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    Crítica de Pluribus da Apple TV+ (2025)

    Pluribus é uma das séries em alta, mas os seus episódios não agradaram a todos.
    Matheus AmorimBy Matheus Amorimnovembro 17, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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    Pluribus
    Imagem: Divulgação/Pluribus - Apple TV+
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    Vince Gilligan carrega um peso que poucos criadores de TV conhecem tão de perto: o de tentar superar (ou ao menos acompanhar) o impacto cultural de Breaking Bad e Better Call Saul. Por isso, cada novo projeto seu vem carregado de expectativa, ansiedade e comparações inevitáveis. Pluribus — ou Plur1bus, como aparece estilizado na série e no material promocional, nasce exatamente dentro dessa pressão.

    Venceu uma acirrada disputa de plataformas até ser adquirida pelo Apple TV+ e, por ser o primeiro verdadeiro projeto de Gilligan após o encerramento do universo BB/BCS, chega como um teste decisivo.

    Antes mesmo da estreia, o histórico do criador já sinalizava que nem tudo que ele toca se transforma em ouro: Battle Creek foi cancelada após 13 episódios, The Lone Gunmen nunca encontrou fôlego e AMPED sequer passou da fase piloto.

    A lembrança desses tropeços é útil porque posiciona Pluribus no lugar correto: uma obra que tenta, arrisca e nem sempre acerta. E, nos três primeiros episódios, essa sensação é evidente.

    Crítica de Pluribus: a série tem uma premissa forte, mas a execução é hesitante

    A história acompanha Carol (Rhea Seehorn), apresentada como a pessoa “mais infeliz do mundo”, alguém cuja existência é marcada por uma espiral de caos, desesperança e um pessimismo que flerta com o absurdo.

    Há também a premissa de que ela, de alguma forma, será peça central na salvação do planeta — não do apocalipse, mas da felicidade exagerada que ameaça tomar conta da humanidade.

    É uma ideia que combina ficção científica, drama psicológico e comédia sombria. Na teoria, uma combinação promissora. Na prática, porém, Pluribus não engrena.

    O que reparamos do episódio 1 ao 3

    Do episódio 1 ao 3, muito pouco realmente acontece. A série parece confortável demais em repetir a mesma lógica narrativa: mostrar o quão desoladora é a vida de Carol, reforçar o surrealismo da situação e mergulhar mais fundo no desconforto emocional da personagem.

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    O problema não está na abordagem em si, mas na falta de progressão. Gilligan sempre foi mestre em fazer do pequeno, grande, mas aqui, até o momento, o pequeno permanece pequeno.

    A sensação é de que estamos assistindo ao mesmo capítulo com roupagens diferentes. Falta movimento. Falta urgência. Falta o ponto de virada.

    Uma protagonista impecável sem material à altura

    É impossível negar que Rhea Seehorn continua brilhante. Depois de sua consagração como Kim Wexler, ela mostra novamente que sabe dosar fragilidade, ironia, desespero e intensidade com naturalidade impressionante. Sua Carol é ao mesmo tempo desconfortável e magnética.

    Mas existe um limite para o que um ator pode fazer quando o roteiro insiste em reforçar um único aspecto emocional. Já entendemos quem Carol é, mas a série, no entanto, parece não confiar que o público tenha percebido, e insiste em repetir. Repetir. Repetir.

    Karolina Wydra e Miriam Shor acrescentam nuances importantes ao núcleo dramático, mas também ficam presas em situações que parecem impedir seus personagens de evoluir.

    Parte técnica impecável, mas subaproveitada

    Se Pluribus falha em sua narrativa, o mesmo não pode ser dito de sua execução técnica. A direção é precisa, o tom visual é cuidadosamente estabelecido e a fotografia cria um contraste muito bem pensado entre a melancolia da protagonista e um mundo que parece sempre um passo além do real.

    Muitos
    Imagem: Divulgação/Pluribus – Apple TV+

    Gilligan e sua equipe sabem construir atmosfera — isso é inegável. Mas atmosfera sem avanço dramático esgota seu impacto. A série aposta tanto em sua estética e em seu estranhamento controlado que acaba esquecendo de entregar aquilo que torna uma história envolvente: uma trajetória clara.

    Uma comédia dramática que não decide onde quer chegar

    O humor de Pluribus é peculiar, às vezes incômodo, às vezes brilhante. Há boas ideias sobre o absurdo da felicidade forçada, sobre uma sociedade obcecada com positividade e sobre o descompasso emocional de quem simplesmente não se encaixa.

    Porém, no início da temporada, tudo permanece mais como conceito do que como narrativa. Gilligan acerta no tom, mas erra no ritmo. Acerta no elenco, mas hesita no desenvolvimento. Acerta na proposta, mas não na entrega inicial.

    Ficha técnica do Pluribus

    Título: Pluribus (ou Plur1bus, título estilizado)
    Gênero: Comédia, Drama, Ficção Científica
    Criação: Vince Gilligan
    Direção: Vince Gilligan (episódios selecionados), equipe de direção da Apple TV+
    Roteiro: Vince Gilligan
    Elenco Principal:

    • Rhea Seehorn

    • Karolina Wydra

    • Miriam Shor

    País de Origem: Estados Unidos
    Plataforma: Apple TV+
    Ano de Lançamento: 2025

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    6.0 Bom

    Pluribus se apoia em uma direção muito segura e uma atmosfera estética que funciona bem dentro do surrealismo proposto. A construção de mundo é intrigante, com uma fotografia que reforça o estranhamento e um design visual que destaca o desconforto emocional da protagonista. As atuações, especialmente a de Rhea Seehorn, elevam material que às vezes patina no próprio conceito. A série também demonstra coragem temática ao explorar a infelicidade como centro dramático, subvertendo expectativas e recusando fórmulas prontas. Há identidade, estilo e a promessa de algo maior.

    • NOTA TaNoStreaming 6.0

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    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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