem a necessidade do protagonista intervir na conclusão.
Hashiras em destaque: Muichiro e a vitória solitária sobre Gyokko
O encontro entre Muichiro Tokito e Gyokko (Lua Superior 5) é um espetáculo à parte. O jovem Hashira da Névoa, dublado por Kengo Kawanishi, começa apático, mas revela convicção quando desperta sua Marca de Caçador de Demônios. A animação aposta em paleta esbranquiçada, reforçando o estilo etéreo do personagem, enquanto efeitos aquáticos texturizam os golpes do antagonista.
Sem a presença de Tanjiro, a direção evidencia a progressão de Muichiro, reforçando o arco de autodescoberta criado por Gotouge. O roteiro do episódio dá espaço para diálogos curtos e impactantes, que ressaltam a arrogância de Gyokko. A montagem, pontuada por silêncios estratégicos, amplia a tensão e torna a vitória solo do Hashira um dos ápices técnicos da série.
Batalhas decisivas na Fortaleza Infinita
Quando a história avança para a Fortaleza Infinita, Tanjiro se dispersa em outras frentes e várias batalhas ganham vida própria. Akaza (Lua Superior 3) trava duelo sangrento com Tanjiro e Giyu, mas decide se autodestruir após lembrar sua trajetória humana. A escolha do vilão, fiel ao mangá, reforça a profundidade dramática do roteiro, sem forçar uma conclusão convencional.
Já Doma (Lua Superior 2) sucumbe à estratégia de Shinobu, que se sacrifica para envenená-lo por dentro. A sequência valoriza a dublagem suave de Saori Hayami, que contrasta com a frieza de Doma, interpretado por Mamoru Miyano. A animação usa tons frios para o gelo do vilão, rompendo com as cores quentes associadas aos Protagonistas e destacando a ausência de Tanjiro no clímax.
Imagem: Divulgação
Kokushibo, a temida Lua Superior 1, exige a união de quatro Hashiras: Gyomei, Sanemi, Muichiro e Genya. A direção equilibra enquadramentos amplos, que mostram o tamanho da ameaça, com close-ups que evidenciam o cansaço dos caçadores. O vilão, com seis olhos e Moon Breathing, ganha movimentos quase hipnóticos, fruto da animação quadro a quadro de altíssima fluidez.
Kaigaku, que assume o posto de Lua Superior 6 após Daki e Gyutaro, traz duelo interno para Zenitsu. A luta exibe recursos visuais de eletricidade cintilante e sombreamento intenso. O roteiro destaca o contraste entre former amigos, reforçando a redenção de Zenitsu e o legado de Thunder Breathing.
Nakime, recém-promovida Lua Superior 4, evita confronto direto, usando o Biwa para manipular os corredores da fortaleza. A sequência ressalta o design de som: cada nota do instrumento ecoa pelo ambiente, guiando a montagem e criando labirinto sensorial que impede Mitsuri e Obanai de avançar. No entanto, Nakime acaba absorvida por Muzan, encerrando seu arco de forma simbólica e sem intervenção de Tanjiro.
A importância narrativa dos triunfos sem Tanjiro
Os vilões não derrotados por Tanjiro ampliam o leque de protagonismo e evitam que o anime caia na repetição do “herói invencível”. Ao dividir vitórias, o roteiro valoriza crescimento coletivo, essencial para criar empatia com o resto do elenco. Cada vitória solitária — seja de Zenitsu, Muichiro ou dos Hashiras — exibe habilidades únicas e motivações pessoais, conferindo densidade dramática.
Do ponto de vista técnico, essas batalhas permitem explorar estilos de animação variados: neblina sutil para Muichiro, explosões elétricas para Zenitsu e coreografias sangrentas para Kokushibo. A trilha sonora também se beneficia, alternando coral, percussão e instrumentos tradicionais para refletir a essência de cada combatente. No conjunto, Demon Slayer sustenta ritmo dinâmico e evita desgaste, crucial para manter o interesse em longos arcos.
Vale a pena assistir Demon Slayer?
Com lutas visualmente estonteantes, direção de ritmo afiado e um elenco de dubladores que entrega emoção em cada grito ou sussurro, Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba se consolida como uma das experiências mais envolventes do anime contemporâneo. O fato de vários vilões caírem sem a intervenção de Tanjiro reforça a riqueza do universo e convida o público a torcer por todo o Corpo de Exterminadores de Demônios.



