Denis Villeneuve deixou claro: quem espera uma transposição fiel do livro para as telas vai se surpreender. Em evento de imprensa que exibiu um novo trailer de Dune: Parte Três, o diretor confirmou que o terceiro filme vai se afastar do romance Duna Messias, de Frank Herbert, em vários pontos da trama.
O encontro com a imprensa, do qual participou o site ComicBook.com, reuniu elenco e equipe para falar sobre o desfecho da trilogia. A pergunta central era simples: o quanto Dune: Parte Três realmente vai seguir o segundo livro de Herbert? A resposta de Villeneuve foi direta, e importa porque ajuda a calibrar a expectativa de quem já leu a obra original antes da estreia, marcada para 18 de dezembro de 2026.
O que Villeneuve disse sobre as mudanças em relação ao livro
Segundo o diretor, ele não se sente obrigado a seguir Duna Messias letra por letra. A ideia é usar o romance como ponto de partida, não como roteiro pronto.
Seria melhor voltar a Arrakis não por nostalgia, mas por necessidade.
Denis Villeneuve, diretor, em evento de imprensa relatado pelo ComicBook.com, em tradução livre
Villeneuve também comandou o roteiro dos três filmes, e os dois primeiros já deixaram evidente que sua leitura de Herbert tem liberdade autoral. A diferença agora é que ele admite abertamente que não quer repetir fórmulas.
Eu disse para minha equipe: ‘não quero que a gente ande sobre nossos próprios passos’. Quero levar o público para novas partes de Arrakis… É mais um thriller. É uma história mais intensa. E é definitivamente mais emocional.
Denis Villeneuve, diretor, em evento de imprensa relatado pelo ComicBook.com, em tradução livre
Timothée Chalamet confirma tom diferente para o desfecho
Timothée Chalamet, que volta como Paul Atreides, reforçou o discurso do diretor durante o mesmo evento. Para o ator, os dois primeiros filmes formam um par quase gêmeo, enquanto o terceiro segue outro caminho.
Este é um filme diferente. Os dois primeiros são meio que irmãos. Este tem sua própria energia… Há um tom novo.
Timothée Chalamet, ator, em evento de imprensa relatado pelo ComicBook.com, em tradução livre
A trama de Dune retoma Paul anos depois de ele ter iniciado uma guerra santa, liderando os fremen numa jihad contra as casas nobres do império galáctico. Anunciado como Lisan al Gaib, a figura messiânica da profecia, Paul aparece mais distante e implacável, o que gera atrito dentro da própria casa e tensiona sua relação com Chani (Zendaya) e com a esposa, a Princesa Irulan (Florence Pugh).

Por que essa mudança de rumo faz sentido para a franquia
Duna Messias, publicado por Herbert como sequência direta do primeiro romance, existe justamente para desconstruir o herói criado em Dune. O livro mostra facções e guildas se unindo para conter o poder quase absoluto de Paul, numa espécie de queda de graça do protagonista.
Faz sentido, então, que Villeneuve descreva o terceiro filme como mais sombrio, intenso e emocional que os dois anteriores: essa é a proposta do próprio material de origem, só que filtrada pela visão do diretor. Os dois primeiros filmes já eram, na prática, uma adaptação livre do primeiro romance, e essa lógica se mantém aqui, com Hans Zimmer retornando para assinar uma trilha sonora com abordagem diferente das anteriores, segundo o site Gizmodo.
O primeiro trailer, divulgado em 17 de março de 2026, já sugeria uma guinada mais pessoal e sombria na história, incluindo pistas sobre um possível filho de Paul e Chani — algo que ainda não tem confirmação oficial sobre como será tratado no roteiro. Com as filmagens concluídas em novembro de 2025, entre Budapeste e Abu Dhabi, o que resta agora é aguardar a chegada de Dune aos cinemas para ver até onde vai essa liberdade criativa em relação ao livro que encerra a jornada de Paul Atreides.
Fonte principal: ComicBook. Informações complementares: Gizmodo, The Guardian e Wikipedia.



