O catálogo do Prime Video acaba de receber Cometerra, uma série que mistura realismo mágico com a dura crônica policial. A produção mexicana não é um drama adolescente comum. É uma história sombria de “superpoderes” que nascem não da fantasia, mas da própria terra ensanguentada.
Esqueça os heróis de capa. Cometerra nos joga na periferia da Cidade do México. A protagonista não encontra um anel mágico; ela descobre um dom visceral. Ao comer terra, ela pode se conectar com o solo e ouvir os ecos das vítimas de crimes violentos que ali estão enterradas.
Cometerra: A história da garota que come terra para ouvir os mortos
A narrativa foca em uma garota da periferia da Cidade do México. Ela vive em um bairro onde os cartazes de “desaparecidos” são mais comuns que a esperança.
Sua vida muda quando ela descobre seu dom (ou maldição). Ao provar a terra de um local, ela se conecta ao solo e ouve os ecos das tragédias que ali ocorreram, sentindo a dor das vítimas de feminicídio e violência.
Ela usa essa habilidade macabra para tentar resolver crimes que a polícia ignora. Mas, ao dar voz aos mortos, ela atrai a atenção dos assassinos.
Ela se une a outros amigos marginalizados para confrontar não apenas os criminosos, mas seu próprio passado conturbado.
O sabor amargo da justiça
Cometerra usa a fantasia como a ferramenta mais honesta para falar da realidade. A série se recusa a ser um simples thriller policial. Ela transforma a dor crônica da violência no México em uma habilidade sobrenatural, uma forma de realismo mágico que lembra a obra de Juan Rulfo.
A direção de Daniel Burman foca na crueza. O poder da protagonista não é bonito; é doloroso, sujo, quase um vício. A obra argumenta que para encontrar os mortos, em uma terra que os engole, é preciso primeiro comer a morte.
O elenco e a produção que dão voz à terra
Cometerra é uma produção original da Amazon Studios, dirigida por nomes como Daniel Burman (O Abraço Partido). A obra conta com um elenco de peso do cinema mexicano.
Yalitza Aparicio, que o mundo conheceu em Roma e que se tornou um símbolo de representatividade, retorna em um papel que mais uma vez dá voz aos marginalizados.

A jovem Lilith Curiel tem a tarefa central de interpretar a “comedora de terra”; sua performance precisa equilibrar a dor de seu poder com a resiliência da juventude.
E nomes como Harold Torres (Zeroville) e Mabel Cadena (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre) trazem a intensidade que a obra precisa. Se você busca um drama que usa o fantástico para fazer um comentário social forte, na veia de Tigers Are Not Afraid, esta é a sua próxima parada.
Cometerra nos deixa com uma verdade desconfortável: em uma terra marcada pela violência, a única forma de encontrar justiça é, literalmente, desenterrando-a.
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