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    Início » Crítica | O adeus de Ash e Pikachu muda o rumo do anime Pokémon
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    Crítica | O adeus de Ash e Pikachu muda o rumo do anime Pokémon

    Matheus AmorimBy Matheus Amorimmarço 25, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Quase três décadas depois de apresentar o universo de monstrinhos a milhões de espectadores, o anime Pokémon vive seu momento de virada. A despedida de Ash Ketchum e Pikachu, parceria que definiu o tom da franquia na TV, obriga a produção a repensar personagens, tramas e, principalmente, o carisma que sustentou a série por tanto tempo.

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    Nesta análise, olhamos para a performance do elenco de voz, destacamos escolhas de direção e roteiro que moldaram a jornada de Pallet Town ao topo do mundo, e avaliamos como a equipe criativa prepara terreno para a nova fase protagonizada por Liko e Roy. Tudo sem perder de vista os fatos que transformaram Ash em sinônimo de anime Pokémon.

    Uma dupla inesquecível no centro da aventura

    A construção do anime Pokémon girou, desde 1997, em torno da relação entre Ash e seu Pikachu. Inspirado no Red dos jogos de Game Boy, o garoto de boné rapidamente ganhou identidade própria graças à interpretação vibrante de Rica Matsumoto (voz original de Satoshi). A atriz mantém, episódio após episódio, uma energia juvenil que acompanha a evolução do personagem, dos tropeços nos primeiros ginásios ao título mundial obtido décadas depois.

    Do outro lado, Ikue Otani transformou simples onomatopeias em emoções completas. Com variações sutis de entonação, a dubladora consegue transmitir raiva, alívio ou cumplicidade apenas repetindo o nome “Pikachu”. Esse trabalho vocal consolidou a mascote como rosto (e som) oficial da marca, algo raríssimo em séries longas.

    Crescimento de Ash como protagonista e reflexo nos roteiros

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    Os roteiristas Junki Takegami, Atsuhiro Tomioka e Takeshi Shudo entenderam cedo que a jornada valia mais do que as vitórias. O roteiro manteve Ash em constante processo de aprendizagem, intercalando triunfos como a Liga Laranja com derrotas famosas – lembre o revés na Conferência Índigo que o deixou fora do Top 8. Esse vai-e-vem garantiu identificação com o público infantil, que via no herói a própria experiência de tentativa e erro nos jogos.

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    A evolução culmina na conquista do Campeonato Mundial contra Leon, resultado que fecha um arco de 25 anos. O roteiro de Pokémon Journeys utiliza flashbacks pontuais para destacar antigas amizades e, ao mesmo tempo, pavimentar a despedida sem recorrer a fan service exagerado. O acerto está em amarrar o passado sem deixar pontas para o futuro elenco.

    Direção segura e trilha nostálgica sustentam a longa duração

    Manter consistência visual e rítmica por quase trinta anos exige revezamento de comandantes. Nomes como Shigeru Omachi, Fumihiro Ueno e Tomoe Makino assumiram a direção de diferentes arcos, mas conservaram códigos visuais que o espectador reconhece de imediato: enquadramentos abertos para batalhas, close em reações faciais de Pokémon e humanos, e transições que destacam o humor pastelão da Equipe Rocket.

    A música, composta para despertar nostalgia, reforça esse pacote. Ao reaparecer o tema original em momentos-chave, a direção sonora ativa a memória afetiva do fã, estratégia vista no arco final To Be a Pokémon Master. O resultado é um ritmo familiar, mesmo quando a história experimenta novos continentes ou estilos de animação.

    Crítica | O adeus de Ash e Pikachu muda o rumo do anime Pokémon - Imagem do artigo original

    Imagem: Divulgação

    O futuro do anime Pokémon sem seu protagonista histórico

    Com a saída de cena da dupla mais famosa, Pokémon Horizons introduz Liko, Roy e o carismático Capitão Pikachu sob supervisão do Professor Friede. A proposta abre espaço para temáticas diferentes, como mistérios arqueológicos e viagens em dirigível, ao invés de percorrer rotas tradicionais de ginásios.

    A troca também renova o elenco de voz, mas carrega o legado gigantesco de Matsumoto e Otani. Ainda é cedo para medir a aceitação, porém a série aposta em contraste: Liko traz timidez calculada, enquanto Roy representa entusiasmo puro. Essa dinâmica remete, de longe, ao equilíbrio entre Ash e seus primeiros companheiros, recurso de identificação que pode atrair novatos e veteranos.

    Vale lembrar que a região de Kalos, marcada por fortes competidores, já mostrou como novos treinadores podem cativar o público; basta ver como os treinadores mais fortes da região de Kalos continuam na memória coletiva. A aposta da produção, portanto, é repetir esse efeito em escala global.

    Vale a pena assistir?

    Para quem acompanhou Ash desde o despertar atrasado em Pallet Town, o arco final funciona como celebração de conquistas e despedida afetiva. Já Pokémon Horizons convida o espectador a recomeçar, preservando os alicerces de amizade e aventura que definem o anime Pokémon.

    O Salada de Cinema seguirá de olho nos próximos passos dessa franquia que, mesmo sem seu herói clássico, ainda carrega potencial para mais três décadas de histórias.

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    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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