A quarta temporada de The Witcher chegou à Netflix com o peso de um recomeço e a promessa de restaurar a confiança abalada após o fiasco da terceira. No entanto, o resultado é um trabalho que parece dividido entre corrigir o passado e temer o futuro.
The Witcher é visualmente linda, mas emocionalmente esvaziada. Uma fantasia que ainda soa grandiosa, mas perdeu a centelha que a tornava irresistível. O novo ciclo tenta reencontrar a identidade da série, mas se perde na indecisão. O que deveria ser uma retomada se transforma em um longo exercício de contenção, um mundo que brilha por fora, mas soa oco por dentro.
The Witcher tenta lidar com a difícil herança de Henry Cavill
A estreia de Liam Hemsworth como Geralt de Rivia é, claro, o ponto de maior curiosidade. E, em certo sentido, também o maior desafio. Substituir Henry Cavill, um ator que carregava o papel com carisma e ironia, seria uma tarefa ingrata para qualquer intérprete.
Hemsworth entrega um Geralt mais contido e menos imponente. A fisicalidade está presente, as cenas de ação ainda estão bem coreografadas, mas o magnetismo desapareceu.
Falta o sarcasmo seco, a ambiguidade que Cavill dominava com um simples olhar. Em seu lugar, surge um protagonista tecnicamente eficiente, mas emocionalmente neutro.
Ainda assim, seria injusto responsabilizar Hemsworth pelo tom irregular da quarta temporada de The Witcher. O problema é estrutural, está no roteiro, não no elenco.
Roteiro sem alma
A nova temporada busca um “soft reboot”, recolocando Geralt, Yennefer e Ciri no centro emocional da trama. A ideia é boa, mas a execução revela preguiça. O texto recicla conflitos, evita riscos e parece incapaz de oferecer algo realmente novo.
A relação entre Yennefer e Ciri, que poderia ser o coração da narrativa, é desperdiçada em diálogos genéricos e reviravoltas previsíveis. Já Geralt vaga por episódios desconectados, como se cada um pertencesse a uma série diferente.
Até o humor entre Geralt e Jaskier, um dos pilares do charme original, perdeu a leveza. O timing cômico desapareceu, substituído por piadas mecânicas que soam ensaiadas. É um sintoma claro: The Witcher ainda não sabe para onde quer ir.
O peso da estética sobre o conteúdo
Visualmente, The Witcher continua impressionando. Figurinos detalhados, efeitos bem finalizados e fotografia primorosa sustentam o alto padrão da Netflix. Mas é uma beleza que mascara o vazio narrativo. Há grandes cenas que parecem não significar nada.
Em alguns momentos, a série lembra produções antigas como Hércules ou Xena: A Princesa Guerreira, porém com a ambição de ser uma fantasia séria.
O problema é que o tom épico não combina com a superficialidade dos roteiros. O resultado é uma história que parece existir apenas para exibir o orçamento. Ser bonita, aqui, é quase uma armadilha: tudo brilha, mas nada emociona.
O respiro vem de Yennefer
Entre todas as personagens, é Yennefer quem ainda carrega o coração da série. Anya Chalotra oferece a atuação mais consistente e madura da temporada. Seu arco é o único que parece evoluir, sustentando a tensão emocional que falta ao resto.
O episódio “The End of the Line” (Ep. 6) sintetiza esse momento raro de sintonia entre roteiro, direção e emoção. É o ponto alto da temporada, e talvez o único que realmente lembre por que The Witcher um dia foi uma das séries mais aclamadas da Netflix.
Entre o passado e o que vem depois

A quarta temporada de The Witcher não é um desastre, mas tampouco é um retorno triunfante. É uma série em crise de identidade, oscilando entre o desejo de ser épica e o medo de errar. Fica no meio do caminho, prisioneira da própria hesitação.
É provável que a quinta e última temporada defina o legado definitivo da franquia. Há talento, há potencial, mas falta direção e, principalmente, coragem.
Nota do TaNoStreaming: 5.0 / 10
Uma série que sobrevive pelo que já foi, não pelo que é.
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NOTA5









