A segunda temporada de A Agência chegou ao Paramount+ em 21 de junho de 2026, com todos os 10 episódios disponíveis de uma vez. Depois de uma primeira temporada que funcionou bem mas ainda buscava seu ritmo, a série de espionagem criada por Jez Butterworth e John-Henry Butterworth dá um salto considerável — e a diferença se sente logo nos primeiros episódios.
Resumo rápido
- Estreia: 21 de junho de 2026 no Paramount+
- Episódios: 10, disponíveis simultaneamente
- Elenco principal: Michael Fassbender, Jeffrey Wright, Richard Gere, Jodie Turner-Smith
- Novidades: Keanush Tafreshi (Hassan) e Clayne Crawford (Viking) entram na segunda temporada
- Origem: Adaptação do drama francês Le Bureau des Légendes
O que muda no ritmo e no tom da série
A primeira temporada de A Agência apostava em um ritmo deliberadamente lento — aquele tipo de espionagem que se constrói mais em silêncio do que em ação. Funcionou em partes, mas havia momentos em que a tensão política não se sustentava bem.
A segunda temporada corrige isso sem perder o que a série tem de melhor. O ritmo está mais acelerado, a urgência é maior, e as cenas de negociação e recrutamento carregam um peso que na primeira temporada às vezes escapava. Não é uma série de tiro a cada episódio — e nem deveria ser — mas quando a ação aparece, ela choca e surpreende de verdade.
O segredo de Martian, revelado no final da primeira temporada — ele trocou de lado e passou a trabalhar para os britânicos —, funciona como motor narrativo central aqui. Há uma sensação constante de que qualquer passo em falso pode custar caro, e isso mantém até os momentos mais quietos carregados de significado.

O elenco que sustenta a série do começo ao fim
Michael Fassbender como Martian continua sendo o centro gravitacional da história. Há uma ambiguidade no personagem que ele carrega com precisão: encantador e perigoso na mesma cena, capaz de cenas genuinamente afetuosas com a filha Poppy — vivida por India Fowler — e ao mesmo tempo articulando traições com frieza total. É o tipo de performance que faz a série funcionar mesmo quando o roteiro exige mais do que entrega.
Jeffrey Wright como Henry tem uma gravidade em cena que transforma o personagem em algo raro numa série de espionagem: alguém por quem você torce e desconfia ao mesmo tempo. Richard Gere traz uma calma calculada a Bosko que funciona muito bem como contraponto ao restante do elenco — o veterano que ainda sabe o peso do que está em jogo.
Na segunda temporada, Saura Lightfoot-Leon finalmente ganha espaço à altura do potencial que a série prometia no personagem Danny desde o início. A missão que ela carrega nesta temporada é crucial e muito mais envolvente do que qualquer arco que teve na primeira. John Magaro como Owen mantém o carisma que já era um dos pontos altos antes, e Ambreen Razia como Blair cresce de forma surpreendente.
Entre as novidades, Keanush Tafreshi como Hassan aparece ligado à missão no Irã e tem uma presença multifacetada ao longo dos episódios. Clayne Crawford como Viking chega com uma energia de operador experiente que a CIA está caçando — e funciona muito bem. A série não desperdiça nenhum dos dois.
Quando a série acerta e quando ainda tropeça
O que mais impressiona em A Agência, temporada após temporada, é a capacidade de fazer cada conversa parecer uma operação de alto risco. As cenas de interrogatório e recrutamento da segunda temporada têm uma tensão que não dependem de explosão ou perseguição — dependem de atuação e roteiro, e aqui ambos entregam.
Dito isso, há uma ressalva relevante: parte da crítica internacional, incluindo o IndieWire, aponta que Fassbender aparece menos do que seria ideal em alguns episódios, e que isso fragiliza o fio narrativo em determinados momentos. É uma queixa que tem fundamento. Quando Martian some da tela por mais tempo, a série sente falta do eixo que ele representa. Os outros personagens sustentam bem, mas o equilíbrio poderia ser mais preciso.
Comparar A Agência com séries como Citadel ou The Night Agent é um exercício útil para entender o que ela escolhe ser. Onde essas produções vão para o espetáculo, esta aposta em construção de personagem e tensão psicológica. É uma escolha que funciona melhor quando a série confia nela sem tentar competir no terreno das outras.
Vale a pena assistir?
Sim, e especialmente para quem acompanhou a primeira temporada com alguma frustração pelos momentos mais arrastados. A segunda corrige as falhas mais claras sem descaracterizar o tom da série.
A Agência não é para quem quer espionagem de ritmo frenético. É uma série que exige atenção, e recompensa quem dá. O elenco é um dos mais completos da televisão de espionagem neste momento — e a segunda temporada usa isso melhor do que qualquer episódio da primeira.
A série é adaptação do drama francês Le Bureau des Légendes, que chegou a cinco temporadas. Se A Agência mantiver essa evolução, há espaço para ir longe. Uma terceira temporada ainda não foi anunciada oficialmente, mas depois do que esta segunda entrega, a pergunta fica no ar com muito mais força do que ficava antes.
O futuro de A Agência após uma segunda temporada que eleva o nível da série
A segunda temporada fecha com um final que abre caminho para o capítulo mais sombrio e tenso que a série já tentou. Se isso vai acontecer depende de uma renovação que ainda não veio — mas A Agência raramente esteve em posição tão boa para justificá-la.
Por ora, os 10 episódios da segunda temporada estão disponíveis no Paramount+. Para quem gosta do gênero, é um dos lançamentos de espionagem mais consistentes de 2026 — e uma das poucas séries que parece melhorar conforme avança.
Fonte principal: screenrant.com. Informações complementares: IndieWire, TV Insider, Paramount+.






