O roteiro de Supergirl — que estreia no Brasil em 25 de junho de 2026 — foi construído do absoluto zero, sem aproveitar uma linha sequer do projeto anterior desenvolvido ainda na era do DCEU. A revelação é da própria roteirista Ana Nogueira, que escreveu as duas versões e confirmou: não há nenhuma continuidade criativa entre elas. A troca de universo significou, na prática, um recomeço completo — da premissa ao destino de Krypton.
Resumo rápido
- Ana Nogueira descartou integralmente o roteiro anterior, escrito para a versão com Sasha Calle no DCEU
- O novo roteiro é baseado na HQ Supergirl: A Mulher do Amanhã, de Tom King e Bilquis Evely (2021–22)
- A adaptação é livre — cenas icônicas da HQ, como o Dragão Psicodélico, ficaram de fora
- Milly Alcock vive Supergirl; Jason Momoa interpreta o caçador Lobo; direção de Craig Gillespie
- Estreia no Brasil: 25 de junho de 2026; estreia mundial: 26 de junho de 2026
Duas versões, zero aproveitamento — e por que isso importa
Quando James Gunn e Peter Safran assumiram o DC Studios em outubro de 2022, uma das primeiras decisões práticas foi redefinir quem seria Supergirl no cinema. Sasha Calle, que havia interpretado a personagem em The Flash (2023), deixou o projeto. No lugar dela, Milly Alcock — conhecida por A Casa do Dragão — foi escalada para estrelar o filme solo dentro do novo universo DC, o DCU.
O que a revelação de Nogueira torna concreto é o tamanho dessa ruptura nos bastidores. Não houve reaproveitamento de ideias, estrutura ou tom. Segundo ela, até a origem da destruição de Krypton foi reformulada — um detalhe que parece técnico, mas é a fundação emocional de qualquer história sobre a prima do Superman. A única herança da versão anterior foi o conhecimento que a própria roteirista acumulou sobre a personagem. Tudo o mais começou do zero.
Isso distingue o Supergirl de 2026 de outras transições de universo que tentaram reaproveitar material preexistente. Aqui, a limpeza foi cirúrgica.

A HQ serviu de bússola, não de roteiro
Supergirl: A Mulher do Amanhã, a minissérie em oito edições lançada entre 2021 e 2022 pelos quadrinistas Tom King e Bilquis Evely, tornou-se uma das histórias mais aclamadas do personagem nas últimas décadas. O tom é o de um faroeste espacial — sombrio, violento e deliberadamente distante da Kara Zor-El convencional dos anos 1980. É esse espírito que o filme busca capturar.
Nogueira, porém, foi direta ao dizer que a adaptação é livre. Vários arcos narrativos e sequências visuais marcantes precisaram ser cortados ou reformulados para o formato cinematográfico. O exemplo mais citado por ela foi o do Dragão Psicodélico — uma das passagens mais visualmente impactantes da HQ, em que Kara enfrenta a criatura sob o efeito de Kryptonita Vermelha. A cena não estará no filme. Dinossauros, mencionados em tom de brincadeira pela roteirista, também ficaram de fora.
A leitura mais honesta disso é que o filme aposta no espírito da obra — uma Kara marcada pelo trauma de Krypton, embarcando em uma jornada de vingança e justiça com a jovem Ruthye — sem tentar reproduzir cada quadro em tela. Para fãs da HQ, isso pode gerar expectativa administrada; para o público geral, pode ser exatamente o recorte necessário para uma história de origem funcionar.

O elenco e o peso do espaço aberto por Gunn
O filme reúne Milly Alcock como Kara Zor-El, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley como Ruthye, David Krumholtz, Emily Beecham e Jason Momoa no papel do caçador de recompensas intergaláctico Lobo — presença que reforça o clima de space opera prometido por Gunn para o projeto. A direção é de Craig Gillespie, cineasta com experiência em retratos de personagens à margem, como em Eu, Tonya.
O peso sobre Alcock é considerável. Ela assume um papel que chegou a ser cotado para Sasha Calle em uma versão de universo completamente diferente, carregando sozinha a responsabilidade de estabelecer Supergirl como pilar do DCU. A escolha de Gillespie como diretor sugere que Gunn quer uma Kara com psicologia real — não apenas poder.
Vale notar ainda que Ana Nogueira foi escalada para escrever outros projetos dentro do DCU, incluindo os filmes de Mulher-Maravilha e Jovens Titãs. Isso coloca Supergirl como uma espécie de estreia de fato da roteirista dentro da nova estrutura do estúdio — um teste de tom e eficácia narrativa com impacto direto em projetos futuros.
| Elemento | Versão anterior (DCEU) | Versão atual (DCU) |
|---|---|---|
| Atriz | Sasha Calle | Milly Alcock |
| Roteiro | Descartado integralmente | Novo, baseado na HQ de Tom King |
| Origem de Krypton | Versão diferente | Reformulada |
| Base criativa | Não especificada | Supergirl: A Mulher do Amanhã |
| Direção | Não definida | Craig Gillespie |
| Estreia no Brasil | — | 25 de junho de 2026 |
O que isso significa
A revelação de Nogueira não é apenas bastidor criativo — é um indicador do tamanho da aposta que Gunn está fazendo. Recomeçar do zero, em vez de reaproveitar o trabalho existente, significa que o DCU não quer carregar nem os resíduos narrativos do universo anterior. O risco é real: o filme precisa funcionar como apresentação de personagem, adaptação de HQ e lançamento de franquia ao mesmo tempo, sem o suporte de títulos anteriores do mesmo universo.
Para o público brasileiro, que verá o filme um dia antes do lançamento mundial — em 25 de junho de 2026 —, a questão prática é saber que se trata de uma obra que se propõe a começar sem dívidas com o passado. Quem entrar sem ter lido a HQ de Tom King e Bilquis Evely não terá nenhuma desvantagem. E quem entrar tendo lido precisará abrir mão de pelo menos algumas cenas favoritas.









