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Cine Sinistro | O carnaval do terror

por Guilherme Barreto comentários

A partir de hoje, as ruas serão tomadas por milhões de corpos entorpecidos de um furor contagiante, embebidos por uma fome etílica descontrolada e sedentos por estridentes ondas sonoras que hipnotizam hordas suadas atrás dos trios elétricos. Pode parecer roteiro de um filme de zumbi do George Romero, mas é apenas o carnaval, a festa de rua mais popular do país que, apesar de adorada por muita gente, é o pesadelo de quem quer paz em meio à folia. Se esse é o seu caso, tire o abadá da gaveta, encha o balde de pipoca e prepare o controle remoto. Nos próximos seis dias, o bloco dos cinéfilos vai passar pela sua TV e fazer você escapar do terror do carnaval.

SEXTA do mascarado
Antes de começar a pular o carnaval, muitos foliões que pensam ter alguma imagem a zelar preferem esconder suas próprias identidades atrás de máscaras a fim de manter a dignidade intacta depois da quarta-feira de cinzas. Quem também não quer ser reconhecido durante seu desfile de horror é o Ghostface, protagonista da série Pânico (Scream), que engana os adolescentes da cidadezinha californiana de Woodsboro ao longo de quatro sequências (1996, 1997, 2000 e 2011). Dirigido por Wes Craven, o assassino vestido de preto e branco desafia suas vítimas a partir de charadas relacionadas ao cinema de terror, as tortura com jogos psicológicos, além de violentar os personagens impiedosamente, a qualquer sinal de fraqueza. Tão chato quanto muito folião inconveniente por aí, não é não?

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SÁBADO beberrão
Durante o cortejo carnavalesco, a ingestão de álcool é o caminho mais usado para desinibir os tímidos, encorajar os medrosos, desaprumar os perfeitinhos e resgatar os caretas. Há quem diga que ele só traz malefícios, mas tenho certeza que essa não é a opinião dos moradores da ilha de Erin, um isolado povoado irlandês que vem sofrendo com o ataque de vermes alienígenas. Em Grabbers (2012), os sobreviventes descobrem que os ETs bebedores de sangue são intolerantes a álcool e, portanto, morrerão de fome caso não consigam encontrar vítimas sóbrias para se alimentarem. A partir daí, todo mundo precisa encher a cara para não virar aperitivo dos monstrengos. Imagine só se essas criaturas resolvem vir para o Brasil durante o carnaval. Serão extintas por inanição no primeiro dia!

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DOMINGO sensual
Neste ponto do carnaval, todo mundo já está entrosado com a festa, encharcado pela catuaba e saidinho o bastante para perder a vergonha de se aproximar dos crushes. Receita ideal para embalar rápidos romances, no plural. O problema é se a pegação vier acompanhada de uma maldição sobrenatural, como em Corrente do Mal (It Follows), de 2015. Depois de contrair a força maligna sexualmente transmissível de um paquera gatinho, Jay, a protagonista, é perseguida por um algoz bem espertinho: para matá-la, ele encarna a forma de qualquer pessoa, conhecida ou não, e estalqueia a moça de forma sinistra. Para escapar, basta ela transar com uma vítima, que recebe o presente de grego e, a partir de então, passa a ser o alvo do coisa ruim. Uma metáfora nem um pouco sutil de que devemos ficar bem ligados com quem levamos para a cama. Lembrem-se, gente: daqui a nove meses, é novembro e o mundo não merece mais escorpianos habitando a Terra. Essa sim seria uma verdadeira maldição! Sexo seguro, sempre!

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SEGUNDA sonolenta
O cansaço começa a bater, você até dá uma cochiladinha entre um bloco e outro, mas o espírito folião, alguns energéticos e xícaras de café dão um gás na sua energia e o mantêm acordado. É o que acontece com Matthew e Elizabeth, protagonistas de Os Invasores de Corpos (Invasion of the Body Snatchers), de 1978, que precisam vencer o sono a qualquer custo. Caso durmam, serão invadidos por alienígenas que tomam os corpos dos humanos durante o sono, a fim de recrutá-los para algum plano maligno de domínio da Terra. Meio desagradável, né? A dica, amiguinhos, é não desistir. Preguem os olhos com esparadrapo, ouçam Ivete Sangalo no volume máximo, injetem adrenalina o coração, mas não durmam. A folia está chegando à reta final.

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TERÇA – O arrependimento em consistência de vômito
Até o mais forte dos guerreiros está sujeito a pedir arrego no fim da guerra. Depois de tantos dias de sangue, suor e cerveja, muita gente faz cosplay de vulcão e entra em erupção em qualquer sarjeta por aí. Mas cuidado: na hora de vomitar, não sejam inconvenientes como a cigana Ganush, que expele jatos cheios de larvas na cara da Christine, protagonista de Arraste-me para o Inferno (Drag me to Hell), de 2009, enquanto a moça está dormindo. Muito deselegante! Depois de recusar um acréscimo no empréstimo da senhora, a analista de crédito é amaldiçoada pelo demônio Lamia e tem três dias para se livrar do diabo antes que seja arrastada para o inferno. Tadinha! Portanto, para evitar qualquer tipo de mau agouro no carnaval, mirem seus vômitos em qualquer lugar, menos nos pés dos coleguinhas de bloco. Ah, e essa dica também vale para os jatos de urina que inundam cada cantinho da cidade. Coitados dos faxineiros!

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QUARTA – A apoteose zumbi
Enquanto os derrotados pela folia já se abrigaram, os últimos sobreviventes ocupam as ruas em bandos esfarrapados, saqueiam os comércios e matam sua fome de diversão com os últimos alalaôs antes do retorno à chatice da vida normal. Tirando o fato de que não comem cérebros, os foliões da quarta-feira de cinzas são bem parecidos com os zumbis de Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead), de 1978, que, famintos por carne humana, se aglomeram aos milhares para dizimar os sobreviventes presos em um shopping center americano. No caso brasileiro, os festeiros mortos-vivos querem apenas prolongar um bocadinho mais a sua diversão e impedir que a folia termine. Para quem é de carnaval, é de morrer ter que esperar um ano para a diversão recomeçar.

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Studio na Colab55
Guilherme Barreto
Guilherme Barreto

Filho do Jason, primo do Freddy, irmão do Chucky e amiguinho da Samara. Sou um menino de coração mole, mas que adora tripas cremosas, cérebros espatifados e fraturas expostas.

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