A figura de Aileen Wuornos já foi imortalizada no cinema por Charlize Theron em Monster. Agora, um novo documentário, Aileen: A História de uma Serial Killer, promete ir além da dramatização, usando áudios inéditos para desenterrar a história real de uma das assassinas em série mais complexas da América.
A produção, com 1 hora e 42 minutos, chegou à Netflix e de forma alguma tenta apenas recontar os crimes. Aileen: A História de uma Serial Killer nos joga no corredor da morte para ouvir a própria Aileen. É um mergulho na psique de uma mulher que foi, ao mesmo tempo, uma vítima de abuso extremo e uma agressora letal.
A história de Aileen: A História de uma Serial Killer
Entre 1989 e 1990, a Flórida foi aterrorizada por uma série de assassinatos. Sete homens, todos encontrados mortos a tiros. A investigação aponta para uma única suspeita: Aileen Wuornos, uma prostituta que vivia nas estradas.
A narrativa reconstitui a caçada e a captura. Mas o foco se move rapidamente para o julgamento. Wuornos alega em alto e bom som que todos os assassinatos foram em legítima defesa, uma reação a estupros violentos.
O documentário usa os depoimentos e as confissões contraditórias de Aileen para nos colocar diante de uma pergunta: ela era uma mentirosa patológica ou a vítima de um sistema que se recusou a ouvi-la em Aileen: A História de uma Serial Killer?
A luta entre a vítima e o monstro
A direção de Emily Turner foca na dualidade de Aileen. O filme se recusa a dar uma resposta fácil. Ele justapõe os fatos frios dos crimes com a história documentada de abuso que Wuornos sofreu desde a infância.
O trunfo do documentário são os áudios inéditos do corredor da morte. Ouvir a voz dela, cheia de raiva, confusão e, por vezes, uma lucidez aterrorizante, é o que perturba. A obra não pede que você a perdoe; pede que você a entenda. Ela desmonta o monstro do cinema para mostrar a mulher real, e o resultado é ainda mais assustador.
A equipe por trás da autópsia de um caso encerrado
Imagem: Divulgação/Aileen: A História de uma Serial Killer
A direção do documentário é de Emily Turner. Sendo um “true crime”, a obra é definida pela sua figura central. Aileen Wuornos (em imagens de arquivo e áudios) é o sol sombrio ao redor do qual a história orbita.

A produção também traz depoimentos de investigadores que a caçaram e especialistas que analisaram o caso, criando um retrato multifacetado. O filme se diferencia de Monster (2003) ao trocar a atuação premiada pelos fatos crus. Com nota 6.2/10 no IMDb, a obra não é uma unanimidade.
Seu valor está na pesquisa. Se você se interessa por “true crime” que vai além do “quem matou?” e mergulha no “por quê?”, este documentário é uma peça essencial no quebra-cabeça de Aileen Wuornos.
A obra nos deixa com a imagem de uma mulher quebrada. E com a certeza de que, na história de Aileen Wuornos, a única verdade simples é que nunca houve uma.
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