Shinra Kusakabe some logo nos primeiros minutos e deixa o 17º episódio da terceira temporada de Fire Force, exibido em 6 de fevereiro de 2026, à beira do colapso. A partir daí, a trama abraça o caos que os White-Clad tanto desejam, enquanto Companhia 8 corre para conter o início do Grande Cataclismo.
Com roteiro que alterna drama pesado e uma pausa cômica na vida escolar do protagonista, o capítulo dirigido por Minamikawa Tatsuma mantém o ritmo explosivo da parte 2. Mesmo sem o herói em cena, o anime entrega batalhas vistosas, aumenta a tensão política e dá chance para coadjuvantes brilharem.
Direção que equilibra catástrofe e humor
Minamikawa demonstra mão firme ao orquestrar a escalada da ameaça: o aparecimento do Oitavo Pilar, a combustão humana em massa e a chegada de Raffles I que literalmente redesenha o céu. Cada quadro reforça a urgência, mas o diretor dosa o peso com um flashback escolar de Shinra que oxigena o espectador antes do novo embate.
O recuo cômico não vira muleta. Assim que volta à linha principal, a direção investe em cortes rápidos e enquadramentos abertos para destacar o aumento de infernais pelas ruas — estratégia cinematográfica parecida com a usada em animes de fantasia sombria como Hell’s Paradise. O resultado mantém o senso de espetáculo e evita que a narrativa se torne exaustiva.
Roteiro amplia o papel dos coadjuvantes
O roteiro, adaptado diretamente do mangá de Atsushi Ohkubo, move Shinra, Sho e Sister Iris para fora do tabuleiro via Adola, decisão que transfere os holofotes para Capitão Obi, Maki, Arthur e companhia. Essa troca de foco valoriza arcos pessoais antes deixados de lado e mostra a força coletiva da Companhia 8.
Ao mesmo tempo, o texto reforça o antagonismo ideológico: os White-Clad pregam que o ser humano anseia pela autodestruição, enquanto Obi e seus soldados acreditam na evacuação e na proteção de civis. O conflito moral adiciona camadas ao espetáculo pirotécnico.
Imagem: Divulgação
Vozes e animação incendiárias
Sem atores de carne e osso, Fire Force depende da performance dos dubladores. Gakuto Kajiwara (Shinra) participa pouco, mas entrega desespero genuíno no breve reencontro com Raffles. Destaque mesmo fica para Kenichi Suzumura (Obi), cuja voz rouca transmite determinação quando a Companhia 8 decide ignorar ordens superiores para resgatar a população.
O estúdio David Production sobe a aposta na animação do confronto contra dezenas de infernais. Há fluidez extra nos golpes de Arthur e na ofensiva de Maki, coroando uma sequência na qual um personagem inesperado — cuja identidade o episódio guarda como surpresa — assume o posto de MVP. O pulso visual só é quebrado por efeitos de gravidade distorcida criados por Faerie, vilão que impede Shinra de voar.
Minamikawa orquestra o prenúncio do Grande Cataclismo
A presença de apenas um Pilar restante antes da destruição total estabelece contagem regressiva clara. O diretor usa isso para construir clímax parcial: Honda lança ataque massivo que falha, Raffles surge do pilar e altera o clima, e Shinra desaparece. Cada evento amplia a sensação de que a próxima batalha pode ser a derradeira.
Essa progressão de ameaças também se reflete na trilha sonora, que intercala corais litúrgicos — ecoando o fanatismo dos White-Clad — com percussão acelerada nas lutas. O resultado envolve o público e mantém a série entre as produções comentadas do Salada de Cinema.
Vale a pena assistir?
Mesmo sem seu protagonista em campo por boa parte do tempo, Fire Force Season 3 Episode 17 sustenta adrenalina graças à direção inspirada, roteiro que distribui holofotes e dublagens carregadas de emoção. Para quem acompanha a saga desde o início ou aprecia animes que misturam ação, religião distorcida e humor pontual — na linha de Frieren: Beyond Journey’s End em momentos de respiro —, o episódio é parada obrigatória.









