Bryan Kohberger, condenado pelos assassinatos de quatro estudantes de Idaho em 2022, protocolou uma petição de revisão pós-condenação para tentar anular a própria confissão e conseguir um novo julgamento. O pedido foi apresentado numa segunda-feira de agosto de 2026, dias depois da estreia do documentário Os Assassinatos de Idaho: Pesadelo Universitário, da Netflix, que fecha justamente com a condenação dele.
O movimento chama atenção porque Kohberger havia se declarado culpado sob juramento em julho de 2025, aceitando um acordo que o livrou da pena de morte. Agora, ele diz que aquela confissão foi forçada e que é inocente.
Resumo rápido
- Kohberger protocolou petição de revisão pós-condenação numa segunda-feira de agosto de 2026, no tribunal do condado de Ada, segundo CNN e ABC News.
- Ele alega assistência jurídica ineficaz e diz ter sido induzido a fazer uma confissão falsa em julho de 2025.
- A janela legal para esse tipo de pedido em Idaho se fecha na primeira semana de setembro de 2026, o que explica o timing da ação.
- A petição ocorre dias após a estreia da série documental da Netflix sobre o caso, que mostra o desfecho com a condenação dele.
- Especialistas jurídicos consultados pela imprensa americana avaliam como improvável o sucesso do pedido.
O que Kohberger protocolou e por que agora
Kohberger, hoje com 31 anos, cumpre quatro penas de prisão perpétua consecutivas, sem direito a condicional, pelos assassinatos cometidos na madrugada de 13 de novembro de 2022 em uma casa alugada perto do campus da Universidade de Idaho, na cidade de Moscow. Em julho de 2025, ele fechou um acordo com a promotoria: se declarou culpado de quatro homicídios em primeiro grau e um crime de invasão, e escapou da pena de morte.
Segundo a CNN e a ABC News, ele mesmo redigiu à mão a petição de revisão pós-condenação e a protocolou sozinho, sem advogado, no tribunal do condado de Ada. O documento pede a anulação da confissão e a reabertura do julgamento que ele próprio evitou ao aceitar o acordo.
O cronômetro legal por trás do timing
O detalhe que explica o “agora” é jurídico, não emocional. Pela lei de Idaho, quem quer pedir revisão pós-condenação tem uma janela de cerca de um ano após a sentença, e essa janela se fecha na primeira semana de setembro de 2026 no caso de Kohberger.
Há ainda outro fator: ao aceitar o acordo em julho de 2025, Kohberger renunciou ao direito de recorrer da sentença. Sem esse caminho, a revisão pós-condenação virou a única porta ainda aberta, e ela estava prestes a se fechar de vez.

As alegações de Kohberger na petição
No documento, ele afirma ter tido assistência jurídica ineficaz e diz ter sido convencido a fazer uma confissão falsa. A alegação central é que a defesa não teria revisado provas capazes de inocentá-lo e o pressionou a aceitar o acordo com promessas não cumpridas, além de descrever um cenário assustador sobre a vida no corredor da morte para empurrá-lo ao acerto.
Em paralelo, Kohberger enviou uma declaração ao The New York Times por meio da família, na qual afirma ser inocente. É a primeira vez que ele fala publicamente em não ter cometido os crimes, depois de ter dito exatamente o contrário sob juramento diante do juiz.
Minha verdadeira inocência é minha verdade.
Bryan Kohberger, em declaração enviada pela família ao The New York Times (tradução livre)
Ele tem chance real de conseguir?
Especialistas jurídicos ouvidos pela imprensa americana avaliam como improvável o sucesso da petição. Depois da sentença aplicada, a lei de Idaho só permite desfazer uma confissão em caso de “injustiça manifesta”, um padrão considerado altíssimo pelos analistas consultados.
Na prática, Kohberger precisaria convencer um juiz de que assinou o acordo sem entender o que fazia, sem liberdade real de escolha ou diante de um erro grave e concreto no processo. O problema é que, na audiência de mudança de declaração, ele respondeu por escrito e em voz alta que agia de forma voluntária, sem promessas escondidas, e que se declarava culpado por ser culpado — tudo isso acompanhado de quatro advogados.

O documentário da Netflix e a ironia do caso
A série Os Assassinatos de Idaho: Pesadelo Universitário, disponível na Netflix desde agosto de 2026 com três episódios, foi construída em cima de um desfecho fechado: o assassino confessou, foi condenado e a Justiça, enfim, saiu. Boa parte do material inédito usado no documentário, como imagens de câmeras corporais da polícia e registros da investigação, só veio a público depois que Kohberger se declarou culpado e a mordaça judicial caiu.

É essa mesma confissão que ele tenta desmontar agora, no momento em que a série mostra sua versão mais recente ao público. As vítimas dos assassinatos em Moscow foram Madison Mogen, Kaylee Goncalves, Xana Kernodle e Ethan Chapin, e os episódios recentes do caso, incluindo os desdobramentos com sobreviventes e familiares, seguem sendo acompanhados de perto desde a estreia da produção na Netflix.



