A primeira leva de episódios da quarta temporada de Bridgerton chegou à Netflix em 29 de janeiro de 2026 e já rendeu um consenso entre veículos especializados: o romance protagonizado por Benedict Bridgerton funciona graças à sintonia dos intérpretes, enquanto subtramas menos inspiradas freiam o ritmo. A média de 7/10 reflete um produto visualmente deslumbrante, mas que nem sempre acerta o passo.
Em avaliação feita por redações como a do Salada de Cinema, a série repete a fórmula de reimaginar hits pop em versão orquestrada, presenteia o público com figurinos luxuosos e transforma o salão de baile em cenário de conto de fadas. O entusiasmo, porém, diminui quando o roteiro desvia do núcleo principal para núcleos paralelos que não entregam a mesma energia.
Interpretações recolocam Benedict no centro da narrativa
Depois de três anos como coadjuvante, Luke Thompson recebe a chance de liderar Bridgerton. Segundo as críticas, o ator convence ao equilibrar charme aristocrata e inquietação de quem reluta em seguir convenções de 1820. A pressão materna para que encontre uma esposa impulsiona o arco do personagem e abre caminho para a trama de identidade secreta.
O encanto surge no primeiro baile, quando Benedict cruza com a enigmática Lady in Silver. O recurso narrativo, claramente inspirado em Cinderela, foi descrito como “um convite à fantasia que quase se perde em diálogos pouco naturais”, mas Thompson mantém a cena viva, evitando que a atmosfera fique excessivamente melosa ou artificial.
Yerin Ha rouba a cena como Sophie Baek e sustenta o romance
Responsável por dar vida à criada Sophie Baek, Yerin Ha ganhou destaque por traduzir de forma contida a mistura de encanto e temor que permeia o disfarce da personagem. Críticos defendem que a atriz “injeta urgência emocional” na dinâmica do casal, sobretudo quando o embate de classes se impõe como obstáculo real.
Desde o momento em que Sophie retorna à casa de Lady Araminta, interpretada por Katie Leung, o contraste social se torna ponto-chave. A química entre Ha e Thompson amplia a tensão romântica e reforça o peso das paredes que separam o andar de cima dos empregados — elemento considerado o mais eficiente entre os tropos da temporada.
Subtramas dividem atenção e resultados
A narrativa reserva espaço para outros núcleos, com saldo desigual. O relacionamento maduro de Violet Bridgerton com Lord Marcus Anderson, vivido por Daniel Francis, foi apontado como refrescante ao representar desejo na meia-idade sem recorrer a estereótipos. O par se beneficia de diálogos bem escritos e de uma química que surpreende.
Em contrapartida, a coluna de Lady Whistledown perdeu o fator choque desde que a verdadeira autora veio à tona. A voz de Penelope Featherington, papel de Nicola Coughlan, já não espalha escândalos e, de acordo com as análises, deixa a corte — e a própria série — com menos combustível fofoqueiro. Também chama atenção a postura mais conformada de Eloise Bridgerton, interpretada por Claudia Jessie, que troca os debates feministas afiados por conversas breves e pouco profundas.
Imagem: Divulgação
Direção, roteiro e recepção visual
Os quatro capítulos exibidos reiteram o cuidado com a direção de arte: cenários suntuosos e paletas de cores vivas criam um universo quase onírico, alinhado à proposta de conto de fadas. A equipe de figurino coleciona elogios pela criatividade nas máscaras e na fusão de referências da Regência com ousadia moderna, recurso que permanece como marca registrada.
No entanto, o roteiro escorrega ao diluir conflitos que sustentariam a tensão do baile de máscaras. O espectador descobre rapidamente a identidade da Lady in Silver, enfraquecendo o suspense. Essa crítica ecoa em publicações que compararam o desempenho ao de outros dramas de ritmo acelerado, como a minissérie Vanished, citada como exemplo de trama que perde força quando se apoia demais em revelações apressadas.
Vale a pena maratonar?
Com nota média 7/10, Bridgerton 4ª temporada – Parte 1 entrega um romance crível e atuações seguras de Luke Thompson e Yerin Ha, elementos apontados como principais atrativos pelos especialistas. Quem acompanha a franquia encontrará a familiar combinação de figurinos exuberantes, trilha pop em formato clássico e diálogos espirituosos.
Por outro lado, a pressa em revelar segredos, a menor relevância da coluna de Lady Whistledown e a diluição de temas sociais — especialidade de Eloise — podem frustrar parte do público. Ainda assim, o cenário de Londres em 1820 e o baile organizado por Violet produz momentos visualmente marcantes.
Com mais quatro episódios a caminho e diversas tramas pendentes, a temporada tem espaço para recuperar fôlego e aprofundar conflitos. Até lá, o saldo indica que o conto de fadas de Benedict mantém o charme, ainda que precise dividir o palco com histórias que nem sempre atingem o mesmo brilho.



